Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693711
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Vascular
- AApenas I.
- BApenas I e II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas II e III.
Gabarito: letra D — estão corretas apenas as assertivas II e III. A síndrome de hiperperfusão é uma complicação que ocorre no pós-operatório imediato, mas não se restringe às primeiras 24 horas (pode surgir até dias depois), e seu mecanismo central é o edema cerebral vasogênico por mecanismo hidrostático, decorrente da perda da autorregulação do fluxo sanguíneo cerebral após a correção de uma estenose crítica. Os fatores de risco clássicos incluem hipertensão arterial grave, estenose severa e oclusão contralateral, como afirma a assertiva III.
A síndrome de hiperperfusão cerebral (SHPC) é uma complicação temida após endarterectomia de carótida (EAC) ou angioplastia com stent (CAS) para tratamento de estenose carotídea. Ela ocorre quando o cérebro, que estava acostumado a um fluxo sanguíneo reduzido pela estenose crítica, é subitamente exposto a um fluxo normal ou aumentado após a revascularização. O mecanismo fisiopatológico central é a perda da autorregulação cerebrovascular: as arteríolas cerebrais, cronicamente dilatadas para compensar a hipoperfusão, não conseguem se contrair rapidamente diante do novo fluxo, resultando em hiperperfusão e extravasamento de líquido através da barreira hematoencefálica — o chamado edema cerebral vasogênico, que é de natureza hidrostática. Esse edema é tipicamente unilateral, no hemisfério ipsilateral ao procedimento, e se manifesta clinicamente com cefaleia, hipertensão intracraniana, convulsões e, nos casos graves, hemorragia intracerebral.
O quadro clínico clássico inclui cefaleia ipsilateral, crises convulsivas, déficits neurológicos focais e alteração do nível de consciência, geralmente entre o 2º e o 5º dia de pós-operatório, embora possa ocorrer desde as primeiras horas até semanas após o procedimento. O diagnóstico é essencialmente clínico, podendo ser auxiliado por exames de imagem que mostram edema cerebral e hiperperfusão. O tratamento é de suporte, com controle rigoroso da pressão arterial para evitar picos hipertensivos que agravem o edema e o risco de hemorragia. A prevenção é fundamental e se baseia no controle estrito da pressão arterial no perioperatório, evitando tanto picos hipertensivos quanto episódios prolongados de hipotensão.
Os fatores de risco pré-operatórios mais reconhecidos para o desenvolvimento da SHPC são: hipertensão arterial sistêmica grave e de difícil controle, estenose carotídea grave (geralmente > 90%), oclusão da artéria carótida contralateral, e circulação colateral cerebral deficiente. A presença desses fatores indica um cérebro cronicamente hipoperfundido e com autorregulação comprometida, mais vulnerável ao aumento súbito do fluxo após a revascularização. A banca explora exatamente a confusão entre o pico de incidência (que não é nas primeiras 24 horas) e o mecanismo fisiopatológico (que é hidrostático, não inflamatório ou isquêmico).
A banca troca o período de maior incidência da síndrome de hiperperfusão. O candidato pode associar "pós-operatório imediato" a "primeiras 24 horas", mas a SHPC tipicamente se manifesta entre o 2º e o 5º dia, podendo ocorrer até semanas depois. O mecanismo hidrostático do edema é o ponto central que a assertiva II acerta, e a banca explora a dúvida sobre o tempo de apresentação para derrubar quem não domina a fisiopatologia.
Assertiva | Afirmação | Veredito |
|---|---|---|
I | Ocorre principalmente nas 24h iniciais pós-procedimento | ❌ Incorreto (pico entre 2º e 5º dia) |
II | Mecanismo principal é edema cerebral por mecanismo hidrostático | ✅ Correto |
III | Fatores de risco: HAS grave, estenose grave e oclusão contralateral | ✅ Correto |
A assertiva afirma que a síndrome ocorre "principalmente nas 24h iniciais pós-procedimento". Isso está incorreto: embora seja uma complicação do pós-operatório imediato, o pico de incidência da SHPC ocorre tipicamente entre o 2º e o 5º dia após o procedimento, podendo se manifestar até semanas depois. A confusão pode surgir porque outras complicações, como o edema cerebral no AVE hemorrágico, ocorrem nas primeiras 24 horas, mas a SHPC tem um curso temporal diferente.
O mecanismo principal da síndrome de hiperperfusão é o edema cerebral por mecanismo hidrostático. Após a revascularização de uma estenose crítica, o cérebro cronicamente hipoperfundido perde a autorregulação do fluxo sanguíneo, e o aumento súbito da perfusão leva ao extravasamento de líquido através da barreira hematoencefálica, resultando em edema vasogênico de natureza hidrostática. Esse é o mecanismo fisiopatológico central da SHPC.
Os fatores de risco prévios ao procedimento incluem hipertensão arterial sistêmica grave, estenose grave da artéria carótida e oclusão contralateral. Esses fatores indicam um cérebro cronicamente hipoperfundido e com autorregulação comprometida, tornando-o mais vulnerável ao aumento súbito do fluxo sanguíneo após a revascularização. A assertiva está correta ao listar esses três fatores de risco clássicos.
Conclusão: Corretos: II e III → portanto a alternativa é a letra D.
Gabarito: letra D
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