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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg693714
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Vascular
No paciente diabético, as amputações dos membros inferiores têm como objetivo remover tecidos infectados, gangrenas, isquemia e promover, para o paciente, o maior membro funcional possível. Sobre o procedimento de amputação, assinale a alternativa correta.
  1. AAmputação em dois estágios, o primeiro estágio para controle de infecção e o segundo estágio para reabilitação, apresenta menor taxa de infecção em relação ao procedimento em estágio único.
  2. BOs pacientes com amputação acima do joelho apresentam altas taxas de protetização e reabilitação.
  3. CO uso de curativos compressivos com alta compressão após o procedimento diminui o sangramento pós-operatório e melhora a taxa de reabilitação.
  4. DO uso do eletrocautério em altas potências diminui o tempo do procedimento e deve ser usado como dispositivo preferencial para a secção muscular, melhorando as taxas de cicatrização pós-operatória.
  5. EA reabilitação independe do estágio da doença arterial obstrutiva periférica no membro afetado.
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GabaritoA — Amputação em dois estágios, o primeiro estágio para controle de infecção e o segundo estágio para reabilitação, apresenta menor taxa de infecção em relação ao procedimento em estágio único.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Amputações em membros inferiores no paciente diabético

Gabarito: letra A. A amputação em dois estágios — o primeiro para controle da infecção e o segundo para reabilitação — é uma estratégia que reduz a taxa de infecção quando comparada ao procedimento em estágio único, pois permite que o processo infeccioso seja tratado antes da confecção definitiva do coto. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre protetização, curativos compressivos, uso do eletrocautério e reabilitação.

A amputação de membros inferiores no paciente diabético é um procedimento de grande porte, frequentemente necessário diante de infecções graves, gangrenas e isquemia crítica. O objetivo central é remover o tecido inviável e, ao mesmo tempo, preservar o maior comprimento funcional possível do membro, pois isso impacta diretamente na capacidade de reabilitação e na qualidade de vida do paciente. A decisão sobre o nível da amputação — dedos, transmetatarsiana, abaixo do joelho ou acima do joelho — é baseada na extensão da necrose, na presença de infecção e na viabilidade dos tecidos, avaliada por exame clínico e, quando necessário, por métodos de imagem e avaliação da perfusão.

A amputação em dois estágios é uma técnica consagrada em situações de infecção ativa ou gangrena úmida. No primeiro estágio, realiza-se uma amputação mais proximal, com desbridamento amplo, deixando o coto aberto ou com fechamento primário retardado, para controlar a sepse local. Após a resolução do processo infeccioso, geralmente em alguns dias, realiza-se o segundo estágio, com a revisão do coto e a confecção definitiva, já em condições de cicatrização mais favoráveis. Essa abordagem reduz a taxa de infecção do coto definitivo, pois evita o fechamento primário sobre tecidos contaminados. Em contrapartida, o procedimento em estágio único, quando realizado em ambiente infectado, apresenta maior risco de deiscência, infecção e necessidade de reintervenção.

A reabilitação do paciente amputado é um processo complexo que envolve a cicatrização adequada do coto, o controle da dor, o fortalecimento muscular e a adaptação à prótese. A protetização é mais bem-sucedida em amputações abaixo do joelho, pois preserva a articulação do joelho, fundamental para a marcha eficiente e com menor gasto energético. Amputações acima do joelho, por sua vez, apresentam taxas de protetização e reabilitação significativamente menores, devido à maior demanda energética e à maior dificuldade de adaptação. O estágio da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é um fator determinante na reabilitação, pois a perfusão inadequada compromete a cicatrização e a viabilidade do coto, além de limitar a capacidade funcional do paciente.

O uso de curativos compressivos no pós-operatório de amputações é um tema que exige cautela. Embora a compressão suave possa ajudar a modelar o coto e reduzir o edema, a compressão de alta intensidade é contraindicada, pois pode comprometer a perfusão tecidual, especialmente em pacientes com doença vascular periférica, aumentando o risco de necrose e retardando a cicatrização. O eletrocautério, por sua vez, é uma ferramenta útil para hemostasia, mas seu uso em altas potências para a secção muscular deve ser evitado, pois causa maior dano térmico aos tecidos, aumentando a necrose e prejudicando a cicatrização. A secção muscular deve ser realizada preferencialmente com bisturi frio, preservando a viabilidade dos tecidos.

A reabilitação, portanto, é diretamente influenciada pelo estágio da DAOP, pela presença de comorbidades, pelo nível da amputação e pela qualidade do coto. A alternativa E, ao afirmar que a reabilitação independe do estágio da DAOP, ignora que a perfusão inadequada compromete a cicatrização e a viabilidade do coto, além de limitar a capacidade funcional do paciente. A alternativa B, ao afirmar que pacientes com amputação acima do joelho apresentam altas taxas de protetização, contraria a prática clínica, que demonstra baixas taxas de sucesso nesses casos. A alternativa C, ao defender curativos compressivos de alta compressão, ignora o risco de comprometimento vascular. A alternativa D, ao recomendar o eletrocautério em altas potências para secção muscular, desconsidera o dano térmico e a piora da cicatrização.

Guarde a fronteira entre o que favorece e o que prejudica a cicatrização e a reabilitação: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A amputação em dois estágios é a única que apresenta uma vantagem clara e bem estabelecida na literatura, sendo a alternativa correta.

1Objetivo
Remover tecido inviável
Preservar maior membro funcional
2Nível da amputação
Dedos / transmetatarsiana
Abaixo do joelho
Acima do joelho
3Técnica em dois estágios
1º: controle da infecção
2º: confecção definitiva do coto
Menor taxa de infecção
4Fatores que prejudicam
Curativo compressivo de alta compressão
Eletrocautério em alta potência
DAOP avançada
Amputação em MMII no diabético
LEVELsoulevel.com.br
Amputação em MMII no diabético: Objetivo (Remover tecido inviável, Preservar maior membro funcional); Nível da amputação (Dedos / transmetatarsiana, Abaixo do joelho, Acima do joelho); Técnica em dois estágios (1º: controle da infecção, 2º: confecção definitiva do coto, Menor taxa de infecção); Fatores que prejudicam (Curativo compressivo de alta compressão, Eletrocautério em alta potência, DAOP avançada)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A amputação em dois estágios é uma técnica que visa o controle da infecção no primeiro tempo e a reabilitação no segundo. Ao permitir que o processo infeccioso seja tratado antes da confecção definitiva do coto, essa abordagem reduz a taxa de infecção quando comparada ao procedimento em estágio único, que é realizado em ambiente potencialmente contaminado. Essa é uma conduta bem estabelecida na cirurgia vascular e ortopédica, especialmente em casos de gangrena infectada ou infecção ativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes com amputação acima do joelho apresentam altas taxas de protetização e reabilitação. Na prática, amputações acima do joelho têm taxas de protetização e reabilitação significativamente menores, pois a perda da articulação do joelho aumenta o gasto energético para a marcha e dificulta a adaptação à prótese. A protetização é mais bem-sucedida em amputações abaixo do joelho.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Defende o uso de curativos compressivos com alta compressão após o procedimento. A compressão de alta intensidade é contraindicada, pois pode comprometer a perfusão tecidual, especialmente em pacientes com doença vascular periférica, aumentando o risco de necrose e retardando a cicatrização. A compressão suave pode ser usada para modelar o coto, mas não em alta intensidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Recomenda o uso do eletrocautério em altas potências para a secção muscular. O eletrocautério em altas potências causa maior dano térmico aos tecidos, aumentando a necrose e prejudicando a cicatrização. A secção muscular deve ser realizada preferencialmente com bisturi frio, preservando a viabilidade dos tecidos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a reabilitação independe do estágio da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) no membro afetado. A DAOP compromete a perfusão tecidual, o que afeta diretamente a cicatrização do coto e a viabilidade do membro, além de limitar a capacidade funcional do paciente. Portanto, o estágio da DAOP é um fator determinante na reabilitação.

Gabarito: letra A

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