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Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2026

MedicinaAngiologia
Código
qg693715
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Vascular
Insuficiência Venosa Crônica (IVC) pode ser definida como o conjunto de manifestações clínicas causadas pela anormalidade (refluxo, obstrução ou ambos) do sistema venoso periférico (superficial, profundo ou ambos), geralmente acometendo os membros inferiores. Sobre o tema, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AA terapia compressiva é um componente essencial do tratamento desde sua classificação CEAP (C2 até C6).
  2. BO estudo “ESCLIAR trial” demonstrou que a ablação cirúrgica das veias com refluxo apresenta benefício em adição à terapia compressiva para prevenção na recorrência de úlceras venosas.
  3. CHá contraindicação ao uso de meias elásticas em pacientes com o ITB <0,5.
  4. DA cirurgia apresenta significativo benefício na qualidade de vida e alívio dos sintomas a partir de classificação CEAP C2.
  5. EPacientes que apresentam refluxo profundo associado ao refluxo superficial, não apresentam benefício no tratamento cirúrgico do refluxo superficial.
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GabaritoE — Pacientes que apresentam refluxo profundo associado ao refluxo superficial, não apresentam benefício no tratamento cirúrgico do refluxo superficial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência Venosa Crônica (IVC) – Tratamento e indicações cirúrgicas

Gabarito: letra E. A alternativa incorreta afirma que pacientes com refluxo profundo associado ao refluxo superficial não se beneficiam do tratamento cirúrgico do refluxo superficial — o que contraria a prática clínica e a literatura vascular, que demonstram benefício sintomático e na cicatrização de úlceras mesmo nesses casos. As demais alternativas (A, B, C e D) estão corretas quanto à terapia compressiva, ao estudo ESCHAR, à contraindicação com ITB < 0,5 e ao benefício cirúrgico a partir do CEAP C2.

A Insuficiência Venosa Crônica (IVC) é uma síndrome caracterizada por anormalidades do sistema venoso periférico — refluxo, obstrução ou ambos — que comprometem o retorno venoso dos membros inferiores. A classificação CEAP (Clínica, Etiologia, Anatomia, Fisiopatologia) é o instrumento mais utilizado para estratificar a gravidade clínica, variando de C0 (sem sinais visíveis) a C6 (úlcera venosa ativa). O tratamento baseia-se na terapia compressiva, considerada o pilar do manejo conservador, e na correção cirúrgica do refluxo venoso quando indicada.

A terapia compressiva, com meias elásticas de moderada compressão (20-30 mmHg), é recomendada para pacientes sintomáticos a partir do CEAP C3, mas também é utilizada em estágios mais precoces (C2) quando há sintomas. Ela alivia os sintomas e auxilia na cicatrização de úlceras, porém não corrige a causa do refluxo, sendo necessária a avaliação para tratamento definitivo. A contraindicação ao uso de meias elásticas ocorre em pacientes com doença arterial periférica significativa, geralmente quando o Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é inferior a 0,5, pois a compressão poderia agravar a isquemia.

O estudo ESCHAR (Effect of Surgery and Compression on Healing and Recurrence) demonstrou que a ablação cirúrgica das veias com refluxo, adicionada à terapia compressiva, reduz a recorrência de úlceras venosas, embora não tenha mostrado diferença significativa na cicatrização inicial. A cirurgia, por sua vez, é indicada para pacientes com refluxo venoso comprovado, proporcionando melhora na qualidade de vida e alívio dos sintomas, especialmente a partir do CEAP C2 (veias varicosas).

A alternativa E, contudo, apresenta uma afirmação incorreta ao sugerir que a presença de refluxo profundo associado ao refluxo superficial elimina o benefício do tratamento cirúrgico do refluxo superficial. Na prática, mesmo quando há refluxo em ambos os sistemas, a correção do refluxo superficial pode trazer benefícios clínicos, como redução dos sintomas e melhora da cicatrização de úlceras, pois diminui a carga volêmica sobre o sistema profundo. A decisão cirúrgica deve ser individualizada, considerando a anatomia e a fisiopatologia de cada caso, mas não há contraindicação absoluta baseada apenas na coexistência dos dois refluxos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a ideia de que, se há refluxo profundo, a cirurgia no superficial seria inútil. Isso é um equívoco: a correção do refluxo superficial pode reduzir a pressão no sistema profundo e melhorar os sintomas, mesmo sem corrigir o refluxo profundo. O candidato deve lembrar que a indicação cirúrgica não é excluída pela presença de refluxo profundo associado.

Critério

Terapia compressiva

Cirurgia (ablação)

Indicação principal

CEAP C2 a C6 (sintomáticos)

CEAP C2 em diante (refluxo comprovado)

Efeito sobre a causa

Não corrige o refluxo (paliativo)

Corrige o refluxo superficial

Benefício demonstrado

Alívio sintomático, cicatrização de úlceras

Melhora qualidade de vida, redução de recorrência de úlceras (ESCHAR)

Contraindicação absoluta

ITB < 0,5

Não há contraindicação absoluta pela coexistência de refluxo profundo

Alternativa A — ✅ Correta

A terapia compressiva é, de fato, um componente essencial do tratamento da IVC desde a classificação CEAP C2 até C6. Ela é indicada para alívio dos sintomas e prevenção de complicações, como edema e úlceras. A compressão com meias elásticas de moderada compressão (20-30 mmHg) é o manejo conservador padrão para pacientes sintomáticos, sendo utilizada em todos os estágios clínicos a partir de C2, conforme a gravidade.

Alternativa B — ✅ Correta

O estudo ESCHAR demonstrou que a ablação cirúrgica das veias com refluxo, em adição à terapia compressiva, reduz a recorrência de úlceras venosas. Embora não tenha mostrado diferença significativa na cicatrização inicial, a cirurgia contribui para a prevenção de recidivas, o que é um benefício importante no manejo da doença venosa crônica.

Alternativa C — ✅ Correta

Há contraindicação ao uso de meias elásticas em pacientes com ITB < 0,5, pois a compressão pode agravar a isquemia arterial. Nesses casos, a terapia compressiva deve ser evitada ou utilizada com extrema cautela, após avaliação vascular detalhada, para não comprometer a perfusão tecidual.

Alternativa D — ✅ Correta

A cirurgia apresenta significativo benefício na qualidade de vida e alívio dos sintomas a partir da classificação CEAP C2, quando há veias varicosas. A correção do refluxo venoso superficial melhora os sintomas como dor, peso e edema, além de prevenir a progressão da doença para estágios mais avançados.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmação de que pacientes com refluxo profundo associado ao refluxo superficial não apresentam benefício no tratamento cirúrgico do refluxo superficial é incorreta. A cirurgia do refluxo superficial pode trazer benefícios mesmo na presença de refluxo profundo, pois reduz a sobrecarga volêmica e pressórica sobre o sistema profundo, melhorando os sintomas e auxiliando na cicatrização de úlceras. A decisão deve ser individualizada, mas não há contraindicação absoluta baseada apenas na coexistência dos dois refluxos.

Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois a cirurgia do refluxo superficial pode beneficiar pacientes mesmo com refluxo profundo associado.

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