Insuficiência Venosa Crônica (IVC) pode ser definida como o conjunto de manifestações clínicas causadas pela anormalidade (refluxo, obstrução ou ambos) do sistema venoso periférico (superficial, profundo ou ambos), geralmente acometendo os membros inferiores. Sobre o tema, assinale a alternativa INCORRETA.
AA terapia compressiva é um componente essencial do tratamento desde sua classificação CEAP (C2 até C6).
BO estudo “ESCLIAR trial” demonstrou que a ablação cirúrgica das veias com refluxo apresenta benefício em adição à terapia compressiva para prevenção na recorrência de úlceras venosas.
CHá contraindicação ao uso de meias elásticas em pacientes com o ITB <0,5.
DA cirurgia apresenta significativo benefício na qualidade de vida e alívio dos sintomas a partir de classificação CEAP C2.
EPacientes que apresentam refluxo profundo associado ao refluxo superficial, não apresentam benefício no tratamento cirúrgico do refluxo superficial.
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GabaritoE — Pacientes que apresentam refluxo profundo associado ao refluxo superficial, não apresentam benefício no tratamento cirúrgico do refluxo superficial.
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Insuficiência Venosa Crônica (IVC) – Tratamento e indicações cirúrgicas
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta afirma que pacientes com refluxo profundo associado ao refluxo superficial não se beneficiam do tratamento cirúrgico do refluxo superficial — o que contraria a prática clínica e a literatura vascular, que demonstram benefício sintomático e na cicatrização de úlceras mesmo nesses casos. As demais alternativas (A, B, C e D) estão corretas quanto à terapia compressiva, ao estudo ESCHAR, à contraindicação com ITB < 0,5 e ao benefício cirúrgico a partir do CEAP C2.
A Insuficiência Venosa Crônica (IVC) é uma síndrome caracterizada por anormalidades do sistema venoso periférico — refluxo, obstrução ou ambos — que comprometem o retorno venoso dos membros inferiores. A classificação CEAP (Clínica, Etiologia, Anatomia, Fisiopatologia) é o instrumento mais utilizado para estratificar a gravidade clínica, variando de C0 (sem sinais visíveis) a C6 (úlcera venosa ativa). O tratamento baseia-se na terapia compressiva, considerada o pilar do manejo conservador, e na correção cirúrgica do refluxo venoso quando indicada.
A terapia compressiva, com meias elásticas de moderada compressão (20-30 mmHg), é recomendada para pacientes sintomáticos a partir do CEAP C3, mas também é utilizada em estágios mais precoces (C2) quando há sintomas. Ela alivia os sintomas e auxilia na cicatrização de úlceras, porém não corrige a causa do refluxo, sendo necessária a avaliação para tratamento definitivo. A contraindicação ao uso de meias elásticas ocorre em pacientes com doença arterial periférica significativa, geralmente quando o Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é inferior a 0,5, pois a compressão poderia agravar a isquemia.
O estudo ESCHAR (Effect of Surgery and Compression on Healing and Recurrence) demonstrou que a ablação cirúrgica das veias com refluxo, adicionada à terapia compressiva, reduz a recorrência de úlceras venosas, embora não tenha mostrado diferença significativa na cicatrização inicial. A cirurgia, por sua vez, é indicada para pacientes com refluxo venoso comprovado, proporcionando melhora na qualidade de vida e alívio dos sintomas, especialmente a partir do CEAP C2 (veias varicosas).
A alternativa E, contudo, apresenta uma afirmação incorreta ao sugerir que a presença de refluxo profundo associado ao refluxo superficial elimina o benefício do tratamento cirúrgico do refluxo superficial. Na prática, mesmo quando há refluxo em ambos os sistemas, a correção do refluxo superficial pode trazer benefícios clínicos, como redução dos sintomas e melhora da cicatrização de úlceras, pois diminui a carga volêmica sobre o sistema profundo. A decisão cirúrgica deve ser individualizada, considerando a anatomia e a fisiopatologia de cada caso, mas não há contraindicação absoluta baseada apenas na coexistência dos dois refluxos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a ideia de que, se há refluxo profundo, a cirurgia no superficial seria inútil. Isso é um equívoco: a correção do refluxo superficial pode reduzir a pressão no sistema profundo e melhorar os sintomas, mesmo sem corrigir o refluxo profundo. O candidato deve lembrar que a indicação cirúrgica não é excluída pela presença de refluxo profundo associado.
Critério
Terapia compressiva
Cirurgia (ablação)
Indicação principal
CEAP C2 a C6 (sintomáticos)
CEAP C2 em diante (refluxo comprovado)
Efeito sobre a causa
Não corrige o refluxo (paliativo)
Corrige o refluxo superficial
Benefício demonstrado
Alívio sintomático, cicatrização de úlceras
Melhora qualidade de vida, redução de recorrência de úlceras (ESCHAR)
Contraindicação absoluta
ITB < 0,5
Não há contraindicação absoluta pela coexistência de refluxo profundo
Alternativa A — ✅ Correta
A terapia compressiva é, de fato, um componente essencial do tratamento da IVC desde a classificação CEAP C2 até C6. Ela é indicada para alívio dos sintomas e prevenção de complicações, como edema e úlceras. A compressão com meias elásticas de moderada compressão (20-30 mmHg) é o manejo conservador padrão para pacientes sintomáticos, sendo utilizada em todos os estágios clínicos a partir de C2, conforme a gravidade.
Alternativa B — ✅ Correta
O estudo ESCHAR demonstrou que a ablação cirúrgica das veias com refluxo, em adição à terapia compressiva, reduz a recorrência de úlceras venosas. Embora não tenha mostrado diferença significativa na cicatrização inicial, a cirurgia contribui para a prevenção de recidivas, o que é um benefício importante no manejo da doença venosa crônica.
Alternativa C — ✅ Correta
Há contraindicação ao uso de meias elásticas em pacientes com ITB < 0,5, pois a compressão pode agravar a isquemia arterial. Nesses casos, a terapia compressiva deve ser evitada ou utilizada com extrema cautela, após avaliação vascular detalhada, para não comprometer a perfusão tecidual.
Alternativa D — ✅ Correta
A cirurgia apresenta significativo benefício na qualidade de vida e alívio dos sintomas a partir da classificação CEAP C2, quando há veias varicosas. A correção do refluxo venoso superficial melhora os sintomas como dor, peso e edema, além de prevenir a progressão da doença para estágios mais avançados.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A afirmação de que pacientes com refluxo profundo associado ao refluxo superficial não apresentam benefício no tratamento cirúrgico do refluxo superficial é incorreta. A cirurgia do refluxo superficial pode trazer benefícios mesmo na presença de refluxo profundo, pois reduz a sobrecarga volêmica e pressórica sobre o sistema profundo, melhorando os sintomas e auxiliando na cicatrização de úlceras. A decisão deve ser individualizada, mas não há contraindicação absoluta baseada apenas na coexistência dos dois refluxos.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois a cirurgia do refluxo superficial pode beneficiar pacientes mesmo com refluxo profundo associado.