Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693719
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Vascular
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoA — Apenas I.
Gabarito: letra A — apenas o item I está correto. A estenose aterosclerótica acomete tipicamente o terço proximal e o óstio das artérias renais (item I correto); o item II erra ao afirmar que as taxas de reestenose pós-tratamento endovascular são baixas — na verdade, a angioplastia isolada tem alto risco de estenose recorrente, e o uso de estatinas em altas doses integra o manejo clínico dos fatores de risco, não é medida específica de prevenção de reestenose; o item III erra o limiar do índice de resistência intrarrenal, que é > 0,8 (não > 0,6) para indicar má resposta à revascularização.
A Estenose da Artéria Renal (EAR) é uma causa potencialmente reversível de hipertensão secundária e de insuficiência renal progressiva. Suas duas principais etiologias são a aterosclerose (cerca de 85% dos casos, típica em idosos com doença aterosclerótica sistêmica) e a displasia fibromuscular (DFM) (cerca de 15%, mais comum em mulheres jovens entre 15 e 50 anos). A compreensão dessas duas entidades é fundamental, pois a localização da lesão, o perfil do paciente e a resposta ao tratamento diferem substancialmente entre elas.
A aterosclerose tende a formar placas no óstio e no terço proximal das artérias renais, frequentemente como extensão de doença aórtica. Isso ocorre porque o óstio é um ponto de turbulência e estresse hemodinâmico, favorecendo a deposição de placas ateromatosas. Já a DFM acomete mais comumente os dois terços distais da artéria renal, com aspecto clássico de "colar de pérolas" na angiografia (fibroplasia da túnica média, responsável por 60 a 70% dos casos). Essa diferença de localização é um dos critérios que ajudam a distinguir as duas etiologias na prática clínica e em exames de imagem.
O tratamento endovascular da EAR aterosclerótica (angioplastia com stent) está associado a risco de complicações como doença ateroembólica, nefropatia por contraste e trombose intra-stent. A angioplastia isolada, sem stent, não é útil na maioria dos pacientes devido ao alto risco de estenose recorrente. O manejo clínico inclui controle intensivo dos fatores de risco ateroscleróticos (hipertensão, dislipidemia, tabagismo), com uso de estatinas em altas doses como parte da terapia, mas isso não é uma medida específica para prevenir reestenose pós-procedimento — é uma medida de prevenção cardiovascular global.
O índice de resistência intrarrenal (IR) ao ecodoppler é calculado pela fórmula: IR = (velocidade sistólica máxima − velocidade diastólica final) / velocidade sistólica máxima. Um IR elevado reflete grau avançado de dano renal intrínseco, provavelmente irreversível, e está associado a má resposta à revascularização. O limiar classicamente utilizado para indicar mau prognóstico é IR > 0,8, não > 0,6. Valores acima de 0,8 indicam alta resistência intrarrenal e baixa probabilidade de benefício com a revascularização, pois o dano parenquimatoso já está estabelecido.
A banca troca o limiar do índice de resistência intrarrenal (0,6 em vez de 0,8) e inverte a taxa de reestenose pós-angioplastia ("baixas" em vez de "altas"). Essas são inversões clássicas de valores e conceitos que o candidato desatento pode aceitar como verdadeiras. Fique atento: o IR > 0,8 é o ponto de corte consagrado na literatura para predizer má resposta à revascularização, e a angioplastia isolada tem alto risco de reestenose, sendo o stent a opção preferencial na EAR aterosclerótica.
Item | Afirmação | Veredito |
|---|---|---|
I | Estenose aterosclerótica no terço proximal/óstio | ✅ Correto |
II | Baixas taxas de reestenose pós-endovascular; estatinas em altas doses para prevenção de reestenose | ❌ Incorreto |
III | IR intrarrenal > 0,6 indica má resposta à revascularização | ❌ Incorreto |
A assertiva está correta. A estenose aterosclerótica da artéria renal tipicamente ocorre no terço proximal e no óstio das artérias renais, frequentemente como extensão de placa aórtica. Essa localização proximal é característica da doença aterosclerótica, em contraste com a DFM, que acomete os dois terços distais. O texto de apoio confirma: "A aterosclerose tende a formar placas no óstio e no terço proximal das artérias renais". Portanto, o item I está correto.
A assertiva está incorreta por dois motivos: (1) as taxas de reestenose após tratamento endovascular não são baixas — a angioplastia isolada, sem stent, tem alto risco de estenose recorrente, e mesmo com stent há risco de reestenose; (2) o uso de estatinas em altas doses é recomendado como parte do manejo clínico dos fatores de risco ateroscleróticos, mas não é uma medida específica de prevenção de reestenose pós-procedimento. O texto de apoio afirma: "A angioplastia isoladamente, sem colocação de stent, não é útil na maioria dos pacientes com EAR aterosclerótica, devido ao alto risco de estenose recorrente." Portanto, o item II está incorreto.
A assertiva está incorreta porque o limiar do índice de resistência intrarrenal para indicar má resposta à revascularização é > 0,8, e não > 0,6. O texto de apoio menciona que "um alto índice de resistividade reflete um grau avançado de dano renal intrínseco, provavelmente irreversível", mas o valor de corte consagrado na literatura é 0,8. Portanto, o item III está incorreto.
Conclusão: Apenas o item I está correto. Portanto, a alternativa correta é a letra A.
Gabarito: letra A
Link permanente: /questoes/qg693719