Índice Tornozelo-Braquial (ITB) e Doença Arterial Periférica
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que um manguito mais largo que o necessário superestima a pressão e altera o ITB — na verdade, o manguito largo subestima a pressão arterial, enquanto o manguito estreito a superestima. As demais alternativas estão corretas: ITB < 0,9 indica risco cardiovascular aumentado; em idosos, a sensibilidade do ITB é menor devido à calcificação arterial; queda de 0,15 no ITB após bypass com veia safena sugere alto risco de trombose; e a aferição deve ser feita com o paciente deitado.
O ITB é um exame não invasivo que compara a pressão arterial sistólica do tornozelo com a do braço, sendo o principal método diagnóstico da Doença Arterial Periférica (DAOP). O cálculo é simples: divide-se a maior pressão sistólica do tornozelo (artéria tibial posterior ou dorsal do pé) pela maior pressão sistólica do braço (artéria braquial). O resultado classifica a gravidade da doença: valores entre 1,00 e 1,40 são normais; 0,90 a 0,99 são limítrofes; 0,70 a 0,89 indicam DAOP leve; 0,40 a 0,69, moderada; e < 0,40, grave. Valores acima de 1,40 sugerem vasos incompressíveis, comuns em diabéticos e pacientes com insuficiência renal, devido à calcificação da parede arterial — nesses casos, o ITB pode ser falsamente elevado, e o índice dedo-braquial é uma alternativa.
A técnica de aferição exige que o paciente esteja em decúbito dorsal (deitado), com repouso de pelo menos 5 minutos antes da medida. O manguito deve ter largura adequada à circunferência do membro: a largura do manguito deve corresponder a cerca de 40% da circunferência do membro. Se o manguito for mais largo que o necessário, a pressão medida será subestimada (valor menor que o real); se for mais estreito, a pressão será superestimada (valor maior que o real). Essa relação inversa é um princípio fundamental da esfigmomanometria e é exatamente o que a alternativa E inverte.
No acompanhamento de pacientes submetidos a bypass com veia safena, o ITB é uma ferramenta útil para detectar estenose ou trombose do enxerto. Uma queda de 0,15 no ITB em relação ao valor basal é considerada um sinal de alerta para alto risco de trombose do bypass, indicando a necessidade de investigação adicional, como ultrassonografia duplex. Essa é uma recomendação prática amplamente aceita em diretrizes de cirurgia vascular.
Em pacientes idosos, a sensibilidade do ITB para diagnóstico de DAOP é menor. Isso ocorre porque, com o envelhecimento, há maior prevalência de calcificação arterial (especialmente em diabéticos e nefropatas), o que torna os vasos menos compressíveis e pode elevar artificialmente a pressão no tornozelo, resultando em ITB falso-normal ou supernormal. Assim, o ITB pode deixar de detectar DAOP em idosos com vasos calcificados, reduzindo sua sensibilidade nessa população.
A alternativa A está correta: um ITB < 0,9 é um marcador de aterosclerose sistêmica e está associado a aumento do risco cardiovascular geral, incluindo infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte cardiovascular. A DAOP é considerada um equivalente de doença cardiovascular, e o ITB baixo é um preditor independente de eventos cardiovasculares.
A pegadinha central desta questão está na relação entre o tamanho do manguito e o valor da pressão medida. A banca inverteu o efeito: manguito largo subestima (não superestima) a pressão. Essa é uma armadilha clássica em questões de semiologia e enfermagem, e o candidato que não domina o princípio físico da esfigmomanometria tende a marcar a alternativa E como correta, quando ela é justamente a incorreta.
Alternativa A — ✅ Correta
Afirma que pacientes com ITB < 0,9 têm risco cardiovascular geral aumentado. Isso está correto: o ITB baixo é um marcador de aterosclerose sistêmica e está associado a maior incidência de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC. A DAOP é considerada um equivalente de doença cardiovascular, e o ITB < 0,9 é um preditor independente de mortalidade cardiovascular.
Alternativa B — ✅ Correta
Afirma que o ITB apresenta menor sensibilidade para diagnóstico em pacientes idosos. Correto: em idosos, a maior prevalência de calcificação arterial (especialmente em diabéticos e nefropatas) torna os vasos menos compressíveis, elevando artificialmente a pressão no tornozelo e resultando em ITB falso-normal ou supernormal. Isso reduz a sensibilidade do exame nessa população.
Alternativa C — ✅ Correta
Afirma que, no acompanhamento do bypass com veia safena, uma queda de 0,15 no ITB indica muito alto risco de trombose do bypass. Correto: uma redução de 0,15 no ITB em relação ao valor basal é um sinal de alerta para estenose ou trombose do enxerto, exigindo investigação adicional, como ultrassonografia duplex.
Alternativa D — ✅ Correta
Afirma que a aferição deve ser realizada com o paciente deitado. Correto: o ITB deve ser medido com o paciente em decúbito dorsal, após repouso de pelo menos 5 minutos, para garantir que a pressão arterial esteja em condições basais e evitar interferências posturais.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
Afirma que a utilização de um manguito mais largo que o necessário superestima a pressão e pode alterar o ITB. Errado: o manguito largo subestima a pressão arterial, enquanto o manguito estreito a superestima. Essa é uma inversão clássica. O princípio é que a largura do manguito deve ser proporcional à circunferência do membro; quando o manguito é largo demais, a pressão necessária para ocluir a artéria é menor, resultando em leitura falsamente baixa. Portanto, a alternativa E está incorreta.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois inverte o efeito do manguito largo na pressão arterial.