Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg693728
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Vascular
A arterite temporal (arterite de células gigantes) é uma forma relativamente comum de vasculite. Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
AÉ mais comum em homens acima dos 50 anos.
BA biópsia é o padrão-ouro para o diagnóstico e apresenta baixas taxas de falsos negativos.
CO ultrassom de artérias temporais é um dos exames indicados, apresentando o achado do sinal do “halo”, alta especificidade para o diagnóstico.
DO uso do ultrassom apresenta baixo valor preditivo negativo para o diagnóstico.
EUma das principais complicações é o aneurisma de artérias coronárias.
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GabaritoC — O ultrassom de artérias temporais é um dos exames indicados, apresentando o achado do sinal do “halo”, alta especificidade para o diagnóstico.
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Arterite de células gigantes (arterite temporal)
Gabarito: letra C. O ultrassom de artérias temporais é um exame indicado na investigação da arterite de células gigantes, e o achado do sinal do "halo" (espessamento hipoecoico circunferencial da parede arterial) apresenta alta especificidade para o diagnóstico. As demais alternativas contêm erros: a doença é mais comum em mulheres (3:1), a biópsia tem taxas significativas de falsos negativos (lesões segmentares), o ultrassom tem alto valor preditivo negativo, e a complicação clássica é o aneurisma de aorta, não de artérias coronárias.
A arterite de células gigantes (ACG), também chamada de arterite temporal, é a vasculite mais comum em adultos, acometendo vasos de grande e médio calibre, com predileção pelos ramos da artéria carótida, especialmente a artéria temporal superficial, a artéria oftálmica e a aorta. A idade média de início é de 70 a 75 anos, sendo rara antes dos 50 anos. A doença afeta mais mulheres do que homens, na proporção de aproximadamente 3:1, e tem forte associação com a polimialgia reumática (PMR), que está presente em cerca de 40% dos pacientes. A apresentação clássica inclui cefaleia nova, sensibilidade no couro cabeludo, claudicação de mandíbula e, em casos graves, perda visual súbita por neuropatia óptica isquêmica anterior, consequência do envolvimento da artéria oftálmica. A claudicação de mandíbula é um sintoma relativamente específico e deve levantar forte suspeita da doença.
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas pode ser corroborado por exames complementares. A biópsia da artéria temporal é considerada o padrão-ouro, porém apresenta taxas de falsos negativos que podem chegar a 40%, devido ao caráter segmentar das lesões inflamatórias (lesões em "skip"). Por isso, a biópsia negativa não exclui o diagnóstico quando a suspeita clínica é alta. O ultrassom com Doppler colorido das artérias temporais ganhou destaque como método não invasivo: o sinal do "halo" — um espessamento hipoecoico circunferencial da parede arterial — tem alta especificidade (acima de 90%) e alto valor preditivo positivo para o diagnóstico. Além disso, o ultrassom apresenta alto valor preditivo negativo, ou seja, a ausência do halo torna o diagnóstico menos provável, embora não o exclua completamente. Outros exames de imagem, como angio-RM e angio-TC, também podem ser utilizados, especialmente para avaliar o envolvimento de grandes vasos como a aorta.
A principal complicação da ACG é a perda visual, que pode ser irreversível se o tratamento com corticosteroides não for iniciado prontamente. Outra complicação importante é o aneurisma de aorta, que pode se desenvolver a longo prazo, especialmente em pacientes com envolvimento aórtico. O aneurisma de artérias coronárias, por outro lado, é uma complicação característica da doença de Kawasaki, uma vasculite de médios vasos que acomete principalmente crianças. Essa distinção é crucial e frequentemente explorada em provas.
A banca explora a confusão entre as vasculites de grandes e médios vasos, especialmente no que diz respeito às complicações e à epidemiologia. É fundamental memorizar as características distintivas de cada uma: a ACG é a vasculite mais comum em adultos, predomina em mulheres idosas, e a complicação clássica é a perda visual e o aneurisma de aorta; a doença de Kawasaki acomete crianças, predomina em meninos, e a complicação clássica é o aneurisma de artérias coronárias. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas desta questão se dividem.
Critério
Arterite de Células Gigantes (ACG)
Doença de Kawasaki
Faixa etária predominante
Idosos (pico 70–75 anos)
Crianças
Sexo predominante
Mulheres (3:1)
Meninos
Complicação clássica
Perda visual e aneurisma de aorta
Aneurisma de artérias coronárias
Vasos acometidos
Grande e médio calibre (artéria temporal, oftálmica, aorta)
Médios vasos (coronárias)
Arterite de células gigantes
1Epidemiologia
Mulheres (3:1)
Idade média 70-75 anos
2Diagnóstico
Biópsia (padrão-ouro)
Altos falsos negativos (40%)
Ultrassom com Doppler
Sinal do "halo"
Alta especificidade
Alto valor preditivo negativo
3Complicações
Perda visual
Aneurisma de aorta
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a arterite temporal é mais comum em homens acima dos 50 anos. O erro está no sexo: a doença é mais comum em mulheres, na proporção de aproximadamente 3:1. A faixa etária está correta (acima de 50 anos, com pico entre 70 e 75 anos), mas a predominância por sexo está invertida. A banca trocou o sexo predominante, um erro clássico de inversão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a biópsia é o padrão-ouro e apresenta baixas taxas de falsos negativos. A primeira parte está correta — a biópsia da artéria temporal é o padrão-ouro —, mas a segunda parte está errada: a biópsia apresenta altas taxas de falsos negativos, que podem chegar a 40%, devido ao caráter segmentar das lesões inflamatórias. Uma biópsia negativa não exclui o diagnóstico quando a suspeita clínica é alta. A banca inverteu a taxa de falsos negativos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O ultrassom de artérias temporais é um exame indicado na investigação da arterite de células gigantes, e o achado do sinal do "halo" — espessamento hipoecoico circunferencial da parede arterial — apresenta alta especificidade para o diagnóstico. O sinal do halo é um achado característico e, quando presente, confirma a suspeita clínica com alta probabilidade. O ultrassom é um método não invasivo, de baixo custo e amplamente disponível, sendo uma alternativa à biópsia em casos selecionados.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o ultrassom apresenta baixo valor preditivo negativo. O erro está na inversão: o ultrassom apresenta alto valor preditivo negativo, ou seja, quando o sinal do halo está ausente, a probabilidade de a doença estar presente é baixa. Isso não exclui completamente o diagnóstico, mas reduz significativamente a suspeita. A banca trocou "alto" por "baixo".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que uma das principais complicações é o aneurisma de artérias coronárias. O erro está na localização: a complicação clássica da arterite de células gigantes é o aneurisma de aorta, não de artérias coronárias. O aneurisma de artérias coronárias é uma complicação característica da doença de Kawasaki, uma vasculite de médios vasos que acomete principalmente crianças. A banca trocou a complicação de uma vasculite pela outra.