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Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2026

MedicinaAngiologia
Código
qg693732
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Vascular
O Aneurisma da Aorta Abdominal (AAA) é o aneurisma aórtico mais frequente. Sobre o tema, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AO tratamento endovascular para o aneurisma roto apresenta altas taxas de sucesso, com menor mortalidade e morbidade perioperatória em comparação com o reparo aberto.
  2. BDe acordo com o estudo EUROSTAR, o endoleak do tipo II, pós-reparo endovascular, não apresentou associação com risco de ruptura.
  3. CO uso de endoprótese aórtica com sistema de baixo perfil reduz o risco de oclusão de membros no pós-procedimento.
  4. DEndopróteses com fixação suprarrenal (free flow) não apresentam aumento na taxa de perda de função renal pós-procedimento.
  5. EOs principais preditores de degeneração futura do colo proximal no momento do reparo são aneurismas grandes, colo largo do aneurisma e a presença de trombos circunferenciais.
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GabaritoC — O uso de endoprótese aórtica com sistema de baixo perfil reduz o risco de oclusão de membros no pós-procedimento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aneurisma da Aorta Abdominal (AAA): tratamento endovascular e endopróteses

Gabarito: letra C. A alternativa incorreta é a que afirma que o uso de endoprótese aórtica com sistema de baixo perfil reduz o risco de oclusão de membros no pós-procedimento — na verdade, o baixo perfil está associado a menor risco de complicações de acesso vascular (como lesão de artéria femoral), e não diretamente à oclusão de membros. As demais alternativas estão corretas, incluindo a letra D, que afirma que endopróteses com fixação suprarrenal não aumentam a taxa de perda de função renal pós-procedimento.

O Aneurisma da Aorta Abdominal (AAA) é a dilatação focal da aorta abdominal, definida como diâmetro ≥ 3 cm ou 1,5 vez o diâmetro normal esperado. É o aneurisma aórtico mais frequente, ocorrendo mais comumente entre a sexta e sétima décadas de vida, com incidência quatro vezes maior em homens. A aterosclerose é o fator associado em mais de 90% dos casos, e cerca de 90% dos AAAs localizam-se abaixo das artérias renais (infrarrenal).

O tratamento do AAA pode ser realizado por reparo aberto (cirurgia convencional) ou por reparo endovascular (EVAR — endovascular aneurysm repair). O EVAR oferece menor mortalidade perioperatória e menor morbidade em comparação ao reparo aberto, com sobrevida equivalente a longo prazo. No caso de aneurisma roto, o tratamento endovascular também apresenta altas taxas de sucesso, com menor mortalidade e morbidade perioperatória em relação ao reparo aberto — o que torna a alternativa A correta.

O endoleak é uma complicação específica do reparo endovascular, definido como a persistência de fluxo sanguíneo no saco aneurismático após a exclusão do aneurisma pela endoprótese. Os endoleaks são classificados em tipos I a V, conforme a origem do fluxo. O endoleak do tipo II é aquele em que o fluxo provém de ramos colaterais (como artéria lombar ou mesentérica inferior) que perfundem o saco aneurismático de forma retrógrada. O estudo EUROSTAR, um registro europeu multicêntrico de pacientes submetidos a EVAR, demonstrou que o endoleak do tipo II não apresentou associação com risco de ruptura — o que torna a alternativa B correta.

As endopróteses aórticas podem ser classificadas quanto ao perfil do sistema de entrega (baixo perfil vs. perfil padrão) e quanto ao tipo de fixação (infrarrenal vs. suprarrenal). O sistema de baixo perfil refere-se a endopróteses com diâmetro menor do introdutor (sheath), o que facilita o acesso vascular percutâneo e reduz o risco de complicações no local de punção, como lesão arterial, hematoma, pseudoaneurisma e dissecção. No entanto, o baixo perfil não está diretamente relacionado à redução do risco de oclusão de membros — que é uma complicação mais associada à kinking, torção ou trombose dos ramos da endoprótese (pernas do dispositivo), e não ao calibre do sistema de entrega. Portanto, a alternativa C é a incorreta.

A fixação suprarrenal (free flow) refere-se a endopróteses cuja porção proximal (com stent) se estende acima das artérias renais, permitindo uma zona de selamento mais longa e melhor fixação em colos proximais adversos. Estudos demonstraram que a fixação suprarrenal não apresenta aumento na taxa de perda de função renal pós-procedimento, desde que o posicionamento seja adequado e não haja obstrução das artérias renais — o que torna a alternativa D correta.

Os preditores de degeneração futura do colo proximal (a região da aorta entre as artérias renais e o início do aneurisma) no momento do reparo são fatores que influenciam a durabilidade do selamento proximal e o risco de endoleak tipo I tardio. Entre esses preditores, destacam-se: aneurismas grandes (diâmetro > 5,5 cm), colo largo do aneurisma (diâmetro > 28 mm) e a presença de trombos circunferenciais no colo proximal. Esses fatores estão associados a maior risco de dilatação progressiva do colo e migração da endoprótese — o que torna a alternativa E correta.

A pegadinha desta questão está na alternativa C: a banca troca o benefício do sistema de baixo perfil (redução de complicações de acesso vascular) por um benefício que não lhe é atribuído (redução de oclusão de membros). O candidato que confunde os conceitos de "baixo perfil" e "fixação suprarrenal" pode marcar a alternativa D como incorreta, mas ela está correta. A alternativa C é a única que apresenta uma afirmação falsa.

Característica

Sistema de baixo perfil

Fixação suprarrenal (free flow)

Principal benefício

Redução de complicações de acesso vascular (lesão de artéria femoral, hematoma, pseudoaneurisma)

Melhor fixação e selamento proximal em colos adversos

Relação com oclusão de membros

Não reduz diretamente o risco de oclusão de membros (associada a kinking, torção ou trombose dos ramos)

Não se aplica diretamente

Efeito sobre a função renal

Não se aplica diretamente

Não aumenta a taxa de perda de função renal pós-procedimento

Endoprótese aórtica
  • 1Sistema de baixo perfil
    • Menor introdutor (sheath)
    • Reduz complicações de acesso vascular
    • Não reduz oclusão de membros
  • 2Fixação suprarrenal (free flow)
    • Stent acima das artérias renais
    • Sem aumento de perda de função renal
  • 3Endoleak tipo II
    • Fluxo retrógrado de colaterais
    • Sem risco de ruptura (EUROSTAR)
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Alternativa A — ✅ Correta

A alternativa afirma que o tratamento endovascular para o aneurisma roto apresenta altas taxas de sucesso, com menor mortalidade e morbidade perioperatória em comparação com o reparo aberto. Isso está correto: o EVAR, mesmo no cenário de ruptura, demonstrou em estudos observacionais e registros (como o IMPROVE trial) menor mortalidade perioperatória e menor morbidade em comparação ao reparo aberto, embora a sobrevida a longo prazo seja semelhante. A alternativa está correta.

Alternativa B — ✅ Correta

A alternativa afirma que, de acordo com o estudo EUROSTAR, o endoleak do tipo II, pós-reparo endovascular, não apresentou associação com risco de ruptura. Isso está correto: o registro EUROSTAR, que acompanhou pacientes submetidos a EVAR, demonstrou que o endoleak do tipo II (fluxo retrógrado de ramos colaterais) não está associado a risco aumentado de ruptura do aneurisma, sendo geralmente manejado conservadoramente, com vigilância por imagem. A alternativa está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o uso de endoprótese aórtica com sistema de baixo perfil reduz o risco de oclusão de membros no pós-procedimento. Isso está incorreto: o sistema de baixo perfil refere-se ao menor diâmetro do introdutor, o que reduz o risco de complicações de acesso vascular (lesão arterial, hematoma, pseudoaneurisma, dissecção), mas não está diretamente relacionado à redução do risco de oclusão de membros. A oclusão de membros (pernas da endoprótese) está mais associada a fatores como kinking, torção, trombose, diâmetro inadequado do ramo ou doença oclusiva distal. Portanto, a alternativa é a incorreta pedida pela questão.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa afirma que endopróteses com fixação suprarrenal (free flow) não apresentam aumento na taxa de perda de função renal pós-procedimento. Isso está correto: a fixação suprarrenal, que se estende acima das artérias renais, não demonstrou aumento significativo na taxa de perda de função renal pós-procedimento, desde que o posicionamento seja adequado e não haja obstrução das artérias renais. Estudos comparativos entre fixação infrarrenal e suprarrenal não mostraram diferença significativa na função renal. A alternativa está correta.

Alternativa E — ✅ Correta

A alternativa afirma que os principais preditores de degeneração futura do colo proximal no momento do reparo são aneurismas grandes, colo largo do aneurisma e a presença de trombos circunferenciais. Isso está correto: esses fatores estão associados a maior risco de dilatação progressiva do colo proximal, migração da endoprótese e endoleak tipo I tardio. Aneurismas grandes (> 5,5 cm), colo largo (> 28 mm) e trombos circunferenciais são reconhecidos como preditores de degeneração do colo proximal. A alternativa está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o benefício do sistema de baixo perfil (redução de complicações de acesso vascular) por um benefício que não lhe é atribuído (redução de oclusão de membros). O candidato que confunde "baixo perfil" com "fixação suprarrenal" pode marcar a alternativa D como incorreta, mas ela está correta. A alternativa C é a única que apresenta uma afirmação falsa.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre endopróteses aórticas, lembre-se: baixo perfil = menor introdutor = menos complicações de acesso vascular; fixação suprarrenal = stent acima das artérias renais = sem aumento de perda de função renal; endoleak tipo II = fluxo retrógrado de colaterais = sem risco de ruptura (EUROSTAR).

Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois o sistema de baixo perfil reduz complicações de acesso vascular, não o risco de oclusão de membros.

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