Questão de Medicina — Genética Médica — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693762
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Genética Médica
- ACAG.
- BCTG.
- CCGG.
- DGAA.
- EAGT.
GabaritoC — CGG.
Gabarito: letra C. A síndrome do X frágil é causada pela expansão da repetição do trinucleotídeo CGG no gene FMR1, localizado no cromossomo X. Essa expansão leva ao silenciamento do gene e à perda da proteína FMRP, resultando em deficiência intelectual. As demais alternativas correspondem a outras doenças de expansão de trinucleotídeos, como a doença de Huntington (CAG), a distrofia miotônica (CTG) e a ataxia de Friedreich (GAA).
A síndrome do X frágil é a causa monogênica mais comum de déficit cognitivo herdado. O gene FMR1, em condições normais, contém entre 6 e 44 repetições do trinucleotídeo CGG. Quando essas repetições se expandem para mais de 200, ocorre hipermetilação da região promotora e silenciamento da transcrição do gene, com consequente ausência da proteína FMRP, essencial para o desenvolvimento cerebral. Essa proteína atua na regulação da tradução de mRNAs sinápticos, e sua ausência compromete a plasticidade sináptica e a maturação neuronal.
A apresentação clínica é mais grave em meninos, que apresentam deficiência intelectual moderada a grave, fácies típica (face longa e estreita, orelhas proeminentes, macrocefalia relativa), macro-orquidia puberal, hipermobilidade articular e hipotonia. Meninas, por serem heterozigotas, geralmente têm fenótipos mais leves. Cerca de 30% dos meninos e 25% das meninas com X frágil têm diagnóstico concomitante de autismo, e há associação frequente com TDAH, ansiedade e epilepsia.
A expansão de trinucleotídeos é um mecanismo mutacional dinâmico, que pode se expandir entre gerações, fenômeno conhecido como antecipação. No X frágil, a pré-mutação (55 a 200 repetições) pode se expandir para mutação completa (>200 repetições) quando transmitida pela mãe, devido à instabilidade da repetição durante a meiose feminina. Indivíduos com pré-mutação podem desenvolver a síndrome de tremor/ataxia associada ao X frágil (STAXF) na idade adulta, uma doença neurodegenerativa de início tardio.
É importante distinguir a síndrome do X frágil de outras doenças por expansão de trinucleotídeos, pois cada uma tem um trinucleotídeo específico e um mecanismo patogênico próprio. A tabela abaixo resume as principais:
Doença | Trinucleotídeo | Gene | Mecanismo |
|---|---|---|---|
X frágil | CGG | FMR1 | Silenciamento gênico (perda de função) |
Huntington | CAG | HTT | Ganho de função tóxica (proteína mutante) |
Distrofia miotônica | CTG | DMPK | Ganho de função do RNA (sequestro de proteínas) |
Ataxia de Friedreich | GAA | FXN | Silenciamento gênico (perda de função) |
A pegadinha da banca está em oferecer trinucleotídeos que são característicos de outras doenças, testando se o candidato conhece a associação específica. O CGG é o único que se liga ao gene FMR1 e à síndrome do X frágil.
A expansão CAG é característica da doença de Huntington, uma doença neurodegenerativa autossômica dominante causada por expansão de CAG no gene HTT. A proteína huntingtina mutante ganha função tóxica, formando agregados neuronais. Não há relação com o gene FMR1.
A expansão CTG é característica da distrofia miotônica tipo 1, causada por expansão de CTG no gene DMPK. O mecanismo envolve ganho de função do RNA, que sequestra proteínas de splicing. Não se relaciona com a síndrome do X frágil.
A síndrome do X frágil é causada pela expansão do trinucleotídeo CGG no gene FMR1. O gene normal tem de 6 a 44 repetições; a pré-mutação tem de 55 a 200; e a mutação completa tem mais de 200 repetições, levando ao silenciamento do gene e à perda da proteína FMRP. Essa é a associação clássica cobrada em provas de genética médica.
A expansão GAA é característica da ataxia de Friedreich, uma doença autossômica recessiva causada por expansão de GAA no gene FXN, localizado no cromossomo 9. O mecanismo é de silenciamento gênico, com perda da proteína frataxina, levando a ataxia, miocardiopatia e diabetes. Não se relaciona com o X frágil.
AGT não é um trinucleotídeo associado a nenhuma doença de expansão conhecida. As expansões patogênicas mais comuns são CAG, CTG, CGG e GAA. A banca incluiu essa alternativa como distrator, mas ela não corresponde a nenhum mecanismo de expansão de trinucleotídeos descrito.
A banca troca os trinucleotídeos entre doenças de expansão. O candidato que decora apenas "expansão de trinucleotídeo" sem associar o trinucleotídeo específico a cada doença pode confundir CAG (Huntington) ou CTG (distrofia miotônica) com o X frágil. A dica é memorizar a tabela de associações: X frágil = CGG, Huntington = CAG, distrofia miotônica = CTG, Friedreich = GAA. Com esse mapa, a questão fica resolvida em segundos.
Gabarito: letra C
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