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Questão de Medicina — Genética Médica — FUNDATEC 2026

MedicinaGenética Médica
Código
qg693762
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Genética Médica
A síndrome do X frágil é uma causa importante de deficiência intelectual. O mecanismo patogênico da síndrome do X frágil se dá por meio da expansão de qual trinucleotídeo no gene FMR1?
  1. ACAG.
  2. BCTG.
  3. CCGG.
  4. DGAA.
  5. EAGT.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — CGG.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do X frágil: expansão de trinucleotídeo no gene FMR1

Gabarito: letra C. A síndrome do X frágil é causada pela expansão da repetição do trinucleotídeo CGG no gene FMR1, localizado no cromossomo X. Essa expansão leva ao silenciamento do gene e à perda da proteína FMRP, resultando em deficiência intelectual. As demais alternativas correspondem a outras doenças de expansão de trinucleotídeos, como a doença de Huntington (CAG), a distrofia miotônica (CTG) e a ataxia de Friedreich (GAA).

A síndrome do X frágil é a causa monogênica mais comum de déficit cognitivo herdado. O gene FMR1, em condições normais, contém entre 6 e 44 repetições do trinucleotídeo CGG. Quando essas repetições se expandem para mais de 200, ocorre hipermetilação da região promotora e silenciamento da transcrição do gene, com consequente ausência da proteína FMRP, essencial para o desenvolvimento cerebral. Essa proteína atua na regulação da tradução de mRNAs sinápticos, e sua ausência compromete a plasticidade sináptica e a maturação neuronal.

A apresentação clínica é mais grave em meninos, que apresentam deficiência intelectual moderada a grave, fácies típica (face longa e estreita, orelhas proeminentes, macrocefalia relativa), macro-orquidia puberal, hipermobilidade articular e hipotonia. Meninas, por serem heterozigotas, geralmente têm fenótipos mais leves. Cerca de 30% dos meninos e 25% das meninas com X frágil têm diagnóstico concomitante de autismo, e há associação frequente com TDAH, ansiedade e epilepsia.

A expansão de trinucleotídeos é um mecanismo mutacional dinâmico, que pode se expandir entre gerações, fenômeno conhecido como antecipação. No X frágil, a pré-mutação (55 a 200 repetições) pode se expandir para mutação completa (>200 repetições) quando transmitida pela mãe, devido à instabilidade da repetição durante a meiose feminina. Indivíduos com pré-mutação podem desenvolver a síndrome de tremor/ataxia associada ao X frágil (STAXF) na idade adulta, uma doença neurodegenerativa de início tardio.

É importante distinguir a síndrome do X frágil de outras doenças por expansão de trinucleotídeos, pois cada uma tem um trinucleotídeo específico e um mecanismo patogênico próprio. A tabela abaixo resume as principais:

Doença

Trinucleotídeo

Gene

Mecanismo

X frágil

CGG

FMR1

Silenciamento gênico (perda de função)

Huntington

CAG

HTT

Ganho de função tóxica (proteína mutante)

Distrofia miotônica

CTG

DMPK

Ganho de função do RNA (sequestro de proteínas)

Ataxia de Friedreich

GAA

FXN

Silenciamento gênico (perda de função)

A pegadinha da banca está em oferecer trinucleotídeos que são característicos de outras doenças, testando se o candidato conhece a associação específica. O CGG é o único que se liga ao gene FMR1 e à síndrome do X frágil.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A expansão CAG é característica da doença de Huntington, uma doença neurodegenerativa autossômica dominante causada por expansão de CAG no gene HTT. A proteína huntingtina mutante ganha função tóxica, formando agregados neuronais. Não há relação com o gene FMR1.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A expansão CTG é característica da distrofia miotônica tipo 1, causada por expansão de CTG no gene DMPK. O mecanismo envolve ganho de função do RNA, que sequestra proteínas de splicing. Não se relaciona com a síndrome do X frágil.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome do X frágil é causada pela expansão do trinucleotídeo CGG no gene FMR1. O gene normal tem de 6 a 44 repetições; a pré-mutação tem de 55 a 200; e a mutação completa tem mais de 200 repetições, levando ao silenciamento do gene e à perda da proteína FMRP. Essa é a associação clássica cobrada em provas de genética médica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A expansão GAA é característica da ataxia de Friedreich, uma doença autossômica recessiva causada por expansão de GAA no gene FXN, localizado no cromossomo 9. O mecanismo é de silenciamento gênico, com perda da proteína frataxina, levando a ataxia, miocardiopatia e diabetes. Não se relaciona com o X frágil.

Alternativa E — ❌ Incorreta

AGT não é um trinucleotídeo associado a nenhuma doença de expansão conhecida. As expansões patogênicas mais comuns são CAG, CTG, CGG e GAA. A banca incluiu essa alternativa como distrator, mas ela não corresponde a nenhum mecanismo de expansão de trinucleotídeos descrito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os trinucleotídeos entre doenças de expansão. O candidato que decora apenas "expansão de trinucleotídeo" sem associar o trinucleotídeo específico a cada doença pode confundir CAG (Huntington) ou CTG (distrofia miotônica) com o X frágil. A dica é memorizar a tabela de associações: X frágil = CGG, Huntington = CAG, distrofia miotônica = CTG, Friedreich = GAA. Com esse mapa, a questão fica resolvida em segundos.

Gabarito: letra C

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