Homem, 79 anos, com DPOC moderada e osteoartrose de joelhos, apresenta perda progressiva de força muscular e dificuldade para levantar da cadeira e subir escadas. Relata ingestão proteica inadequada e redução de atividade física nos últimos anos. Avaliação mostra baixa força de preensão manual, desempenho reduzido no teste de sentar-levantar e massa muscular apendicular abaixo do ponto de corte para sexo e idade. À luz dos consensos atuais (European Working Group on Sarcopenia in Older People – EWGSOP2), assinale a alternativa correta sobre a sarcopenia.
AO diagnóstico de sarcopenia baseia-se exclusivamente na redução da massa muscular, sendo opcional a avaliação de força.
BA sarcopenia é uma consequência inevitável do envelhecimento e não está associada a aumento de morbimortalidade.
CA redução da força muscular é o principal critério para o diagnóstico inicial de sarcopenia, devendo ser confirmada pela avaliação da massa muscular.
DO tratamento da sarcopenia deve priorizar a suplementação proteica, pois o exercício resistido é de benefício limitado em idosos.
EA sarcopenia só deve ser investigada em idosos institucionalizados ou acamados, visto que idosos provenientes da comunidade não se beneficiam de rastreio.
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GabaritoC — A redução da força muscular é o principal critério para o diagnóstico inicial de sarcopenia, devendo ser confirmada pela avaliação da massa muscular.
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Sarcopenia: diagnóstico e manejo pelo EWGSOP2
Gabarito: letra C. No consenso EWGSOP2, a baixa força muscular é o principal parâmetro para o diagnóstico inicial (caso provável) de sarcopenia, e a confirmação se dá pela quantidade/qualidade da massa muscular — exatamente o que a alternativa C afirma. A força muscular é o preditor mais forte de desfechos adversos, e o diagnóstico não se baseia exclusivamente na massa, como diz a alternativa A.
A sarcopenia é uma síndrome geriátrica caracterizada pela perda progressiva e generalizada de massa e força muscular esquelética, associada a desfechos adversos como quedas, fraturas, incapacidade física e mortalidade. O consenso EWGSOP2 (2018) atualizou o conceito anterior (EWGSOP1, 2010), que colocava a baixa massa muscular como critério central. A mudança de paradigma é importante: como a força muscular é mais fácil de medir e prediz melhor os desfechos, ela passou a ser o gatilho diagnóstico.
O fluxo diagnóstico proposto pelo EWGSOP2 é o seguinte: primeiro, identifica-se o paciente de risco (idosos, doenças crônicas, desnutrição, imobilização). Em seguida, aplica-se o teste de rastreio (questionário SARC-F ou a circunferência da panturrilha). Se o rastreio for positivo, avalia-se a força muscular (preensão palmar ou teste de sentar-levantar). Se a força estiver reduzida, o paciente tem sarcopenia provável — e aí se confirma o diagnóstico medindo a massa muscular (DEXA, bioimpedância ou antropometria). Se a massa estiver baixa, o diagnóstico é confirmado. A gravidade é definida pelo desempenho físico (velocidade de marcha, TUG, SPPB).
No caso clínico do enunciado, o paciente de 79 anos com DPOC e osteoartrose apresenta exatamente o perfil: perda de força (dificuldade para levantar da cadeira e subir escadas), baixa força de preensão manual, desempenho reduzido no teste de sentar-levantar e massa muscular apendicular abaixo do ponto de corte. Isso configura sarcopenia provável (pela força) confirmada pela massa muscular.
O tratamento da sarcopenia é multimodal, mas o exercício resistido (treinamento de força) é a intervenção mais eficaz, com benefício comprovado no aumento de massa e força muscular. A suplementação proteica é coadjuvante — importante, mas não substitui o exercício. A alternativa D inverte essa hierarquia.
A sarcopenia não é consequência inevitável do envelhecimento: embora haja declínio fisiológico da massa muscular com a idade (cerca de 1-2% ao ano após os 50 anos), a sarcopenia é uma condição patológica que pode ser prevenida e tratada. E o rastreio deve ser feito em todos os idosos, inclusive os da comunidade, não apenas institucionalizados ou acamados.
A pegadinha central desta questão é a inversão da hierarquia diagnóstica: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a massa muscular é o critério principal (como no consenso antigo), quando o EWGSOP2 prioriza a força. Guarde o fluxo: força → massa → desempenho físico.
1Rastreio (SARC-F / panturrilha)
2Força muscular (preensão / sentar-levantar)
3Massa muscular (DEXA / bioimpedância)
4Desempenho físico (marcha / SPPB)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o diagnóstico se baseia exclusivamente na redução da massa muscular, sendo a avaliação de força opcional. Isso contraria frontalmente o EWGSOP2, que estabelece a baixa força muscular como principal critério diagnóstico inicial (sarcopenia provável), com a massa muscular servindo para confirmar o diagnóstico. A força é o parâmetro mais fortemente associado a desfechos adversos e o primeiro a ser avaliado na prática clínica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a sarcopenia é consequência inevitável do envelhecimento e que não está associada a aumento de morbimortalidade. Duplo erro: (1) embora haja declínio fisiológico da massa muscular com a idade, a sarcopenia é uma condição patológica modificável, não inevitável — fatores como inatividade, desnutrição e doenças crônicas contribuem, e a intervenção precoce pode reverter ou retardar o quadro; (2) a sarcopenia está fortemente associada a quedas, fraturas, incapacidade, hospitalização e mortalidade.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Espelha exatamente o algoritmo do EWGSOP2: a redução da força muscular é o principal critério para o diagnóstico inicial (sarcopenia provável), e a confirmação vem da avaliação da massa muscular (quantidade/qualidade). O caso clínico ilustra isso: o paciente tem baixa força de preensão manual e desempenho reduzido no teste de sentar-levantar (força), e massa muscular apendicular abaixo do ponto de corte (massa) — configurando sarcopenia confirmada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento deve priorizar a suplementação proteica, pois o exercício resistido teria benefício limitado em idosos. É o oposto: o exercício resistido (treinamento de força) é a intervenção mais eficaz para sarcopenia, com aumento comprovado de massa e força muscular mesmo em idosos muito velhos e frágeis. A suplementação proteica é um adjuvante importante (especialmente quando a ingestão é inadequada, como no caso), mas não substitui o exercício.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a sarcopenia só deve ser investigada em idosos institucionalizados ou acamados, pois idosos da comunidade não se beneficiariam de rastreio. Errado: o rastreio de sarcopenia é recomendado para todos os idosos, incluindo os da comunidade, especialmente aqueles com fatores de risco (doenças crônicas, perda de peso, redução de atividade física). A identificação precoce permite intervenção antes da instalação de incapacidade.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de sarcopenia, memorize o fluxo do EWGSOP2: rastreio (SARC-F/circunferência da panturrilha) → força muscular (preensão palmar/sentar-levantar) → massa muscular (DEXA/bioimpedância) → desempenho físico (velocidade de marcha/SPPB). A força é o gatilho; a massa confirma; o desempenho classifica a gravidade. Se a alternativa inverter essa ordem, está errada.