Homem, 84 anos, fototipo II, agricultor aposentado, com história de exposição solar ocupacional intensa desde a infância, procura atendimento por lesão em região malar direita, de crescimento lento há cerca de 18 meses. Ao exame, observa-se placa eritematosa infiltrada, mal delimitada, com áreas de ulceração superficial e crostas, medindo aproximadamente 3,5 cm, associada a parestesia local. O paciente é funcionalmente independente, porém apresenta fragilidade leve (CFS=4) e múltiplas comorbidades controladas. Considerando o quadro clínico, os aspectos epidemiológicos do câncer de pele no idoso e os princípios da oncogeriatria, assinale a alternativa correta.
AO carcinoma basocelular é o diagnóstico mais provável e, pela raridade de metástases, a presença de sintomas neurológicos locais não altera conduta nem prognóstico.
BA presença de parestesia e bordas mal definidas sugere invasão perineural, achado associado a maior risco de recorrência e pior prognóstico, sendo mais frequentemente observado em carcinomas espinocelulares do idoso.
CEm idosos com fragilidade leve, a confirmação histopatológica pode ser dispensada se a lesão for clinicamente compatível com câncer de pele não melanoma, priorizando-se tratamento tópico empírico.
DA radioterapia está formalmente contraindicada no manejo de neoplasias cutâneas do idoso devido ao risco elevado de necrose tecidual e pior cicatrização nessa faixa etária.
EO melanoma cutâneo em idosos apresenta comportamento biologicamente menos agressivo, sendo o crescimento lento e a apresentação ulcerada marcadores de baixo risco.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — A presença de parestesia e bordas mal definidas sugere invasão perineural, achado associado a maior risco de recorrência e pior prognóstico, sendo mais frequentemente observado em carcinomas espinocelulares do idoso.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Câncer de pele no idoso: carcinoma espinocelular e invasão perineural
Gabarito: letra B. A presença de parestesia e bordas mal definidas em uma lesão cutânea de crescimento lento em região malar sugere fortemente invasão perineural, achado que confere maior risco de recorrência e pior prognóstico, sendo mais característico do carcinoma espinocelular (epidermoide) do que do carcinoma basocelular. Essa é a leitura correta do quadro clínico apresentado, que combina os aspectos epidemiológicos do câncer de pele no idoso com os princípios da oncogeriatria.
O carcinoma espinocelular (CEC), também chamado de carcinoma epidermoide, é a segunda neoplasia maligna de pele mais frequente, originada dos queratinócitos epidérmicos suprabasais. Diferentemente do carcinoma basocelular (CBC), que surge "de novo", o CEC costuma se desenvolver a partir de lesões precursoras, como ceratoses actínicas, e está fortemente associado ao acúmulo de radiação ultravioleta ao longo da vida — exatamente o perfil do paciente do caso: agricultor aposentado, fototipo II, com exposição solar ocupacional intensa desde a infância. Essa exposição cumulativa explica por que o CEC é tão prevalente em idosos, especialmente em áreas fotoexpostas como a face.
A apresentação clínica descrita — placa eritematosa infiltrada, mal delimitada, com ulceração superficial e crostas — é compatível com um CEC infiltrativo. O dado crucial do enunciado é a parestesia local, que é um sinal de alerta para invasão perineural. A invasão perineural ocorre quando o tumor se dissemina ao longo dos nervos, e está associada a maior taxa de recorrência local, maior risco de metástases e pior prognóstico. Embora possa ocorrer em ambos os tipos de câncer de pele não melanoma, é significativamente mais frequente no carcinoma espinocelular, especialmente em tumores de maior tamanho, localizados na face (região malar, nariz, lábios) e em pacientes idosos.
Na oncogeriatria, a avaliação do idoso com câncer vai além do estadiamento tumoral: considera-se a fragilidade (CFS=4, fragilidade leve), as comorbidades e a funcionalidade para decidir a conduta. No caso, o paciente é funcionalmente independente e tem fragilidade leve, o que o torna candidato a tratamento curativo, como a excisão cirúrgica com margens adequadas. A confirmação histopatológica é sempre necessária antes de qualquer tratamento definitivo — não se trata empiricamente uma lesão suspeita sem biópsia, mesmo em idosos. A radioterapia, por sua vez, não é formalmente contraindicada no idoso; pode ser uma opção em casos selecionados, como alternativa à cirurgia ou como adjuvante, desde que avaliados os riscos e benefícios individualmente.
A pegadinha central desta questão está na tentativa de minimizar a importância dos sintomas neurológicos locais (alternativa A) e de atribuir ao melanoma um comportamento menos agressivo no idoso (alternativa E), quando na verdade o melanoma em idosos tende a ser mais agressivo. A alternativa B é a única que reconhece corretamente o significado da parestesia e das bordas mal definidas como indicativos de invasão perineural, um marcador de pior prognóstico, especialmente no carcinoma espinocelular. Guarde essa associação: parestesia + bordas mal definidas + lesão infiltrativa = pensar em invasão perineural, típica do CEC.
Critério
Carcinoma Espinocelular (CEC)
Carcinoma Basocelular (CBC)
Origem
Queratinócitos suprabasais
Células basais da epiderme
Lesão precursora
Ceratose actínica (frequente)
Geralmente "de novo"
Invasão perineural
Mais frequente (parestesia, bordas mal definidas)
Rara
Prognóstico
Pior (maior recorrência e metástase)
Melhor (raramente metastatiza)
Sinais de invasão perineural
1Parestesia local
2Bordas mal definidas
3Lesão infiltrativa
4Carcinoma espinocelular
2ª neoplasia de pele mais comum
Origem: queratinócitos suprabasais
Forte associação com exposição solar crônica
Mais frequente em idosos
5Fatores de pior prognóstico
Invasão perineural
Maior risco de recorrência
Maior risco de metástases
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
O carcinoma basocelular é, de fato, o câncer de pele mais comum, mas a presença de sintomas neurológicos locais (parestesia) altera sim a conduta e o prognóstico. A parestesia é um sinal de invasão perineural, que confere maior risco de recorrência e metástases, mesmo em tumores que raramente metastatizam, como o CBC. A alternativa erra ao afirmar que a parestesia "não altera conduta nem prognóstico" — ela é justamente um sinal de alerta que deve ser investigado e considerado no planejamento terapêutico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao associar parestesia e bordas mal definidas à invasão perineural, achado que confere maior risco de recorrência e pior prognóstico. Essa apresentação é mais frequentemente observada em carcinomas espinocelulares do que em basocelulares, especialmente em idosos com história de exposição solar crônica. A invasão perineural é um fator de risco independente para recorrência e metástase, e sua presença deve ser considerada na decisão terapêutica, podendo indicar cirurgia mais ampla, radioterapia adjuvante ou acompanhamento mais rigoroso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A confirmação histopatológica não pode ser dispensada em nenhum caso de lesão suspeita de câncer de pele, mesmo em idosos com fragilidade leve. O tratamento tópico empírico, sem biópsia prévia, é inadequado e pode mascarar um tumor mais agressivo, como um CEC infiltrativo ou um melanoma. A biópsia é essencial para confirmar o diagnóstico, avaliar o tipo histológico, a profundidade e a presença de invasão perineural, informações fundamentais para o planejamento terapêutico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A radioterapia não é formalmente contraindicada no manejo de neoplasias cutâneas do idoso. Embora a cicatrização possa ser mais lenta e o risco de complicações seja maior em alguns casos, a radioterapia pode ser uma opção válida em situações específicas, como tumores inoperáveis, recidivas ou como adjuvante após cirurgia de alto risco. A decisão deve ser individualizada, considerando a fragilidade, as comorbidades e a expectativa de vida, mas não há contraindicação absoluta baseada apenas na idade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O melanoma cutâneo em idosos não apresenta comportamento biologicamente menos agressivo; pelo contrário, tende a ser mais agressivo nessa faixa etária, com maior espessura ao diagnóstico e pior prognóstico. O crescimento lento e a ulceração não são marcadores de baixo risco — a ulceração, na verdade, é um fator de pior prognóstico no melanoma, associada a maior taxa de metástases. A alternativa inverte completamente a realidade clínica.