Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693767
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Geriatria
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas I e II.
Gabarito: letra D. Estão corretas as assertivas I e II: o planejamento da alta deve começar na admissão, com identificação precoce de fragilidade e necessidades sociais, e falhas de comunicação entre equipe, atenção primária, cuidadores e família são fatores independentes de readmissão precoce. A assertiva III está incorreta, pois a inexistência de rede assistencial estruturada no território impacta significativamente o risco de reinternações, mesmo com estabilidade clínica na alta — a continuidade do cuidado é determinante no desfecho do idoso frágil.
O idoso frágil é definido como aquele com aumento da vulnerabilidade e diminuição da capacidade de manter a homeostase, com acentuada redução da reserva funcional em múltiplos sistemas. Essa condição confere pior prognóstico, maior risco de quedas, reações adversas a medicamentos e maior probabilidade de readmissão na emergência. Por isso, a alta hospitalar desse paciente não pode ser tratada como um evento pontual, mas como um processo que começa na admissão e se estende para além dos muros do hospital.
O planejamento precoce da alta é um dos pilares da geriatria moderna. Identificar fragilidade, necessidades sociais e demandas de continuidade do cuidado já na internação permite organizar a transição do cuidado de forma segura. Isso envolve avaliar a capacidade funcional, o suporte familiar, as condições da moradia, a disponibilidade de cuidadores e a necessidade de acompanhamento pela atenção primária. Quanto mais cedo esse processo se inicia, mais tempo há para articular os recursos necessários e evitar alta precipitada ou desassistida.
A comunicação entre os atores envolvidos é outro fator crítico. Estudos mostram que falhas na transferência de informações entre a equipe hospitalar, a atenção primária, os cuidadores e a família são fatores independentes associados a maior risco de readmissão hospitalar precoce. A ausência de um resumo de alta adequado, a não comunicação de mudanças de medicação, a falta de agendamento de retorno e a não orientação sobre sinais de alarme são exemplos de falhas que comprometem a continuidade do cuidado e levam a desfechos adversos.
A rede assistencial estruturada no território é um componente essencial para o sucesso da alta do idoso frágil. A inexistência de serviços de atenção primária acessíveis, de programas de reabilitação, de suporte domiciliar e de retaguarda para intercorrências aumenta o risco de reinternações, independentemente da estabilidade clínica no momento da alta. O idoso frágil, mesmo clinicamente estável, pode descompensar rapidamente se não tiver acesso a acompanhamento e suporte adequados após a saída do hospital. A estabilidade clínica é necessária, mas não suficiente — a continuidade do cuidado é o que garante a manutenção dessa estabilidade.
A banca explora aqui a falsa premissa de que a estabilidade clínica na alta seria suficiente para evitar reinternações, desconsiderando que o idoso frágil depende de uma rede de suporte para manter sua condição. É exatamente essa a pegadinha da assertiva III: ela minimiza o impacto da ausência de rede assistencial, quando na verdade esse é um dos principais determinantes de readmissão. Guarde essa distinção: estabilidade clínica é condição necessária, mas não suficiente — a continuidade do cuidado é o que decide o desfecho.
O planejamento da alta deve ser iniciado ainda na admissão hospitalar. A identificação precoce de fragilidade, necessidades sociais e de continuidade do cuidado é recomendação central da geriatria. O idoso frágil, com sua vulnerabilidade aumentada, exige que a equipe antecipe as demandas pós-alta desde o primeiro dia de internação, permitindo articular recursos e evitar transições de cuidado mal planejadas. Essa assertiva está correta e reflete a prática baseada em evidências.
Falhas na comunicação entre a equipe hospitalar, a atenção primária, os cuidadores e a família são reconhecidamente fatores independentes associados a maior risco de readmissão hospitalar precoce. A transição do cuidado depende de uma transferência eficaz de informações: resumo de alta completo, reconciliação medicamentosa, orientações claras sobre sinais de alarme e agendamento de retorno. Quando essa comunicação falha, o paciente fica vulnerável a erros de medicação, falta de acompanhamento e descompensação — levando à reinternação. Assertiva correta.
A assertiva afirma que a inexistência de rede assistencial estruturada no território não impacta significativamente o risco de reinternações, desde que a condição clínica esteja estável na alta. Isso é falso. A estabilidade clínica é condição necessária, mas não suficiente para uma alta segura. O idoso frágil, mesmo estável, depende de acesso a atenção primária, reabilitação, suporte domiciliar e retaguarda para intercorrências. A ausência dessa rede aumenta o risco de readmissão, pois o paciente não tem onde buscar cuidado continuado e pode descompensar rapidamente. A banca tenta minimizar o impacto da rede assistencial, mas a evidência mostra o contrário: a continuidade do cuidado é determinante no desfecho.
Conclusão: corretas as assertivas I e II → gabarito: letra D.
Gabarito: letra D
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