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Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2026

MedicinaGeriatria
Código
qg693768
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
Em relação à prevenção e tratamento do câncer na população idosa, assinale a alternativa correta.
  1. AA AGA demonstrou redução consistente de mortalidade em oncogeriatria.
  2. BO risco de toxicidade quimioterápica decorre apenas de alterações farmacocinéticas, como redução da água corporal total.
  3. CFatores genéticos, comorbidades e tipo de tratamento oncológico influenciam o risco de comprometimento cognitivo associado à quimioterapia.
  4. DA decisão de interromper rastreamento oncológico deve basear-se na idade cronológica.
  5. EO câncer de próstata apresenta comportamento invariavelmente mais agressivo em idosos.
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GabaritoC — Fatores genéticos, comorbidades e tipo de tratamento oncológico influenciam o risco de comprometimento cognitivo associado à quimioterapia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oncogeriatria: prevenção e tratamento do câncer no idoso

Gabarito: letra C. O risco de comprometimento cognitivo associado à quimioterapia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, comorbidades e o tipo de tratamento oncológico — exatamente o que a alternativa C afirma. As demais alternativas contêm erros conceituais: a AGA (Avaliação Geriátrica Ampla) não demonstrou redução consistente de mortalidade, a toxicidade quimioterápica não decorre apenas de alterações farmacocinéticas, a decisão de interromper rastreamento não deve basear-se apenas na idade cronológica, e o câncer de próstata não é invariavelmente mais agressivo em idosos.

A oncogeriatria é a especialidade que integra os princípios da geriatria ao cuidado oncológico, reconhecendo que o envelhecimento é um processo heterogêneo e que a idade cronológica, isoladamente, é um péssimo preditor de desfechos. O idoso com câncer apresenta particularidades que exigem avaliação multidimensional: comorbidades, polifarmácia, estado funcional, cognição, suporte social e reserva fisiológica. É nesse contexto que a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) ganha destaque — ela é uma ferramenta estruturada para identificar vulnerabilidades que impactam o tratamento oncológico.

A AGA, porém, não é uma intervenção terapêutica em si; é um instrumento de avaliação e planejamento. Estudos observacionais sugerem que ela melhora a comunicação, identifica problemas não diagnosticados e pode influenciar decisões terapêuticas, mas não há evidência robusta de que, isoladamente, reduza mortalidade de forma consistente. A alternativa A erra ao atribuir à AGA um benefício de sobrevida que não está comprovado — ela é uma ferramenta de avaliação, não uma terapia que altera diretamente o desfecho de mortalidade.

A toxicidade quimioterápica no idoso é um fenômeno complexo. As alterações farmacocinéticas — como redução da água corporal total, diminuição da massa magra, alteração do metabolismo hepático e da excreção renal — são importantes, mas não são os únicos determinantes. A farmacodinâmica também muda com o envelhecimento: há maior sensibilidade dos tecidos aos efeitos dos fármacos, mesmo com concentrações plasmáticas normais. Além disso, fatores como comorbidades, polifarmácia, estado nutricional e reserva funcional influenciam diretamente a tolerância ao tratamento. A alternativa B, portanto, é reducionista ao atribuir a toxicidade apenas a alterações farmacocinéticas.

O comprometimento cognitivo associado à quimioterapia — popularmente chamado de "chemobrain" — é um fenômeno reconhecido, mas ainda pouco compreendido. A alternativa C está correta ao afirmar que fatores genéticos (como polimorfismos em genes relacionados à reparação do DNA e ao metabolismo de fármacos), comorbidades (como diabetes, hipertensão e doença vascular) e o tipo de tratamento oncológico (agente quimioterápico, dose, duração, combinação com outras modalidades) influenciam o risco. Essa multifatorialidade é o que torna o "chemobrain" um desafio clínico: não há um único fator preditor, e a avaliação cognitiva deve ser individualizada.

A decisão de interromper o rastreamento oncológico é um dos temas mais delicados da oncogeriatria. A idade cronológica, isoladamente, não deve ser o critério — o que importa é a expectativa de vida, o estado funcional, as comorbidades e as preferências do paciente. Diretrizes como as da American Geriatrics Society e do USPSTF recomendam que a decisão seja compartilhada e baseada na expectativa de vida e no risco-benefício individual. A alternativa D erra ao sugerir que a idade cronológica é o fator determinante.

O câncer de próstata é um exemplo clássico de como o comportamento tumoral varia com a idade. Em idosos, muitos tumores de próstata são indolentes, de crescimento lento, e podem nunca causar sintomas ou ameaçar a vida — daí a discussão sobre vigilância ativa em pacientes mais velhos. A alternativa E erra ao afirmar que o comportamento é "invariavelmente" mais agressivo em idosos; na verdade, o oposto é mais comum: tumores de próstata em idosos tendem a ser menos agressivos, embora existam exceções.

A pegadinha central desta questão é a generalização indevida: as alternativas A, B, D e E usam termos absolutos ou reducionistas ("demonstrou redução consistente", "apenas", "deve basear-se", "invariavelmente") que as tornam incorretas. A alternativa C, por sua vez, é a única que reconhece a complexidade multifatorial do fenômeno, sem cair em simplificações.

1AGA (Avaliação Geriátrica Ampla)
Ferramenta de avaliação multidimensional
Não reduz mortalidade de forma consistente
2Toxicidade quimioterápica
Farmacocinética (redução de água corporal, etc.)
Farmacodinâmica (maior sensibilidade tecidual)
Comorbidades, polifarmácia, estado nutricional
3Comprometimento cognitivo ("chemobrain")
Fatores genéticos
Comorbidades
Tipo de tratamento oncológico
4Rastreamento oncológico
Não se baseia só na idade cronológica
Expectativa de vida, estado funcional, preferências
5Câncer de próstata no idoso
Não é invariavelmente mais agressivo
Muitos são indolentes (vigilância ativa)
Oncogeriatria
LEVELsoulevel.com.br
Oncogeriatria: AGA (Avaliação Geriátrica Ampla) (Ferramenta de avaliação multidimensional, Não reduz mortalidade de forma consistente); Toxicidade quimioterápica (Farmacocinética (redução de água corporal, etc.), Farmacodinâmica (maior sensibilidade tecidual), Comorbidades, polifarmácia, estado nutricional); Comprometimento cognitivo ("chemobrain") (Fatores genéticos, Comorbidades, Tipo de tratamento oncológico); Rastreamento oncológico (Não se baseia só na idade cronológica, Expectativa de vida, estado funcional, preferências); Câncer de próstata no idoso (Não é invariavelmente mais agressivo, Muitos são indolentes (vigilância ativa))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A AGA (Avaliação Geriátrica Ampla) é uma ferramenta de avaliação multidimensional que identifica vulnerabilidades e orienta o plano de cuidado, mas não há evidência consistente de que ela reduza mortalidade em oncogeriatria. Estudos mostram benefícios em qualidade de vida, funcionalidade e comunicação, mas não em sobrevida. O erro está em atribuir à AGA um benefício de mortalidade que não está comprovado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A toxicidade quimioterápica no idoso não decorre apenas de alterações farmacocinéticas (como redução da água corporal total). Há também alterações farmacodinâmicas — maior sensibilidade dos tecidos aos fármacos — além de influência de comorbidades, polifarmácia, estado nutricional e reserva funcional. A palavra "apenas" torna a alternativa incorreta por ser reducionista.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O comprometimento cognitivo associado à quimioterapia ("chemobrain") é multifatorial. Fatores genéticos (polimorfismos em genes de reparo do DNA e metabolismo de fármacos), comorbidades (diabetes, hipertensão, doença vascular) e o tipo de tratamento oncológico (agente, dose, duração) influenciam o risco. A alternativa está correta ao reconhecer essa multifatorialidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A decisão de interromper o rastreamento oncológico não deve basear-se apenas na idade cronológica. O que importa é a expectativa de vida, o estado funcional, as comorbidades e as preferências do paciente. A decisão deve ser compartilhada e individualizada, não baseada em um número de anos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O câncer de próstata não apresenta comportamento "invariavelmente" mais agressivo em idosos. Na verdade, muitos tumores de próstata em idosos são indolentes e de crescimento lento, podendo ser manejados com vigilância ativa. A palavra "invariavelmente" torna a alternativa incorreta por generalização indevida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa termos absolutos e reducionistas para induzir ao erro: "demonstrou redução consistente" (A), "apenas" (B), "deve basear-se" (D) e "invariavelmente" (E). Na oncogeriatria, quase nada é absoluto — a regra é a individualização. Quando uma alternativa usar "sempre", "nunca", "apenas" ou "invariavelmente", desconfie imediatamente.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de oncogeriatria, lembre-se do tripé: avaliação multidimensional (AGA), individualização das decisões (nunca idade cronológica isolada) e reconhecimento da multifatorialidade dos fenômenos (toxicidade, cognição). Esses três pilares derrubam a maioria das alternativas incorretas.

Gabarito: letra C

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