Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693769
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Geriatria
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EI, II e III.
GabaritoE — I, II e III.
Gabarito: letra E (I, II e III). As três assertivas estão corretas: o delirium pós-operatório é frequente e prevenível com estratégias não farmacológicas; a dor mal controlada é fator de risco independente para delirium, perda funcional e maior internação; e a AGA identifica fragilidade, risco de delirium e polifarmácia, permitindo plano individualizado. A questão integra princípios de geriatria e cuidados perioperatórios, sem exigir dispositivo legal específico.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda, caracterizada por perturbação da atenção e da consciência, de início rápido e curso flutuante. No idoso frágil submetido a cirurgia de grande porte, sua incidência é alta — pode ocorrer em 29% a 64% dos idosos em unidades clínicas e em até 82% na UTI. A prevenção é a pedra angular do manejo: intervenções não farmacológicas estruturadas, como reorientação, estímulo cognitivo, restabelecimento do ciclo sono-vigília, mobilização precoce, hidratação e nutrição adequadas, reduzem a incidência de delirium em mais de 50%, conforme demonstrado pelo programa HELP (Hospital Elder Life Program). Essas medidas são a primeira linha de prevenção e devem ser aplicadas no perioperatório.
A dor é um dos principais fatores precipitantes de delirium no pós-operatório. O subtratamento da dor não apenas aumenta o risco de delirium, mas também contribui para perda funcional, atraso na deambulação, maior tempo de internação e pior recuperação. O manejo adequado da dor, com analgesia multimodal e preferência por opioides de curta duração quando necessário, é essencial. Vale destacar que tanto a dor quanto o uso excessivo de opioides podem desencadear delirium — o equilíbrio é o objetivo.
A Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) é um processo diagnóstico multidimensional e interdisciplinar que avalia aspectos médicos, funcionais, cognitivos, afetivos e sociais do idoso. Ela permite identificar fragilidade, risco de delirium, polifarmácia, comprometimento funcional e cognitivo, além de questões sociais e ambientais. Com base nessa avaliação, é possível elaborar um plano perioperatório individualizado, centrado na funcionalidade e nos objetivos de cuidado do paciente, otimizando desfechos e reduzindo complicações. A AGA é especialmente recomendada para idosos frágeis, como o caso da paciente descrita.
A fragilidade, por sua vez, é uma síndrome clínica caracterizada por aumento da vulnerabilidade e diminuição da reserva funcional em múltiplos sistemas. Idosos frágeis têm pior prognóstico cirúrgico, maior risco de delirium, quedas, reações adversas a medicamentos e readmissão hospitalar. Identificar a fragilidade no pré-operatório permite ajustar a estratégia cirúrgica, otimizar o estado clínico e planejar cuidados pós-operatórios mais intensivos.
A polifarmácia, definida como o uso de quatro ou mais medicamentos diários, é um fator de risco para reações adversas, interações medicamentosas e cascata de prescrições. No perioperatório, a revisão e a desprescrição de medicamentos potencialmente inapropriados (como anticolinérgicos, benzodiazepínicos e opioides) são medidas importantes para reduzir o risco de delirium. A AGA contribui para essa revisão sistemática.
A banca explora a integração de conceitos de geriatria no contexto perioperatório. A pegadinha seria considerar que apenas uma ou duas assertivas estão corretas, quando na verdade todas estão. O candidato pode hesitar na assertiva II, pensando que a dor é apenas um sintoma e não um fator de risco independente — mas a literatura é clara: a dor mal controlada é um dos principais precipitantes de delirium no pós-operatório.
O delirium pós-operatório é uma complicação frequente em idosos frágeis com demência, e sua incidência pode ser reduzida por estratégias não farmacológicas estruturadas. O programa HELP demonstrou redução superior a 50% na incidência de delirium com medidas como reorientação, estímulo cognitivo, restabelecimento do ciclo sono-vigília, mobilização precoce, hidratação e nutrição adequadas. Essas intervenções são a base da prevenção e devem ser implementadas no perioperatório.
O subtratamento da dor no pós-operatório é um fator de risco independente para delirium, perda funcional e prolongamento da internação. A dor é um dos principais precipitantes de delirium, e seu manejo inadequado compromete a mobilização precoce, a recuperação funcional e aumenta o tempo de permanência hospitalar. A analgesia multimodal, com controle efetivo da dor, é essencial para prevenir essas complicações.
A AGA permite identificar fragilidade, risco de delirium e polifarmácia, contribuindo para um plano perioperatório individualizado e centrado na funcionalidade e nos objetivos de cuidado. A AGA é um processo diagnóstico multidimensional que avalia aspectos médicos, funcionais, cognitivos, afetivos e sociais, permitindo uma abordagem integral do idoso frágil. Com base nela, é possível otimizar o estado clínico, ajustar medicações e planejar cuidados pós-operatórios adequados.
Conclusão: as três assertivas estão corretas, portanto o gabarito é a letra E.
Gabarito: letra E
Link permanente: /questoes/qg693769