Sobre a avaliação pré-operatória do paciente idoso, assinale a alternativa correta.
AA idade cronológica, de forma isolada, é suficiente para estratificar o risco cirúrgico e definir contraindicação a procedimentos eletivos.
BA Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) contribui para a estimativa de desfechos adversos, como mortalidade, perda funcional e delirium, e deve subsidiar um plano de cuidado individualizado, preferencialmente implementado por equipe interdisciplinar.
CO delirium pós-operatório é uma complicação incomum no idoso, ocorrendo apenas em cirurgias de grande porte e em pacientes com demência estabelecida.
DA presença de polifarmácia indica a suspensão sistemática de todos os medicamentos cinco dias antes do procedimento cirúrgico, independentemente do risco de descontinuação.
EA avaliação cognitiva pré-operatória não exerce influência significativa no prognóstico cirúrgico, sendo relevante apenas para o planejamento anestésico.
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GabaritoB — A Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) contribui para a estimativa de desfechos adversos, como mortalidade, perda funcional e delirium, e deve subsidiar um plano de cuidado individualizado, preferencialmente implementado por equipe interdisciplinar.
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Avaliação pré-operatória do paciente idoso
Gabarito: letra B. A Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) é o instrumento central da avaliação pré-operatória do idoso, pois permite estimar desfechos adversos como mortalidade, perda funcional e delirium, subsidiando um plano de cuidado individualizado, preferencialmente conduzido por equipe interdisciplinar. As demais alternativas distorcem princípios fundamentais da geriatria: a idade cronológica isolada não define risco cirúrgico, o delirium pós-operatório é comum e não se restringe a grandes cirurgias, a polifarmácia não justifica suspensão sistemática de medicamentos e a avaliação cognitiva é preditora independente de prognóstico.
A avaliação pré-operatória do paciente idoso vai muito além da estratificação de risco cardíaco ou pulmonar tradicional. O envelhecimento cursa com declínio da reserva fisiológica, alta prevalência de comorbidades e síndromes geriátricas — como fragilidade, sarcopenia, comprometimento cognitivo e polifarmácia — que impactam diretamente os desfechos cirúrgicos. Por isso, a abordagem centrada apenas em sistemas orgânicos é insuficiente: é preciso avaliar a capacidade funcional, a cognição, o estado nutricional, o suporte social e as preferências do paciente. É exatamente esse o papel da Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), que integra dimensões médicas, funcionais, cognitivas, emocionais e sociais.
A AGA não é um exame único, mas um processo diagnóstico multidimensional que gera um plano de cuidado individualizado. No contexto perioperatório, ela permite identificar idosos com maior risco de complicações — como delirium, declínio funcional, institucionalização e morte — e orientar intervenções preventivas e ajustes no plano cirúrgico. A literatura geriátrica organiza essa abordagem nos "cinco M": Mente, Mobilidade, Medicamentos, Multicomplexidade e o que importa Mais para o paciente. Essa estrutura reforça que a avaliação deve ser interdisciplinar, envolvendo geriatra, cirurgião, anestesiologista, enfermagem, fisioterapia, farmácia e serviço social.
O delirium pós-operatório merece destaque especial. Trata-se de uma complicação frequente e grave no idoso, associada a maior mortalidade, tempo de internação, declínio funcional e cognitivo. O comprometimento cognitivo prévio é um fator de risco independente para delirium, e a avaliação cognitiva pré-operatória — com instrumentos como Mini-Cog ou Montreal Cognitive Assessment — é essencial para identificar pacientes vulneráveis e planejar estratégias preventivas, como reorientação frequente, uso criterioso de medicamentos e intervenções multicomponentes. A cognição, portanto, não é apenas relevante para o planejamento anestésico: ela é preditora de desfechos cirúrgicos.
A polifarmácia, por sua vez, é um dos cinco M e exige revisão cuidadosa de medicamentos no perioperatório, mas nunca suspensão sistemática e indiscriminada. Cada medicamento deve ter sua indicação revisada, ponderando riscos e benefícios. Suspender abruptamente fármacos como betabloqueadores, corticoides ou anticonvulsivantes pode causar síndromes de retirada graves. A decisão de manter, ajustar ou suspender cada fármaco deve ser individualizada, considerando o risco de descontinuação.
A idade cronológica, isoladamente, é um péssimo preditor de risco cirúrgico. Dois idosos da mesma idade podem ter perfis de fragilidade, comorbidades e capacidade funcional completamente distintos. A avaliação deve ser baseada na idade biológica, na reserva funcional e nas comorbidades, não no número de anos. É por isso que a AGA, e não a idade, é o pilar da avaliação pré-operatória geriátrica.
Guarde o critério que separa as alternativas: a alternativa correta é a que reconhece a AGA como ferramenta multidimensional e interdisciplinar para estimar desfechos e planejar o cuidado; as incorretas são as que simplificam, generalizam ou invertem princípios da geriatria — idade como critério isolado, delirium como complicação rara, suspensão indiscriminada de medicamentos e cognição como fator irrelevante.
A idade cronológica, de forma isolada, não é suficiente para estratificar risco cirúrgico nem para contraindicar procedimentos eletivos. O risco cirúrgico no idoso é determinado pela idade biológica, comorbidades, capacidade funcional, fragilidade e reserva fisiológica — não pelo número de anos. A banca explora a confusão entre idade cronológica e idade biológica: dois pacientes com a mesma idade podem ter riscos completamente diferentes. A AGA é que deve subsidiar a decisão, não a idade isolada.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A AGA contribui para a estimativa de desfechos adversos — como mortalidade, perda funcional e delirium — e deve subsidiar um plano de cuidado individualizado, preferencialmente implementado por equipe interdisciplinar. Isso está alinhado com a abordagem dos "cinco M" geriátricos e com a literatura que recomenda avaliação multidimensional do idoso no perioperatório. A alternativa espelha exatamente o papel da AGA: não é um exame isolado, mas um processo que integra dimensões e gera plano de cuidado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O delirium pós-operatório é uma complicação comum no idoso, não incomum. Sua incidência varia conforme o contexto — pode ocorrer em 8 a 17% dos pacientes em unidades de emergência, 29 a 64% em unidades clínicas ou geriátricas e 46 a 82% em UTIs. Não se restringe a cirurgias de grande porte nem a pacientes com demência estabelecida: qualquer idoso, especialmente com comprometimento cognitivo prévio, fragilidade ou múltiplas comorbidades, está em risco. A alternativa erra ao minimizar a frequência e ao restringir os grupos de risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A polifarmácia não indica suspensão sistemática de todos os medicamentos cinco dias antes da cirurgia. A conduta correta é a revisão individualizada de cada fármaco, ponderando riscos e benefícios. Suspender abruptamente medicamentos como betabloqueadores, corticoides, anticonvulsivantes ou antiparkinsonianos pode causar síndromes de retirada graves, eventos cardiovasculares ou piora da doença de base. A decisão de manter, ajustar ou suspender deve considerar o risco de descontinuação e o perfil do paciente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A avaliação cognitiva pré-operatória exerce influência significativa no prognóstico cirúrgico. O comprometimento cognitivo é fator de risco independente para delirium pós-operatório, que por sua vez associa-se a maior mortalidade, declínio funcional, tempo de internação e institucionalização. A cognição deve ser avaliada com instrumentos como Mini-Cog ou Montreal Cognitive Assessment, e os resultados devem orientar o plano de manejo — não apenas o planejamento anestésico, mas também estratégias preventivas de delirium e reabilitação pós-operatória.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter ou minimizar princípios da geriatria. Aqui, ela tenta fazer você acreditar que (C) delirium é raro, (D) suspender tudo é seguro e (E) cognição não importa — tudo contrário à prática baseada em evidências. A chave é lembrar que o idoso é avaliado pela idade biológica e pela AGA, não pela idade cronológica nem por simplificações perigosas. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Na prova, desconfie de alternativas com termos absolutos como "suficiente", "sistemática", "todos", "apenas" ou "não exerce influência". Na geriatria, quase sempre há exceções e nuances. A alternativa correta costuma ser a que reconhece a complexidade e a individualização do cuidado — como a que menciona AGA e equipe interdisciplinar.