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Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2026

MedicinaGeriatria
Código
qg693776
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
Sobre a Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) na pessoa idosa, analise as assertivas a seguir:I. É a forma mais comum nessa faixa etária.II. Pode se manifestar com sintomas atípicos como quedas e confusão mental.III. Deve ser tratada com os mesmos fármacos utilizados na Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFER).Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEP) no idoso

Gabarito: letra D — corretos os itens I e II. A ICFEP é a forma mais comum de insuficiência cardíaca na população idosa e pode se manifestar com sintomas atípicos, como quedas e confusão mental; porém, o tratamento NÃO é o mesmo da ICFER, pois as evidências de benefício farmacológico sólido se restringem à fração de ejeção reduzida (FE < 40%). A assertiva III, portanto, é falsa.

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, na qual o coração é incapaz de bombear sangue de forma adequada às necessidades metabólicas do organismo, ou o faz apenas com elevadas pressões de enchimento. A classificação mais utilizada atualmente se baseia na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), que é o percentual do volume diastólico final ejetado a cada sístole. Convencionou-se dividir a IC em três fenótipos: ICFER (FEVE < 40%), ICFEi (FEVE entre 40% e 49%) e ICFEP (FEVE ≥ 50%). Essa distinção é crucial porque os fenótipos diferem em etiologia, comorbidades, perfil demográfico e, principalmente, resposta ao tratamento.

Na ICFEP, o coração se contrai normalmente (função sistólica preservada), mas há um déficit de relaxamento ventricular — a chamada disfunção diastólica. Isso gera elevação das pressões de enchimento, congestão pulmonar e dispneia, especialmente durante exercício ou crises hipertensivas. A ICFEP é particularmente prevalente em idosos, mulheres, obesos e hipertensos. No idoso, a apresentação clínica costuma ser atípica: em vez de dispneia e edema clássicos, o paciente pode apresentar quedas, confusão mental, fadiga, inapetência e declínio funcional. Isso ocorre porque a reserva fisiológica reduzida e as múltiplas comorbidades mascararam os sintomas típicos, fazendo com que a IC se manifeste de forma "silenciosa" ou com queixas inespecíficas.

O tratamento da ICFEP é um desafio. Diferentemente da ICFER, em que há sólidas evidências de redução de morbimortalidade com betabloqueadores, IECA/BRA, antagonistas mineralocorticoides e inibidores de SGLT2, na ICFEP nenhum fármaco demonstrou, de forma consistente, redução de mortalidade. As diretrizes recomendam o controle rigoroso de comorbidades (hipertensão, diabetes, obesidade, fibrilação atrial) e o uso de diuréticos para alívio sintomático da congestão. Recentemente, os inibidores de SGLT2 (empagliflozina, dapagliflozina) mostraram benefício na redução de hospitalizações em pacientes com ICFEP, mas ainda não há recomendação universal como na ICFER. Portanto, afirmar que a ICFEP "deve ser tratada com os mesmos fármacos" da ICFER é um erro conceitual grave.

A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que decora o tratamento da ICFER e o aplica indiscriminadamente à ICFEP erra a assertiva III. A pegadinha está em generalizar o tratamento, ignorando que a fisiopatologia e as evidências são distintas. Guarde a fronteira: ICFEP = FEVE ≥ 50%, disfunção diastólica, tratamento focado em comorbidades e sintomas; ICFER = FEVE < 40%, disfunção sistólica, tratamento farmacológico com impacto prognóstico comprovado.

Item

Afirmação

Veredito

I

É a forma mais comum nessa faixa etária.

✅ Correto

II

Pode se manifestar com sintomas atípicos como quedas e confusão mental.

✅ Correto

III

Deve ser tratada com os mesmos fármacos utilizados na ICFER.

❌ Incorreto

1Características
Forma mais comum no idoso
FEVE ≥ 50%
Disfunção diastólica
2Sintomas atípicos
Quedas
Confusão mental
Fadiga e inapetência
3Tratamento
Controle de comorbidades
Diuréticos p/ congestão
SGLT2 (reduz internações)
Mesmos fármacos da ICFER
ICFEP no idoso
LEVELsoulevel.com.br
ICFEP no idoso: Características (Forma mais comum no idoso, FEVE ≥ 50%, Disfunção diastólica); Sintomas atípicos (Quedas, Confusão mental, Fadiga e inapetência); Tratamento (Controle de comorbidades, Diuréticos p/ congestão, SGLT2 (reduz internações), Mesmos fármacos da ICFER)

Item I — ✅ Correto

A ICFEP é, de fato, a forma mais comum de insuficiência cardíaca na população idosa. Estudos epidemiológicos mostram que, acima dos 75 anos, a maioria dos pacientes com IC apresenta fração de ejeção preservada. Isso se deve à alta prevalência de hipertensão, diabetes, obesidade e doença renal crônica nessa faixa etária, condições que levam à disfunção diastólica. O próprio material de apoio destaca que a ICFEP é "frequentemente idoso" e que a idade é uma característica marcante desse fenótipo.

Item II — ✅ Correto

Sintomas atípicos como quedas e confusão mental são comuns na apresentação da ICFEP no idoso. A síndrome de fragilidade, sarcopenia e o declínio cognitivo frequentemente acompanham a IC no envelhecimento, e a congestão pode se manifestar como fadiga, inapetência, redução da mobilidade e até delirium. O material de apoio menciona a fragilidade como comorbidade comum nos idosos com IC, e a literatura geriátrica é enfática: a IC no idoso frequentemente se apresenta com sintomas não clássicos, o que retarda o diagnóstico.

Item III — ❌ Incorreto

A assertiva III é falsa. O tratamento da ICFEP NÃO é o mesmo da ICFER. Enquanto na ICFER há evidências robustas de redução de mortalidade com betabloqueadores, IECA/BRA, antagonistas mineralocorticoides e inibidores de SGLT2, na ICFEP nenhum desses fármacos demonstrou, de forma consistente, o mesmo benefício. O material de apoio é claro: "a maioria das estratégias com sólida evidência científica de benefício se restringe à ICFER (FE < 40%)". O manejo da ICFEP baseia-se no controle de comorbidades, uso de diuréticos para sintomas congestivos e, mais recentemente, inibidores de SGLT2 para redução de hospitalizações — mas não se pode afirmar que seja o "mesmo tratamento".

Conclusão: Corretos os itens I e II → portanto, a alternativa correta é a letra D.

Gabarito: letra D

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