Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg693777
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
No paciente idoso, o diagnóstico clínico de Insuficiência Cardíaca (IC) pode ser desafiador. Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
AA ausência de edema exclui IC no idoso.
BA terceira bulha é fisiológica no idoso.
CAchados como turgência jugular e terceira bulha aumentam acurácia diagnóstica e têm valor prognóstico.
DApresentação de hipertensão sistólica isolada não contribui para IC.
EO ictus é sempre facilmente palpável no idoso.
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GabaritoC — Achados como turgência jugular e terceira bulha aumentam acurácia diagnóstica e têm valor prognóstico.
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Insuficiência Cardíaca no Idoso: Desafios Diagnósticos
Gabarito: letra C. Achados como turgência jugular e terceira bulha aumentam a acurácia diagnóstica e têm valor prognóstico na IC do idoso. A alternativa C está correta porque esses sinais são critérios maiores de Framingham e indicam disfunção ventricular, sendo fundamentais quando o diagnóstico clínico é desafiador, como ocorre em idosos.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente, resultando em congestão pulmonar e sistêmica. No idoso, o diagnóstico é particularmente difícil porque os sintomas clássicos — dispneia, fadiga e edema — podem ser atribuídos a outras comorbidades comuns nessa faixa etária, como doença pulmonar obstrutiva crônica, obesidade e sedentarismo. Além disso, a apresentação atípica é frequente, com queixas inespecíficas como confusão mental, queda e fraqueza.
Os critérios de Framingham são uma ferramenta clássica para o diagnóstico clínico de IC, baseados na presença de critérios maiores e menores. A turgência jugular e a terceira bulha (B3) são critérios maiores, com alta especificidade para IC. A B3, em particular, está fortemente associada à disfunção ventricular grave e ao aumento das pressões de enchimento, conferindo valor prognóstico adverso. A presença desses sinais, portanto, não apenas auxilia no diagnóstico, mas também estratifica o risco do paciente.
A ausência de edema não exclui IC no idoso, pois muitos pacientes podem não apresentar retenção hídrica evidente, especialmente se estiverem em uso de diuréticos. A terceira bulha, embora possa ser fisiológica em jovens e crianças, no idoso é um sinal de disfunção ventricular e não deve ser considerada normal. A hipertensão sistólica isolada é um fator de risco importante e pode contribuir para o desenvolvimento de IC, especialmente a IC diastólica, que é prevalente em idosos. O ictus cordis pode ser difícil de palpar no idoso devido a alterações anatômicas como enfisema pulmonar ou obesidade.
A avaliação clínica do idoso com suspeita de IC deve ser minuciosa, valorizando sinais como turgência jugular, terceira bulha, estertores pulmonares e edema, mas sempre correlacionando com exames complementares como ecocardiograma e BNP. A combinação de achados clínicos e objetivos aumenta a acurácia diagnóstica e permite melhor estratificação prognóstica.
IC no idoso: desafio diagnóstico: Sinais de alto valor (Framingham) (Turgência jugular (critério maior), Terceira bulha (critério maior), Valor prognóstico adverso); Sinais que NÃO excluem IC (Ausência de edema, Ictus difícil de palpar); Fatores que contribuem (HAS sistólica isolada (IC diastólica))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ausência de edema não exclui IC no idoso. O edema é um sinal de congestão sistêmica, mas pode estar ausente em pacientes com IC compensada ou em uso de diuréticos. Além disso, a IC pode se manifestar predominantemente com sintomas de baixo débito, como fadiga e dispneia, sem sinais evidentes de congestão. Portanto, a ausência de edema não é suficiente para afastar o diagnóstico de IC.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A terceira bulha (B3) não é fisiológica no idoso. Embora possa ser auscultada em jovens e crianças em estados de hipercinese circulatória, no idoso a B3 é um sinal de disfunção ventricular grave e aumento das pressões de enchimento, indicando IC. Sua presença tem valor prognóstico adverso e deve ser valorizada no contexto clínico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A turgência jugular e a terceira bulha são critérios maiores de Framingham para IC e estão associadas a disfunção ventricular e aumento das pressões de enchimento. Esses achados aumentam a acurácia diagnóstica, especialmente em idosos, onde os sintomas podem ser inespecíficos, e têm valor prognóstico, pois indicam maior gravidade da doença. A presença desses sinais deve ser buscada ativamente no exame físico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipertensão sistólica isolada contribui para o desenvolvimento de IC, especialmente a IC diastólica, que é prevalente em idosos. A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para IC, e o controle adequado da pressão arterial é fundamental na prevenção e tratamento da doença. Portanto, a hipertensão sistólica isolada não apenas contribui, mas é um fator de risco importante.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O ictus cordis não é sempre facilmente palpável no idoso. Alterações anatômicas como enfisema pulmonar, obesidade e deformidades torácicas podem dificultar a palpação do ictus. Além disso, em pacientes com cardiomegalia, o ictus pode estar desviado e com extensão aumentada, mas sua palpação pode ser difícil em algumas condições. Portanto, a palpação do ictus não é um sinal confiável isoladamente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a dificuldade diagnóstica da IC no idoso, apresentando afirmações que parecem plausíveis, mas que contrariam a prática clínica. A ausência de edema não exclui IC, a B3 não é fisiológica no idoso, a hipertensão sistólica isolada contribui para IC e o ictus pode ser difícil de palpar. A alternativa C é a única que apresenta uma afirmação correta e clinicamente relevante.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre IC no idoso, lembre-se de que os critérios de Framingham são fundamentais. A turgência jugular e a terceira bulha são critérios maiores e têm alto valor diagnóstico e prognóstico. Desconfie de afirmações que excluem o diagnóstico com base em um único sinal ou que consideram fisiológicos achados que indicam disfunção.