A desprescrição integra o cuidado centrado na pessoa idosa e constitui um dos eixos da avaliação geriátrica ampla. Considerando os fundamentos e a aplicação clínica dessa prática, assinale a alternativa correta.
ACorresponde à suspensão sistemática de medicamentos à medida que aumenta o número de comorbidades, independentemente da indicação original ou do tempo de uso.
BÉ um processo clínico deliberado, que envolve avaliação contínua da relação risco-benefício dos fármacos, considerando funcionalidade, expectativa de vida, objetivos de cuidado e preferências do paciente, devendo ocorrer de forma monitorada.
CDeve ser restrita a cenários de terminalidade, uma vez que em idosos estáveis a interrupção medicamentosa aumenta o risco de eventos adversos.
DConstitui atribuição técnica exclusiva do farmacêutico clínico, prescindindo de decisão compartilhada ou participação do médico assistente.
ETem como finalidade prioritária a redução do número absoluto de medicamentos prescritos, com impacto secundário sobre desfechos clínicos.
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GabaritoB — É um processo clínico deliberado, que envolve avaliação contínua da relação risco-benefício dos fármacos, considerando funcionalidade, expectativa de vida, objetivos de cuidado e preferências do paciente, devendo ocorrer de forma monitorada.
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Desprescrição na pessoa idosa
Gabarito: letra B. A desprescrição é um processo clínico deliberado, que envolve avaliação contínua da relação risco-benefício dos fármacos, considerando funcionalidade, expectativa de vida, objetivos de cuidado e preferências do paciente, devendo ocorrer de forma monitorada. Essa definição está alinhada aos princípios da avaliação geriátrica ampla (AGA), que prioriza o cuidado centrado na pessoa, e não a simples redução do número de medicamentos.
A desprescrição é um dos pilares do cuidado farmacológico do idoso, especialmente diante da polifarmácia — uso de quatro ou mais fármacos diários —, que é fator de risco para reações adversas, interações e cascata de prescrições. O processo envolve a revisão sistemática de cada medicamento, ponderando se o benefício potencial supera o risco, considerando o prognóstico, a função e as metas do paciente. Não se trata de suspender medicamentos indiscriminadamente, mas de uma decisão compartilhada entre equipe, paciente e familiares, com monitoramento de possíveis síndromes de retirada e recorrência de sintomas.
A prática da desprescrição é respaldada por diretrizes como os critérios de Beers, que identificam medicamentos potencialmente inapropriados em idosos, e pela abordagem dos "cinco M" da geriatria, que inclui "medicamentos" como um dos eixos centrais. A decisão de desprescrever deve ser individualizada, levando em conta a expectativa de vida, a funcionalidade e as preferências do paciente, e não apenas o número de comorbidades ou o tempo de uso.
A alternativa B captura exatamente essa essência: é um processo deliberado, contínuo, que considera múltiplos fatores e exige monitoramento. As demais alternativas distorcem o conceito, seja por restringir a prática a terminalidade, por atribuí-la exclusivamente ao farmacêutico, ou por priorizar a redução numérica em detrimento dos desfechos clínicos.
Guarde a fronteira entre "desprescrição" e "suspensão sistemática": a primeira é um ato clínico racional e individualizado; a segunda, uma simplificação perigosa. É nessa distinção que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A desprescrição não é uma suspensão sistemática de medicamentos à medida que aumentam as comorbidades, independentemente da indicação original ou do tempo de uso. Isso contraria o princípio da individualização do cuidado: cada fármaco deve ser avaliado quanto à sua indicação atual, benefício potencial e risco, e não simplesmente retirado por causa do número de doenças. A alternativa ignora que alguns medicamentos são essenciais mesmo em idosos com múltiplas comorbidades (ex.: anti-hipertensivos, anticoagulantes).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o processo de desprescrição: é um ato clínico deliberado, que envolve avaliação contínua da relação risco-benefício, considerando funcionalidade, expectativa de vida, objetivos de cuidado e preferências do paciente, e deve ser monitorado. Isso está em consonância com a avaliação geriátrica ampla e com as boas práticas de prescrição em idosos, que priorizam a qualidade de vida e a segurança.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A desprescrição não deve ser restrita a cenários de terminalidade. Embora seja especialmente relevante em cuidados paliativos, ela também é indicada em idosos estáveis, quando há medicamentos potencialmente inapropriados, sem benefício claro ou com risco de eventos adversos. A interrupção, quando bem conduzida e monitorada, pode reduzir riscos, e não aumentá-los. A alternativa inverte a lógica: a desprescrição é uma ferramenta de segurança, não um risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A desprescrição não é atribuição exclusiva do farmacêutico clínico. Ela é uma decisão compartilhada, que envolve o médico assistente, o farmacêutico, o paciente e, muitas vezes, a família. O farmacêutico tem papel importante na revisão de medicamentos e na identificação de interações, mas a decisão final de suspender ou ajustar um fármaco é do médico, em conjunto com o paciente. A alternativa desconsidera a natureza interprofissional do cuidado geriátrico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A finalidade prioritária da desprescrição não é a redução do número absoluto de medicamentos, mas sim a otimização da farmacoterapia, visando melhorar desfechos clínicos, qualidade de vida e segurança. A redução do número de fármacos é uma consequência, não o objetivo primário. A alternativa inverte a hierarquia: o foco está nos desfechos, não na contagem.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "desprescrição" e "suspensão sistemática" (alternativa A) e entre "meio" e "fim" (alternativa E). Lembre-se: desprescrever é um processo racional e individualizado, não uma regra automática. O objetivo é sempre o benefício clínico, não a quantidade de comprimidos.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, desconfie de alternativas que usam termos absolutos como "sempre", "nunca", "exclusiva", "sistemática" ou "independentemente". A desprescrição é um processo dinâmico, que exige avaliação caso a caso. Se a alternativa não mencionar "avaliação risco-benefício", "preferências do paciente" ou "monitoramento", provavelmente está errada.