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Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2026

MedicinaGeriatria
Código
qg693782
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
Mulher, 79 anos, com de hipertensão arterial e diabetes melito tipo 2, apresenta creatinina sérica de 1,6 mg/dL em exames de rotina. Encontra-se assintomática do ponto de vista urinário, mas a equipe discute a possibilidade de doença renal crônica associada ao envelhecimento. Sobre a função renal no idoso, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AO envelhecimento fisiológico cursa com redução progressiva da taxa de filtração glomerular, mesmo na ausência de doença renal estrutural.
  2. BA redução da massa muscular no idoso pode mascarar a gravidade da disfunção renal quando se avalia apenas a creatinina sérica isoladamente.
  3. CFórmulas estimativas de TFG, como CKD-EPI, são mais adequadas do que a creatinina isolada para avaliação da função renal em idosos.
  4. DAlterações na regulação hidroeletrolítica tornam o idoso mais suscetível à desidratação, hiponatremia e toxicidade medicamentosa.
  5. EA presença de divertículos tubulares renais é achado patognomônico de DRC avançada no idoso e indica necessidade de abordagem cirúrgica.
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GabaritoE — A presença de divertículos tubulares renais é achado patognomônico de DRC avançada no idoso e indica necessidade de abordagem cirúrgica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função renal no idoso: fisiologia do envelhecimento e DRC

Gabarito: letra E. A alternativa incorreta afirma que "divertículos tubulares renais" são achado patognomônico de DRC avançada no idoso e indicam abordagem cirúrgica — isso não corresponde a nenhuma entidade clínica real; o envelhecimento renal cursa com alterações estruturais como esclerose glomerular, atrofia tubular e fibrose intersticial, mas não há "divertículos tubulares" como marcador patognomônico de DRC, muito menos indicação cirúrgica. As demais alternativas (A, B, C e D) descrevem corretamente aspectos da fisiologia renal no idoso.

A função renal sofre alterações fisiológicas com o envelhecimento, mesmo na ausência de doença renal estrutural. O declínio da taxa de filtração glomerular (TFG) é progressivo a partir da terceira década de vida, estimando-se uma perda média de cerca de 1 mL/min/1,73 m² por ano após os 40 anos. Esse declínio é atribuído a múltiplos mecanismos: redução do número de néfrons funcionantes (esclerose glomerular), diminuição do fluxo plasmático renal, atrofia tubular e fibrose intersticial. É importante destacar que, embora o declínio seja "fisiológico", ele torna o rim do idoso mais vulnerável a agressões adicionais (hipertensão, diabetes, nefrotoxinas), e a distinção entre envelhecimento normal e doença renal crônica (DRC) incipiente é frequentemente difícil na prática clínica.

Um ponto crucial na avaliação do idoso é a limitação da creatinina sérica isolada como marcador de função renal. A creatinina é um produto do metabolismo muscular, e o idoso tipicamente apresenta sarcopenia (redução da massa muscular), o que resulta em menor geração de creatinina. Assim, um idoso pode ter creatinina sérica "normal" ou pouco elevada, mesmo com TFG significativamente reduzida. Por isso, as diretrizes recomendam o uso de fórmulas estimativas de TFG, como a CKD-EPI (Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration), que incorporam idade, sexo e raça, além da creatinina, para uma estimativa mais acurada da função renal. A fórmula CKD-EPI é a recomendada pelas diretrizes brasileiras de hipertensão e nefrologia para avaliação da TFG em adultos e idosos.

Além da TFG, o envelhecimento compromete outros aspectos da função renal, especialmente a regulação hidroeletrolítica. O idoso apresenta redução da capacidade de concentração e diluição urinária, diminuição da sede, redução da resposta à aldosterona e ao hormônio antidiurético, e menor capacidade de excretar carga de sódio e água. Essas alterações tornam o idoso mais suscetível à desidratação, à hiponatremia (especialmente com uso de diuréticos tiazídicos ou SSRIs) e à hipercalemia ou hipocalemia, além de aumentar o risco de toxicidade medicamentosa, pois muitos fármacos e seus metabólitos são excretados por via renal. A polifarmácia, comum nessa faixa etária, agrava ainda mais esse risco.

A alternativa E, por sua vez, é um distrator que mistura conceitos de anatomia e fisiopatologia de forma incorreta. Não existe "divertículo tubular renal" como entidade clínica reconhecida, muito menos como achado patognomônico de DRC avançada. O que existe são alterações estruturais como cistos renais simples (frequentes no idoso, mas geralmente benignos e sem indicação cirúrgica), esclerose glomerular e atrofia tubular. A indicação de abordagem cirúrgica em nefrologia está relacionada a condições específicas como tumores renais, litíase complicada ou hidronefrose obstrutiva, nunca a "divertículos tubulares" associados à DRC. A banca explora aqui a confusão com o termo "divertículo" (que remete a outras estruturas do corpo, como divertículos intestinais ou vesicais) para induzir o candidato ao erro.

Guarde a fronteira entre o que é fisiológico no envelhecimento renal (declínio da TFG, alterações estruturais, distúrbios hidroeletrolíticos) e o que é patológico (DRC estabelecida, com critérios de TFG < 60 mL/min/1,73 m² ou lesão renal por ≥ 3 meses). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem: as corretas descrevem alterações fisiológicas e a incorreta inventa uma entidade patológica inexistente.

Critério

Envelhecimento fisiológico renal

DRC estabelecida

TFG

Declínio progressivo, mas geralmente > 60 mL/min/1,73 m²

< 60 mL/min/1,73 m² por ≥ 3 meses

Creatinina sérica isolada

Pode estar "normal" ou pouco elevada (mascarada por sarcopenia)

Frequentemente elevada, mas pode ser normal em idosos com baixa massa muscular

Fórmula estimativa (CKD-EPI)

Recomendada para estimar TFG e acompanhar declínio fisiológico

Essencial para diagnóstico e estadiamento

Alterações estruturais

Esclerose glomerular, atrofia tubular, fibrose intersticial (difusas e degenerativas)

Lesão renal estrutural ou funcional persistente (mesmas alterações, porém com critérios de gravidade)

Regulação hidroeletrolítica

Redução da capacidade de concentração/diluição, menor sede, suscetibilidade a desidratação e hiponatremia

Distúrbios mais graves, com maior risco de toxicidade medicamentosa e complicações

Indicação cirúrgica

Nenhuma (alterações fisiológicas)

Apenas para complicações específicas (tumores, litíase complicada, hidronefrose obstrutiva) — nunca por "divertículos tubulares"

1Alterações fisiológicas
Declínio progressivo da TFG
Esclerose glomerular
Atrofia tubular e fibrose
2Avaliação da função
Creatinina isolada (limitada)
Fórmulas estimativas (CKD-EPI)
3Regulação hidroeletrolítica
Suscetível à desidratação
Hiponatremia
Toxicidade medicamentosa
4Distrator (inexistente)
Divertículos tubulares renais
Função renal no idoso
LEVELsoulevel.com.br
Função renal no idoso: Alterações fisiológicas (Declínio progressivo da TFG, Esclerose glomerular, Atrofia tubular e fibrose); Avaliação da função (Creatinina isolada (limitada), Fórmulas estimativas (CKD-EPI)); Regulação hidroeletrolítica (Suscetível à desidratação, Hiponatremia, Toxicidade medicamentosa); Distrator (inexistente) (Divertículos tubulares renais)

Alternativa A — ✅ Correta

A afirmativa está correta. O envelhecimento fisiológico cursa com redução progressiva da TFG, mesmo sem doença renal estrutural. Esse declínio é bem documentado na literatura e atribuído à perda de néfrons, esclerose glomerular e redução do fluxo plasmático renal. A própria definição de DRC considera que uma TFG persistentemente abaixo de 60 mL/min/1,73 m² é inferior ao esperado para o declínio fisiológico do envelhecimento, o que reforça que o declínio "normal" não atinge esse patamar.

Alternativa B — ✅ Correta

A afirmativa está correta. A redução da massa muscular no idoso (sarcopenia) leva a menor produção de creatinina, o que pode mascarar a gravidade da disfunção renal quando se avalia apenas a creatinina sérica. Um idoso pode ter creatinina dentro da faixa de referência, mas TFG já reduzida. Por isso, a creatinina isolada é um marcador inadequado de função renal no idoso, e o uso de fórmulas estimativas é essencial.

Alternativa C — ✅ Correta

A afirmativa está correta. As fórmulas estimativas de TFG, como a CKD-EPI, são mais adequadas que a creatinina isolada para avaliação da função renal em idosos. A CKD-EPI incorpora idade, sexo e raça, além da creatinina sérica, e é a fórmula recomendada pelas diretrizes brasileiras (Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial e diretrizes de DRC) para estimar a TFG. A fórmula de Cockcroft-Gault, embora historicamente usada, não é mais recomendada por necessitar de correção para superfície corpórea e apresentar vieses.

Alternativa D — ✅ Correta

A afirmativa está correta. As alterações na regulação hidroeletrolítica no idoso incluem redução da capacidade de concentração urinária, diminuição da sede, menor resposta à aldosterona e ao ADH, e menor capacidade de excretar sódio e água. Isso torna o idoso mais suscetível à desidratação (especialmente em quadros febris ou com diarreia), à hiponatremia (frequentemente associada ao uso de diuréticos tiazídicos ou inibidores seletivos da recaptação de serotonina) e à toxicidade medicamentosa, pois a excreção renal de fármacos está reduzida.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmativa está incorreta. Não existe "divertículo tubular renal" como achado patognomônico de DRC avançada no idoso, nem há indicação de abordagem cirúrgica para tal condição. O envelhecimento renal cursa com alterações estruturais como esclerose glomerular, atrofia tubular e fibrose intersticial, mas não com "divertículos tubulares". O termo "divertículo" pode remeter a outras estruturas (divertículos intestinais, vesicais), mas não se aplica ao parênquima renal como marcador de DRC. A indicação cirúrgica em nefrologia está reservada a condições específicas (tumores, litíase complicada, hidronefrose obstrutiva), nunca a "divertículos tubulares" associados à DRC. A banca cria um distrator com terminologia inventada para testar o conhecimento do candidato sobre as reais alterações estruturais do rim senescente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inventa uma entidade clínica inexistente ("divertículos tubulares renais") e a apresenta como achado patognomônico de DRC avançada com indicação cirúrgica. O candidato que não domina as reais alterações estruturais do envelhecimento renal (esclerose glomerular, atrofia tubular, fibrose intersticial) pode ser induzido a aceitar o termo como plausível. Lembre-se: no idoso, as alterações renais são degenerativas e difusas, não "diverticulares" — e DRC não tem indicação cirúrgica por si só. Com treino, você identifica esses distratores de longe 💪.

Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois descreve uma condição inexistente como patognomônica de DRC avançada no idoso.

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