Homem, 86 anos, com diagnóstico de doença de Parkinson, apresenta marcha com passos curtos, dificuldade de iniciar movimentos e episódios de aceleração involuntária da marcha. Sofreu recentemente uma queda com fratura distal de rádio, gerando preocupação quanto a novos eventos. Sobre a prevenção de quedas nesse contexto, assinale a alternativa INCORRETA.
AAlterações da marcha associadas ao Parkinson aumentam significativamente o risco de quedas e devem ser avaliadas rotineiramente na abordagem geriátrica.
BInstrumentos como o Timed Up and Go (TUG) e o teste de Tinetti auxiliam na avaliação do risco de quedas e da mobilidade funcional.
CEstratégias preventivas incluem exercícios de fortalecimento e equilíbrio, adaptação do ambiente domiciliar e revisão de medicações.
DDispositivos auxiliares de marcha podem reduzir ou aumentar o risco de quedas, dependendo da adequação do ajuste e do treinamento do paciente.
EO uso de contenções mecânicas é uma medida eficaz e indicada para prevenção de quedas em idosos com Parkinson.
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GabaritoE — O uso de contenções mecânicas é uma medida eficaz e indicada para prevenção de quedas em idosos com Parkinson.
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Prevenção de quedas na doença de Parkinson
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que contenções mecânicas são medida eficaz e indicada para prevenção de quedas em idosos com Parkinson — na prática, elas são contraindicadas, pois aumentam o risco de lesões, imobilidade e perda de funcionalidade, além de ferirem a dignidade do paciente. As demais alternativas descrevem corretamente a avaliação e as estratégias preventivas recomendadas na abordagem geriátrica.
A prevenção de quedas no idoso com doença de Parkinson é um dos pilares da abordagem geriátrica, pois a doença cursa com alterações características de marcha — passos curtos, dificuldade de iniciar movimentos (congelamento) e aceleração involuntária (festinação) — que elevam substancialmente o risco de quedas e fraturas, como a fratura distal de rádio descrita no caso. A avaliação deve ser rotineira e multifatorial, incluindo a análise das circunstâncias das quedas anteriores, uso de medicamentos, problemas médicos agudos e crônicos, nível de mobilidade, exame de visão, marcha e equilíbrio, função de membros inferiores, avaliação neurológica básica e avaliação cardiovascular.
Os instrumentos de avaliação são ferramentas valiosas nesse contexto. O Timed Up and Go (TUG) avalia a mobilidade funcional, cronometrando o tempo que o paciente leva para levantar de uma cadeira, caminhar três metros, retornar e sentar-se novamente. O teste de Tinetti (ou avaliação de desempenho orientado da mobilidade) avalia equilíbrio e marcha por meio de escores específicos. Ambos são amplamente utilizados e validados para identificar idosos com risco aumentado de quedas, inclusive na doença de Parkinson.
As estratégias preventivas eficazes são múltiplas e devem ser individualizadas. Os exercícios de fortalecimento e equilíbrio, como o tai chi chuan, mostraram-se eficazes na redução da taxa de quedas. A adaptação do ambiente domiciliar — melhora da iluminação, fixação de tapetes, instalação de barras de apoio nos banheiros — é medida comprovadamente efetiva. A revisão de medicações é fundamental, especialmente a redução ou suspensão de psicofármacos e outras drogas de alto risco. O treino de marcha com dispositivos auxiliares (bengalas, andadores) é recomendado, mas exige avaliação criteriosa: um dispositivo mal ajustado ou usado sem treinamento adequado pode aumentar o risco de quedas em vez de reduzi-lo.
A contenção mecânica, por sua vez, é uma prática que deve ser veementemente evitada. Embora historicamente utilizada em instituições de longa permanência, a literatura atual demonstra que as contenções não previnem quedas de forma eficaz e, ao contrário, aumentam o risco de lesões graves, incluindo fraturas, asfixia e morte. Além disso, contribuem para a imobilidade, perda de massa muscular, declínio funcional, úlceras por pressão e sofrimento psicológico. No Brasil, a Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa (RDC nº 502/2021) e a Política Nacional de Segurança do Paciente (Portaria GM/MS nº 529/2013) reforçam a necessidade de reduzir ao mínimo o uso de contenções, priorizando medidas preventivas não farmacológicas e não restritivas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde consideram a contenção mecânica uma medida de último recurso, jamais uma estratégia preventiva de rotina.
A pegadinha desta questão está justamente em apresentar a contenção mecânica como uma medida "eficaz e indicada", quando a realidade é exatamente oposta: trata-se de uma prática contraindicada, que viola a autonomia e a dignidade do idoso e que não encontra respaldo nas diretrizes atuais de prevenção de quedas. O candidato que conhece as recomendações baseadas em evidências identifica imediatamente o erro, pois todas as outras alternativas estão alinhadas com a boa prática clínica.
Prevenção de quedas no Parkinson: Avaliação (TUG (mobilidade funcional), Tinetti (equilíbrio e marcha), Análise multifatorial); Estratégias eficazes (Exercícios de fortalecimento e equilíbrio, Adaptação do ambiente domiciliar, Revisão de medicações, Dispositivos auxiliares (se bem ajustados)); Contenção mecânica (Contraindicada, Aumenta risco de lesões e imobilidade, Último recurso, nunca rotina)
Alternativa A — ✅ Correta
A afirmação está correta. As alterações da marcha na doença de Parkinson — passos curtos, festinação, congelamento — são fatores de risco bem estabelecidos para quedas. A avaliação rotineira da marcha e do risco de quedas é recomendação explícita na abordagem geriátrica, conforme as diretrizes de prevenção de quedas em idosos.
Alternativa B — ✅ Correta
A afirmação está correta. O Timed Up and Go (TUG) e o teste de Tinetti são instrumentos validados e amplamente utilizados para avaliação do risco de quedas e da mobilidade funcional em idosos, incluindo aqueles com doença de Parkinson. O TUG avalia a mobilidade funcional cronometrando o levantar, caminhar e retornar; o Tinetti avalia equilíbrio e marcha por escores.
Alternativa C — ✅ Correta
A afirmação está correta. As estratégias preventivas de quedas incluem exercícios de fortalecimento e equilíbrio (como tai chi chuan), adaptação do ambiente domiciliar (iluminação adequada, tapetes fixos, barras de apoio) e revisão de medicações, especialmente psicofármacos. Essas medidas são recomendadas pelas diretrizes de prevenção de quedas em idosos.
Alternativa D — ✅ Correta
A afirmação está correta. Dispositivos auxiliares de marcha (bengalas, andadores) podem reduzir o risco de quedas quando adequadamente prescritos, ajustados e treinados. Por outro lado, um dispositivo mal ajustado, com altura incorreta ou usado sem treinamento adequado, pode aumentar o risco de quedas. A recomendação é treinar a marcha com eventual utilização de objetos auxiliares.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A afirmação está incorreta. As contenções mecânicas não são medida eficaz nem indicada para prevenção de quedas em idosos com Parkinson. Pelo contrário, são contraindicadas: aumentam o risco de lesões graves (fraturas, asfixia), imobilidade, declínio funcional e sofrimento psicológico. As diretrizes atuais de segurança do paciente e as recomendações da Anvisa e do Ministério da Saúde priorizam medidas preventivas não restritivas, como exercícios, adaptação ambiental e revisão de medicações. A contenção mecânica é considerada medida de último recurso, jamais estratégia preventiva de rotina.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois as contenções mecânicas são contraindicadas na prevenção de quedas em idosos com Parkinson.