Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693784
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Geriatria
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas I e II.
Gabarito: letra D (corretas apenas I e II). A assertiva I está correta porque idade avançada e comorbidades são fatores de risco bem estabelecidos para evolução grave e óbito por COVID-19, sendo a imunossenescência um mecanismo relevante; a assertiva II está correta porque, em surtos em ILPIs, isolamento, testagem ampliada, uso de EPIs e controle de visitas são medidas fundamentais de controle; a assertiva III está incorreta porque a vacinação é altamente efetiva e deve ser priorizada como estratégia preventiva nessa população.
A COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, apresenta espectro clínico variável, desde infecção assintomática até síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e óbito. Em idosos, especialmente os institucionalizados, a doença tende a ser mais grave. A imunossenescência — declínio progressivo da função imunológica associado ao envelhecimento — compromete a resposta imune inata e adaptativa, reduzindo a capacidade de controlar a replicação viral e aumentando a susceptibilidade a infecções e complicações. Além disso, a presença de múltiplas comorbidades (doença cardiovascular, diabetes, DPOC, obesidade, doença renal crônica, entre outras) potencializa o risco de mau desfecho. Dados epidemiológicos mostram que a mortalidade aumenta exponencialmente com a idade: indivíduos com 80 anos ou mais têm mortalidade cerca de 20 vezes maior que aqueles entre 50 e 59 anos, e a presença de comorbidades eleva a mortalidade em até 12 vezes. Esses fatores explicam por que idosos institucionalizados, que frequentemente acumulam idade avançada, comorbidades e fragilidade, constituem grupo de altíssimo risco.
Em relação ao manejo de surtos em ILPIs, as medidas de controle são essenciais para conter a transmissão e proteger essa população vulnerável. O isolamento de casos suspeitos e confirmados, a testagem ampliada (mesmo em assintomáticos, para identificar precocemente cadeias de transmissão), o uso adequado de EPIs pelos profissionais e visitantes, e o controle rigoroso de visitas são pilares da prevenção. Essas medidas baseiam-se nos princípios de precaução padrão, de contato e de gotículas, e visam interromper a cadeia de transmissão do vírus em ambiente fechado e de alta circulação de pessoas, como as ILPIs. A literatura e as recomendações de órgãos de saúde (como ANVISA e Ministério da Saúde) enfatizam a importância dessas ações para evitar surtos e reduzir a morbimortalidade.
A vacinação, por sua vez, é a estratégia preventiva mais eficaz disponível. As vacinas contra COVID-19 demonstraram alta efetividade na redução de casos graves, hospitalizações e óbitos, inclusive em idosos. Embora a resposta imune possa ser um pouco atenuada em idosos devido à imunossenescência, a vacinação ainda confere proteção significativa e é fundamental para reduzir a gravidade da doença. Portanto, a assertiva III, que afirma baixa efetividade e não priorização, está incorreta. A vacinação deve ser priorizada em ILPIs, com esquemas completos e doses de reforço conforme recomendado.
A distinção crucial nesta questão é entre fatores de risco (que aumentam a gravidade) e medidas de prevenção (que reduzem o risco). A banca explora a confusão entre a resposta imune atenuada (que justifica reforços, mas não abandono da vacina) e a inefetividade total. Guarde: imunossenescência não significa ausência de benefício vacinal — significa necessidade de estratégias adicionais, como doses de reforço.
A assertiva I está correta. Idade avançada e comorbidades são fatores de risco bem estabelecidos para evolução grave e óbito por COVID-19. A imunossenescência, declínio da função imunológica com o envelhecimento, compromete a resposta imune, aumentando a susceptibilidade a infecções e complicações. Dados epidemiológicos confirmam que a mortalidade aumenta com a idade e com o número de comorbidades, sendo os idosos institucionalizados particularmente vulneráveis.
A assertiva II está correta. Em surtos em ILPIs, medidas como isolamento de casos, testagem ampliada, uso adequado de EPIs e controle rigoroso de visitas são fundamentais para conter a transmissão. Essas ações interrompem a cadeia de transmissão do SARS-CoV-2 em ambiente fechado e de alta circulação, protegendo uma população de alto risco. São recomendações de órgãos de saúde como ANVISA e Ministério da Saúde.
A assertiva III está incorreta. A vacinação contra COVID-19 apresenta alta efetividade em idosos institucionalizados, reduzindo significativamente casos graves, hospitalizações e óbitos. Embora a resposta imune possa ser atenuada pela imunossenescência, a vacinação ainda confere proteção substancial e deve ser priorizada como estratégia preventiva, com esquemas completos e doses de reforço. Afirmar baixa efetividade e não priorização contraria as evidências científicas e as recomendações de saúde pública.
Gabarito: letra D — corretas apenas I e II.
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