Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693785
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Geriatria
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas I e II.
Gabarito: letra D — estão corretas apenas as assertivas I e II. A assertiva I descreve corretamente as alterações fisiológicas do sono no envelhecimento (redução do sono profundo e REM, maior fragmentação), e a assertiva II identifica corretamente a apneia obstrutiva do sono (AOS) como condição prevalente e de risco. A assertiva III está incorreta porque o uso de antidepressivos sedativos como a trazodona não é a primeira abordagem para insônia em idosos — a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é o tratamento de primeira linha, conforme as diretrizes atuais.
O envelhecimento normal traz alterações estruturais do sono que explicam grande parte das queixas em idosos. Com o avançar da idade, há uma diminuição progressiva do sono de ondas lentas (sono profundo, estágio N3) e do sono REM, além de aumento da latência do sono (tempo para adormecer) e da fragmentação do sono (despertares noturnos mais frequentes). Essas mudanças são fisiológicas e podem, por si só, gerar queixas de insônia, mesmo sem doença associada. É importante destacar que a necessidade de sono não diminui com a idade — o que muda é a arquitetura do sono, tornando-o mais leve e fragmentado. Essa é a base da assertiva I, que está correta.
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é um dos distúrbios do sono mais prevalentes em idosos. Caracteriza-se por episódios repetidos de colapso completo ou parcial das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em apneias (cessação do fluxo aéreo) ou hipopneias (redução do fluxo), com dessaturação de oxigênio e despertares. O quadro clássico inclui ronco intenso, pausas respiratórias observadas pelo companheiro de quarto, sensação de sufocamento noturno e sonolência diurna excessiva. A AOS está associada a maior risco cardiovascular (hipertensão, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca, AVC), metabólico (diabetes, obesidade, resistência à insulina) e cognitivo (comprometimento de memória e atenção, risco de demência). A assertiva II está correta ao descrever essa relação.
O tratamento da insônia em idosos merece atenção especial. A base do tratamento é a abordagem não farmacológica, com destaque para a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), que inclui controle de estímulos, restrição do sono e técnicas de relaxamento. As evidências fortes sustentam a TCC-I como primeira linha. O uso de medicamentos, incluindo a trazodona (um antidepressivo com efeito sedativo), deve ser considerado apenas como adjuvante ou em casos selecionados, e nunca como primeira abordagem isolada. Além disso, os medicamentos comumente prescritos para insônia, como benzodiazepínicos e hipnóticos não benzodiazepínicos, estão associados a comprometimento cognitivo e quedas em idosos — um risco que deve ser sempre ponderado. A assertiva III, portanto, está incorreta.
A questão explora a fronteira entre o que é fisiológico no envelhecimento (assertiva I), o que é patológico e merece investigação (assertiva II) e o que é a conduta adequada (assertiva III). A pegadinha está em considerar a trazodona como primeira linha, quando na verdade a TCC-I é o padrão-ouro. Guarde essa distinção: alterações do sono são esperadas com a idade, mas a abordagem terapêutica deve priorizar medidas não farmacológicas.
A assertiva descreve com precisão as alterações do sono no envelhecimento. Há redução do sono profundo (estágio N3) e do sono REM, além de maior fragmentação do sono e aumento da latência. Essas mudanças são fisiológicas e podem favorecer queixas de insônia mesmo sem doença associada. O texto de apoio confirma: "diminuição do sono profundo (estágio N3), maior latência do sono e diminuição da eficiência do sono" são mudanças na estrutura do sono com o envelhecimento.
A assertiva identifica corretamente a apneia obstrutiva do sono. Ronco intenso associado a pausas respiratórias observadas pelo companheiro de quarto é o quadro clássico de AOS. A condição é prevalente em idosos e está relacionada a maior risco cardiovascular, metabólico e cognitivo. O texto de apoio confirma: "Os pacientes com AOS apresentam, tipicamente, pelo menos um destes sinais/sintomas: ronco, despertar com respiração ofegante/sufocamento" e "as pausas respiratórias que se interpõem aos roncos são relatadas em cerca de 75% dos casos, sendo observadas pelo(a) companheiro(a)".
A assertiva está incorreta ao afirmar que a trazodona pode ser considerada a primeira abordagem para insônia em idosos. A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é o tratamento de primeira linha, com evidências fortes. O texto de apoio confirma: "Evidências fortes sustentam a terapia cognitivo-comportamental para a insônia (TCC-I) e outras abordagens não farmacológicas, incluindo técnicas de controle de estímulos, restrição do sono e de relaxamento". A trazodona, quando usada, é uma opção farmacológica adjuvante, não a primeira escolha.
A banca tenta fazer o candidato acreditar que a trazodona é a primeira abordagem para insônia em idosos. Na prática, a TCC-I é o padrão-ouro. Lembre-se: em geriatria, a regra é "menos medicamento, mais abordagem não farmacológica" — e isso vale especialmente para o sono.
Para questões de insônia em idosos, memorize a hierarquia: 1º TCC-I e higiene do sono; 2º tratar comorbidades (apneia, refluxo, dor); 3º só então considerar farmacoterapia, com cautela e por curto período. Essa sequência resolve a maioria das questões sobre o tema.
Gabarito: letra D — corretas apenas as assertivas I e II.
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