Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg693786
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
Homem, 83 anos, com carcinoma de próstata metastático para ossos, encontra-se em cuidados paliativos exclusivos. Apresenta fragilidade grave e dor lombar contínua de forte intensidade, com escore 9/10, não controlada com analgésicos não opioides. Refere redução do apetite e sonolência leve. Exames laboratoriais revelam creatinina de 2,1 mg/dL e taxa de filtração glomerular estimada de 34 mL/min/1,73m². Considerando a escolha de opioide em caso de idoso frágil com disfunção renal moderada, qual é a melhor opção?
ABuprenorfina, devido à metabolização predominantemente hepática e menor risco de acúmulo de metabólitos ativos.
BMorfina, pela facilidade de titulação, independentemente da função renal.
CCodeína, por apresentar baixo risco de toxicidade em insuficiência renal.
DTramadol, por não formar metabólitos clinicamente relevantes.
EOxicodona, por apresentar uma farmacodinâmica previsível na doença renal crônica.
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GabaritoA — Buprenorfina, devido à metabolização predominantemente hepática e menor risco de acúmulo de metabólitos ativos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Escolha de opioide em idoso frágil com disfunção renal moderada
Gabarito: letra A. Em paciente idoso frágil com TFG de 34 mL/min/1,73m² (disfunção renal moderada), a buprenorfina é a melhor opção por ser metabolizada predominantemente pelo fígado, com excreção renal mínima e baixo risco de acúmulo de metabólitos ativos — diferentemente da morfina, codeína, tramadol e oxicodona, que possuem metabólitos ativos eliminados por via renal e podem se acumular, causando toxicidade.
A escolha do opioide em pacientes com doença renal crônica é um desafio clínico frequente, especialmente em idosos frágeis, que já apresentam alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas próprias do envelhecimento. A dor oncológica de forte intensidade (escore 9/10) exige opioide forte, mas a função renal comprometida (TFG 34 mL/min/1,73m²) contraindica opioides cujos metabólitos ativos dependem da excreção renal para não se acumularem. O acúmulo desses metabólitos pode causar neurotoxicidade, sedação excessiva, mioclonia e até depressão respiratória — eventos graves, sobretudo em um paciente de 83 anos em cuidados paliativos.
A buprenorfina é um opioide semissintético, agonista parcial dos receptores μ, com metabolização hepática (via CYP3A4) e eliminação predominantemente biliar/fecal. Seus metabólitos (buprenorfina-3-glicuronídeo e norbuprenorfina) têm atividade farmacológica mínima e não se acumulam significativamente na insuficiência renal, o que a torna uma opção segura nesse cenário. Além disso, apresenta teto de efeito para depressão respiratória, o que confere maior segurança em idosos frágeis. A morfina, por outro lado, é metabolizada em morfina-6-glicuronídeo (M6G) e morfina-3-glicuronídeo (M3G), ambos eliminados por via renal; na disfunção renal, esses metabólitos se acumulam e podem causar toxicidade neurológica. A codeína é uma pró-droga que depende da conversão hepática em morfina (via CYP2D6), e seus metabólitos também se acumulam na insuficiência renal. O tramadol, além de ter metabólito ativo (O-desmetiltramadol) eliminado por via renal, reduz o limiar convulsivo e interage com a serotonina, o que aumenta o risco em idosos. A oxicodona, embora seja uma opção útil, também possui metabólitos ativos (oximorfona e noroxicodona) que se acumulam na disfunção renal, exigindo redução de dose e monitorização.
Na prática, a regra é: em disfunção renal, prefira opioides com metabolização hepática predominante e metabólitos inativos ou sem atividade relevante, como a buprenorfina, o fentanil e o metadona (este último com cautela). Evite morfina, codeína, tramadol e oxicodona, ou use-os com redução de dose e monitorização rigorosa. A banca explora exatamente essa distinção: o candidato que conhece a farmacocinética de cada opioide identifica a buprenorfina como a escolha mais segura.
Guarde o critério decisivo: metabólitos ativos com excreção renal × metabolização hepática com metabólitos inativos. É essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.
Opioide
Metabolização predominante
Metabólitos ativos
Excreção dos metabólitos
Segurança na disfunção renal moderada (TFG 34 mL/min)
Buprenorfina (correta)
Hepática (CYP3A4)
Atividade mínima
Biliar/fecal
✅ Segura — baixo risco de acúmulo
Morfina
Hepática
Sim (M6G, M3G)
Renal
❌ Risco de acúmulo e neurotoxicidade
Codeína
Hepática (pró-droga → morfina)
Sim (morfina)
Renal
❌ Risco de acúmulo
Tramadol
Hepática
Sim (O-desmetiltramadol)
Renal
❌ Risco de acúmulo + redução do limiar convulsivo
Oxicodona
Hepática
Sim (oximorfona, noroxicodona)
Renal
❌ Risco de acúmulo — usar com cautela
Opioides na disfunção renal
1Seguros (metabólitos inativos)
Buprenorfina
Fentanil
Metadona (com cautela)
2Evitar (metabólitos renais ativos)
Morfina (M6G)
Codeína (pró-droga)
Tramadol (convulsão)
Oxicodona (oximorfona)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A buprenorfina é a melhor opção porque sua metabolização é predominantemente hepática, com formação de metabólitos de baixa atividade farmacológica e eliminação principalmente biliar/fecal. Na disfunção renal moderada (TFG 34 mL/min/1,73m²), não há acúmulo significativo de metabólitos ativos, o que reduz o risco de neurotoxicidade e sedação excessiva. Além disso, seu teto de efeito para depressão respiratória confere segurança adicional em idoso frágil.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A morfina é contraindicada na disfunção renal moderada a grave. Seus metabólitos ativos, especialmente a morfina-6-glicuronídeo (M6G), são eliminados por via renal e se acumulam na insuficiência renal, podendo causar toxicidade neurológica (mioclonia, sedação, depressão respiratória). A facilidade de titulação não supera o risco de acúmulo de metabólitos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A codeína é uma pró-droga que é metabolizada em morfina, e seus metabólitos (incluindo a morfina) são eliminados por via renal. Na insuficiência renal, há risco de acúmulo e toxicidade. Além disso, a codeína tem eficácia analgésica limitada e depende da conversão hepática via CYP2D6, que pode ser variável. Não é uma opção segura nesse cenário.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tramadol forma metabólitos clinicamente relevantes, especialmente o O-desmetiltramadol, que é eliminado por via renal e se acumula na disfunção renal. Além disso, o tramadol reduz o limiar convulsivo e tem efeitos serotoninérgicos, o que aumenta o risco de eventos adversos em idosos frágeis. A afirmação de que "não forma metabólitos clinicamente relevantes" é falsa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A oxicodona possui metabólitos ativos (oximorfona e noroxicodona) que são eliminados por via renal e podem se acumular na doença renal crônica, causando toxicidade. Embora seja um opioide útil, não é a melhor opção em disfunção renal moderada, pois exige redução de dose e monitorização rigorosa. A farmacodinâmica previsível não elimina o risco de acúmulo de metabólitos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre opioides com metabolização hepática (buprenorfina, fentanil) e opioides com metabólitos ativos de excreção renal (morfina, codeína, tramadol, oxicodona). O candidato que memoriza apenas a potência analgésica ou a facilidade de titulação erra a questão. A chave é identificar qual opioide não se acumula na insuficiência renal.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de opioides em disfunção renal, monte uma tabela mental: opioides seguros (buprenorfina, fentanil, metadona com cautela) × opioides a evitar ou usar com cautela (morfina, codeína, tramadol, oxicodona). Lembre-se: o problema não é o opioide em si, mas seus metabólitos ativos que dependem da excreção renal.