Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2026

MedicinaOncologia
Código
qg693798
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
A respeito do câncer de endométrio, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. ATrata-se de uma neoplasia mais frequente em mulheres na pós-menopausa.
  2. BA síndrome dos ovários policísticos constitui fator de risco para seu desenvolvimento.
  3. CO diagnóstico costuma ser precoce, uma vez que geralmente cursa com sangramento uterino anormal.
  4. DO método padrão-ouro para confirmação diagnóstica é a histeroscopia com biópsia endometrial.
  5. EO estadiamento do câncer de endométrio é realizado com base em exames de imagem.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — O estadiamento do câncer de endométrio é realizado com base em exames de imagem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de endométrio: epidemiologia, diagnóstico e estadiamento

Gabarito: letra E — a alternativa incorreta é a que afirma que o estadiamento do câncer de endométrio é realizado com base em exames de imagem. Na verdade, o estadiamento é cirúrgico (FIGO), baseado na avaliação anatomopatológica da peça operatória, e não em exames de imagem. As demais alternativas estão corretas.

O câncer de endométrio é a neoplasia maligna mais comum do trato genital feminino nos países desenvolvidos, e sua incidência vem aumentando nas últimas décadas, em grande parte devido ao envelhecimento populacional e ao aumento da obesidade. Trata-se de um tumor epitelial maligno que exibe diferenciação glandular, sendo o adenocarcinoma endometrioide o tipo histológico mais frequente (mais de 80% dos casos). A compreensão de sua epidemiologia, fatores de risco, forma de apresentação clínica, diagnóstico e estadiamento é essencial para o manejo adequado.

A doença está fortemente associada à exposição ao estrogênio sem oposição da progesterona. Os fatores de risco clássicos incluem obesidade, nuliparidade, menopausa tardia, uso de tamoxifeno, terapia de reposição hormonal com estrogênio isolado e condições que cursam com anovulação crônica, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP). A SOP, ao promover ciclos anovulatórios persistentes, leva à estimulação estrogênica contínua do endométrio sem a ação protetora da progesterona, aumentando o risco de hiperplasia e carcinoma endometrial. Por outro lado, o uso de anticoncepcionais orais combinados e o tabagismo (por seus efeitos antiestrogênicos) são fatores protetores.

A apresentação clínica mais comum é o sangramento uterino anormal, especialmente o sangramento pós-menopausa. Estima-se que 70 a 90% das mulheres com câncer endometrial apresentem sangramento após a menopausa. Essa característica é responsável pelo diagnóstico precoce da doença: a maioria das mulheres é diagnosticada em estágio inicial, quando o tumor ainda está confinado ao corpo uterino. O sangramento uterino anormal em mulheres na pós-menopausa é uma indicação formal de investigação da cavidade endometrial, mesmo que seja uma pequena perda de sangue.

O diagnóstico é confirmado por meio da análise histológica do endométrio. A histeroscopia com biópsia endometrial é considerada o método padrão-ouro, pois permite a visualização direta da cavidade uterina e a coleta dirigida de material das lesões suspeitas. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial de triagem, avaliando a espessura endometrial (normal ≤ 4 mm após a menopausa), mas não confirma o diagnóstico. A biópsia de endométrio às cegas (como a realizada com a cânula de Pipelle) tem valor se o resultado for positivo; se negativo, a histeroscopia com biópsia ou a dilatação e curetagem estão indicadas.

O estadiamento do câncer de endométrio é cirúrgico, conforme a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). Isso significa que o estadiamento definitivo é determinado pela avaliação anatomopatológica da peça cirúrgica obtida na histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral e avaliação linfonodal. Os exames de imagem (como TC, RM ou PET-CT) podem ser utilizados no pré-operatório para avaliar doença metastática ou na investigação de recidivas, mas não substituem o estadiamento cirúrgico. Essa é a pegadinha central da questão: a banca tenta fazer o candidato acreditar que o estadiamento é feito por imagem, quando na verdade é cirúrgico.

Guarde bem essa distinção: diagnóstico (histeroscopia com biópsia) versus estadiamento (cirúrgico, FIGO). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ✅ Correta

A afirmação está correta. O câncer de endométrio é mais frequente em mulheres na pós-menopausa, com pico de incidência na faixa etária entre 50 e 59 anos. A média de idade ao diagnóstico é de cerca de 51 anos, e apenas 5% dos casos ocorrem antes dos 40 anos. O sangramento pós-menopausa é a manifestação clínica mais comum, o que reforça a associação com essa faixa etária.

Alternativa B — ✅ Correta

A afirmação está correta. A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de endométrio, pois cursa com anovulação crônica e, consequentemente, exposição prolongada do endométrio ao estrogênio sem oposição da progesterona. Esse estímulo estrogênico contínuo leva à proliferação endometrial, podendo evoluir para hiperplasia e carcinoma.

Alternativa C — ✅ Correta

A afirmação está correta. O diagnóstico costuma ser precoce porque a doença geralmente cursa com sangramento uterino anormal, especialmente sangramento pós-menopausa, que é um sintoma de alerta que leva a mulher a procurar atendimento médico. Estima-se que 70 a 90% das mulheres com câncer endometrial apresentem sangramento após a menopausa, e a maioria é diagnosticada em estágio inicial, quando o tumor ainda está confinado ao útero.

Alternativa D — ✅ Correta

A afirmação está correta. A histeroscopia com biópsia endometrial é o método padrão-ouro para confirmação diagnóstica do câncer de endométrio. A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina e a coleta dirigida de material das lesões suspeitas, sendo mais precisa que a curetagem com dilatação e menos invasiva. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial de triagem, mas não confirma o diagnóstico.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmação está incorreta. O estadiamento do câncer de endométrio é cirúrgico, conforme a classificação FIGO, e não baseado em exames de imagem. O estadiamento definitivo é determinado pela avaliação anatomopatológica da peça cirúrgica obtida na histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral e avaliação linfonodal. Os exames de imagem podem ser utilizados no pré-operatório para avaliar doença metastática ou na investigação de recidivas, mas não substituem o estadiamento cirúrgico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o método de estadiamento pelo método de diagnóstico. O diagnóstico é feito por histeroscopia com biópsia (padrão-ouro), mas o estadiamento é cirúrgico (FIGO), baseado na análise da peça operatória. Os exames de imagem são complementares, não definidores do estágio. Fique atento a essa distinção — ela é clássica em provas de oncologia ginecológica.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, lembre-se: diagnóstico = histeroscopia com biópsia; estadiamento = cirúrgico (FIGO). Quando a questão falar em "estadiamento", desconfie de qualquer alternativa que mencione exames de imagem como método principal. O estadiamento cirúrgico é a regra para a maioria dos tumores ginecológicos (endométrio, ovário), enquanto o colo do útero tem estadiamento clínico.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/qg693798