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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg693803
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Paciente de 28 anos, G1P0, com 10 semanas de gestação, sem antecedentes pessoais de diabetes, realiza exames laboratoriais de rotina do primeiro trimestre, apresentando uma glicemia de jejum de 94 mg/dL. Considerando os critérios atuais para diagnóstico e manejo do diabetes melito na gestação, assinale a alternativa correta.
  1. AA paciente não apresenta diabetes melito gestacional, devendo realizar o teste oral de tolerância à glicose (TOTG 75 g) entre 24 e 28 semanas.
  2. BO diagnóstico é de diabetes melito gestacional, não sendo necessário realizar TOTG para confirmação diagnóstica.
  3. CO valor da glicemia de jejum é limítrofe, insuficiente para diagnóstico, sendo obrigatória a repetição do exame em jejum.
  4. DO diagnóstico é de diabetes melito pré-gestacional, devendo ser iniciado tratamento farmacológico imediato.
  5. EA glicemia de jejum isolada não tem valor diagnóstico na gestação, sendo o TOTG o único exame válido.
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GabaritoB — O diagnóstico é de diabetes melito gestacional, não sendo necessário realizar TOTG para confirmação diagnóstica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes melito gestacional: diagnóstico pelo valor de glicemia de jejum

Gabarito: letra B. A glicemia de jejum de 94 mg/dL em qualquer fase da gestação já é suficiente para o diagnóstico de diabetes melito gestacional (DMG), conforme os critérios da IADPSG adotados no Brasil — não sendo necessário realizar o TOTG para confirmação. O valor de 94 mg/dL supera o limiar de 92 mg/dL, que é o ponto de corte diagnóstico para DMG na glicemia de jejum.

O diabetes melito gestacional é definido como a intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. A gestação é um estado de resistência insulínica fisiológica, mediado por hormônios placentários (lactogênio placentário, progesterona, cortisol), que pode desmascarar uma predisposição ao diabetes. O diagnóstico precoce é fundamental porque a hiperglicemia materna não tratada associa-se a complicações maternas e fetais, como pré-eclâmpsia, macrossomia, distócia de ombro e hipoglicemia neonatal.

Os critérios diagnósticos atuais, baseados no estudo HAPO e recomendados pela IADPSG (2010), foram endossados no Brasil pela OPAS, Ministério da Saúde, Febrasgo e SBD (2016). Eles estabelecem que o diagnóstico de DMG pode ser feito por um único valor alterado em qualquer um dos três pontos do TOTG de 75 g, ou pela glicemia de jejum isolada, conforme a tabela abaixo:

Medida

Limiar diagnóstico (mg/dL)

Glicemia de jejum

≥ 92

TOTG 75 g – 1 hora

≥ 180

TOTG 75 g – 2 horas

≥ 153

Na prática, o fluxograma recomendado para o rastreamento no primeiro trimestre é: realizar glicemia de jejum em toda gestante. Se o valor for ≥ 126 mg/dL, o diagnóstico é de diabetes melito pré-gestacional (diabetes manifestado na gestação), não DMG. Se o valor estiver entre 92 e 125 mg/dL, o diagnóstico é de DMG, sem necessidade de TOTG. Se for < 92 mg/dL, a gestante deve realizar o TOTG de 75 g entre 24 e 28 semanas para rastreamento tardio.

A pegadinha central desta questão está em distinguir os três cenários: glicemia de jejum < 92 mg/dL (normal, segue com TOTG posterior), entre 92 e 125 mg/dL (DMG, já diagnosticado) e ≥ 126 mg/dL (diabetes pré-gestacional, que exige conduta mais agressiva). A banca explora exatamente essa fronteira: o valor de 94 mg/dL cai na faixa intermediária, que muitos candidatos interpretam como "limítrofe" ou "pré-diabetes", mas que, na gestação, já é diagnóstico de DMG.

Guarde o critério decisivo: na gestação, o ponto de corte da glicemia de jejum para DMG é 92 mg/dL — acima disso, o diagnóstico está fechado e não se espera o TOTG para confirmar. É essa fronteira que separa as alternativas corretas das incorretas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a paciente "não apresenta DMG" e que deve realizar o TOTG entre 24 e 28 semanas. O erro está em considerar 94 mg/dL como normal. Como o valor é ≥ 92 mg/dL, o diagnóstico de DMG já está estabelecido, e o TOTG não é necessário para confirmação — ele seria indicado apenas se a glicemia de jejum fosse < 92 mg/dL.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A glicemia de jejum de 94 mg/dL é ≥ 92 mg/dL, o que preenche o critério diagnóstico de DMG. Conforme o fluxograma da IADPSG, um único valor alterado já é suficiente para o diagnóstico, não sendo necessário realizar o TOTG para confirmação. A conduta correta é iniciar o manejo do DMG (dieta, atividade física e monitoramento glicêmico).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o valor é "limítrofe, insuficiente para diagnóstico" e que é obrigatória a repetição do exame. O valor de 94 mg/dL não é limítrofe — ele está acima do limiar de 92 mg/dL, portanto é diagnóstico. A repetição do exame não é obrigatória; o diagnóstico já está firmado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Classifica o caso como diabetes pré-gestacional. O diabetes pré-gestacional (ou diabetes manifestado na gestação) é diagnosticado quando a glicemia de jejum é ≥ 126 mg/dL, ou quando há critérios de diabetes fora da gestação (HbA1c ≥ 6,5%, glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL com sintomas). Com 94 mg/dL, o diagnóstico é de DMG, não de diabetes pré-gestacional. O tratamento farmacológico imediato não é a conduta inicial para DMG — inicia-se com medidas não farmacológicas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a glicemia de jejum isolada "não tem valor diagnóstico" e que o TOTG é o único exame válido. Isso contraria os critérios da IADPSG, que reconhecem a glicemia de jejum como um dos três pontos diagnósticos do DMG, com limiar de 92 mg/dL. A glicemia de jejum tem valor diagnóstico sim, e o TOTG não é o único exame válido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os critérios de DMG e os de diabetes fora da gestação. Fora da gestação, glicemia de jejum de 94 mg/dL é normal (limiar de 126 mg/dL para diabetes e 100 mg/dL para pré-diabetes). Mas na gestação, o limiar cai para 92 mg/dL — e 94 mg/dL já é DMG. Não caia nessa: o valor que seria "normal" fora da gravidez é diagnóstico durante a gravidez.

PEGA ESSA DICA!

Memorize os três limiares da glicemia de jejum na gestação: < 92 mg/dL (normal, seguir com TOTG entre 24-28 semanas), 92–125 mg/dL (DMG, sem TOTG), ≥ 126 mg/dL (diabetes pré-gestacional). Na prova, quando o valor estiver entre 92 e 125, a resposta é DMG — não "limítrofe" nem "pré-diabetes".

Gabarito: letra B

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