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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg693806
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Paciente de 24 anos, G1P0, realiza sorologia para toxoplasmose com 17 semanas de gestação, apresentando IgG e IgM positivos. Qual deve ser a consulta inicial mais adequada?
  1. AIniciar espiramicina imediatamente e solicitar teste de avidez do IgG.
  2. BIniciar espiramicina imediatamente e repetir sorologia em duas semanas.
  3. CIniciar esquema tríplice imediatamente e solicitar ultrassonografia fetal mensal para seguimento.
  4. DIniciar esquema tríplice imediatamente e solicitar teste de avidez do IgG.
  5. EIniciar esquema tríplice e realizar amniocentese imediatamente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Iniciar esquema tríplice imediatamente e solicitar ultrassonografia fetal mensal para seguimento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Toxoplasmose na gestação: conduta diante de IgG e IgM reagentes

Gabarito: letra C. Diante de sorologia com IgG e IgM reagentes na gestação, há possibilidade de infecção aguda, e a conduta inicial recomendada é iniciar espiramicina (não o esquema tríplice) e solicitar o teste de avidez do IgG na mesma amostra, conforme a interpretação da sorologia e a conduta indicada pelo Ministério da Saúde. A alternativa C erra ao indicar o esquema tríplice (pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico) como conduta inicial, pois esse esquema é reservado para casos de infecção fetal comprovada ou infecção adquirida no 3º trimestre, e também erra ao solicitar ultrassonografia mensal como primeira medida, quando o passo inicial é o teste de avidez.

A toxoplasmose é uma zoonose causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, e na gestação a preocupação central é a transmissão vertical, que pode causar danos fetais como calcificações intracranianas, hidrocefalia e coriorretinite. O risco de transmissão aumenta com a idade gestacional (é baixo no início e chega a cerca de 87% no final da gestação), mas a gravidade da doença fetal é inversamente proporcional: infecções precoces tendem a ser mais graves. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais.

A base do diagnóstico é a sorologia para IgG e IgM, solicitada na primeira consulta de pré-natal. A interpretação dos resultados segue um fluxo bem definido, e é exatamente aí que mora o cerne da questão. Quando a gestante apresenta IgG e IgM reagentes, existem duas possibilidades principais: infecção aguda recente ou infecção passada com IgM residual (que pode persistir por meses ou anos). Para distinguir essas situações, o exame de escolha é o teste de avidez do IgG, que avalia a força de ligação entre o anticorpo e o antígeno. Avidez baixa (inferior a 15%) indica infecção nos últimos 3 meses; avidez alta (superior a 30%) indica infecção há mais de 6 meses; valores entre 15% e 29% são inconclusivos.

Enquanto se aguarda o resultado da avidez, a conduta é iniciar a espiramicina, na dose de 3 g/dia (1 g de 8/8 horas). A espiramicina é um macrolídeo que não atravessa bem a placenta, mas é eficaz em reduzir a transmissão vertical quando a infecção ocorre no 1º ou 2º trimestre, sem evidência de doença fetal. O esquema tríplice (pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico) é utilizado apenas quando há confirmação de infecção fetal (por amniocentese com PCR) ou quando a infecção é adquirida no 3º trimestre, pois essas drogas atingem níveis terapêuticos no feto, mas têm potencial teratogênico, especialmente a pirimetamina, que é folato-antagonista.

A alternativa C, apontada como gabarito, está incorreta porque indica o esquema tríplice como conduta inicial, o que contraria a recomendação de iniciar espiramicina nesse cenário. Além disso, solicitar ultrassonografia fetal mensal não é a primeira medida; a ultrassonografia é útil para avaliar repercussões fetais (como calcificações e dilatação ventricular) quando há suspeita de infecção fetal, mas não substitui o teste de avidez na investigação inicial. A conduta correta, conforme a tabela de interpretação da sorologia, é: IgG reagente + IgM reagente → possibilidade de infecção aguda → fazer teste de avidez de IgG na mesma amostra e iniciar espiramicina enquanto aguarda o resultado.

A pegadinha desta questão está em confundir o esquema terapêutico inicial com o esquema para infecção fetal comprovada. O candidato que sabe que o esquema tríplice é para casos confirmados de infecção fetal ou 3º trimestre não cai na armadilha. A banca também explora a confusão entre o teste de avidez (que deve ser solicitado na mesma amostra) e a repetição da sorologia em duas semanas (que é indicada em outros cenários, como IgM reagente com IgG não reagente).

  1. 1Iniciar espiramicina 3g/dia
  2. 2Teste de avidez do IgG
  3. 3Avaliar resultado da avidez
  4. 4Definir esquema terapêutico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A erra ao afirmar que se deve "iniciar espiramicina imediatamente e solicitar teste de avidez do IgG". Embora a conduta de iniciar espiramicina e solicitar avidez esteja correta, a alternativa A não é a resposta porque a questão pede a "consulta inicial mais adequada" e a alternativa C, apesar de incorreta, é o gabarito oficial. Na verdade, a alternativa A descreve exatamente a conduta correta, mas a banca a considerou incorreta, provavelmente por um erro de elaboração ou por considerar que a avidez deve ser solicitada na mesma amostra, o que a alternativa A também faz. No entanto, como o gabarito oficial é C, devemos analisar as alternativas à luz do que a banca considerou correto. A alternativa A está incorreta porque, embora a conduta esteja certa, a banca entendeu que a resposta correta é a C, que indica o esquema tríplice. Isso é um erro da banca, mas devemos seguir o gabarito oficial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B erra ao indicar "repetir sorologia em duas semanas" como conduta inicial. A repetição da sorologia em 2 a 3 semanas é indicada em outros cenários, como quando há IgM reagente com IgG não reagente (infecção muito recente ou falso-positivo), mas não é a conduta inicial diante de IgG e IgM reagentes. Nesse caso, o passo correto é solicitar o teste de avidez do IgG na mesma amostra, que é mais informativo para distinguir infecção aguda de crônica. Além disso, a alternativa B também erra ao indicar espiramicina, que é a conduta correta, mas a repetição da sorologia não é o exame de escolha inicial.

Alternativa C — ✅ Correta (gabarito oficial)

A alternativa C é o gabarito oficial, mas está tecnicamente incorreta. Ela indica "iniciar esquema tríplice imediatamente e solicitar ultrassonografia fetal mensal para seguimento". O esquema tríplice (pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico) não é a conduta inicial diante de IgG e IgM reagentes sem confirmação de infecção fetal; a conduta correta é iniciar espiramicina e solicitar teste de avidez. A ultrassonografia mensal também não é a primeira medida; ela é útil para seguimento quando há suspeita de infecção fetal, mas não substitui o teste de avidez na investigação inicial. Portanto, a alternativa C está errada, mas é o gabarito oficial. Devemos aceitar o gabarito, mas é importante que o aluno saiba que a conduta correta é a descrita na alternativa A.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D erra ao indicar "iniciar esquema tríplice imediatamente e solicitar teste de avidez do IgG". O esquema tríplice não é a conduta inicial; deve-se iniciar espiramicina. O teste de avidez é correto, mas a medicação está errada. A alternativa D mistura a conduta correta (avidez) com a medicação incorreta (tríplice).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E erra ao indicar "iniciar esquema tríplice e realizar amniocentese imediatamente". A amniocentese é um procedimento invasivo, indicado apenas quando há suspeita de infecção fetal e para confirmação diagnóstica por PCR, não como conduta inicial. Além disso, o esquema tríplice não é a primeira escolha. A conduta inicial é espiramicina e teste de avidez.

Conclusão: Apesar de a alternativa A descrever a conduta tecnicamente correta, o gabarito oficial é a letra C. É fundamental que o aluno conheça o fluxo correto: IgG e IgM reagentes → iniciar espiramicina e solicitar teste de avidez do IgG na mesma amostra. O esquema tríplice é reservado para infecção fetal comprovada ou 3º trimestre. A banca, neste caso, apresentou um gabarito controverso, mas devemos seguir a resposta oficial.

Gabarito: letra C

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