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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg693807
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Sobre a transmissão vertical do HIV durante a gestação, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AA carga viral materna está diretamente relacionada ao risco de transmissão vertical do HIV, sendo fundamental mantê-la indetectável durante a gestação.
  2. BGestantes vivendo com HIV não devem amamentar e, por esse motivo, devem receber medicação para supressão da lactação antes da alta hospitalar.
  3. CA terapia antirretroviral (TARV) está indicada para todas as gestantes vivendo com HIV, independentemente da carga viral ou da contagem de linfócitos CD4.
  4. DA principal variável que define a via de parto em gestantes vivendo com HIV é a carga viral materna no final da gestação.
  5. EToda gestante com carga viral detectável, mesmo abaixo de 1.000 cópias/mL, tem a via de parto vaginal formalmente contraindicada.
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GabaritoE — Toda gestante com carga viral detectável, mesmo abaixo de 1.000 cópias/mL, tem a via de parto vaginal formalmente contraindicada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transmissão vertical do HIV: conduta na gestação

Gabarito: letra E — a alternativa incorreta é a que afirma que toda gestante com carga viral detectável, mesmo abaixo de 1.000 cópias/mL, tem a via de parto vaginal formalmente contraindicada. Na verdade, a cesariana eletiva é indicada quando a carga viral é ≥ 1.000 cópias/mL (ou desconhecida) próximo ao parto; abaixo desse valor, o parto vaginal não é contraindicado, desde que outras medidas de prevenção sejam adotadas. As demais alternativas estão corretas.

A transmissão vertical (TV) do HIV é a passagem do vírus da mãe para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação. O risco basal, sem nenhuma intervenção, é de 15% a 45%; com medidas adequadas — TARV durante a gestação, carga viral indetectável e não amamentação — esse risco cai para menos de 2%. O principal fator determinante da TV é a carga viral materna (CV-HIV): quanto maior a viremia, maior o risco de transmissão. Por isso, o objetivo central do pré-natal da gestante vivendo com HIV é alcançar e manter a CV indetectável, o que se faz com terapia antirretroviral (TARV) para todas, independentemente de CD4 ou CV.

A TARV é indicada para todas as gestantes vivendo com HIV, sem exceção — essa é a chamada Estratégia B+. O esquema preferencial no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, é tenofovir/lamivudina/efavirenz (TDF/3TC/EFZ) ou, na impossibilidade, TDF/3TC + atazanavir/ritonavir (ATV/r). O dolutegravir (DTG) é hoje considerado preferencial em toda a gravidez, embora no Brasil ainda seja recomendado após as 12 semanas. A genotipagem pré-tratamento está indicada para todas as gestantes em início de TARV, mas o início do tratamento não deve ser retardado pela espera do resultado.

A via de parto é definida pela carga viral materna no final da gestação. A recomendação é: se a CV for ≥ 1.000 cópias/mL (ou desconhecida) após 34 semanas, indica-se cesariana eletiva, com infusão de zidovudina (AZT) injetável iniciada 3 horas antes do procedimento. Se a CV for < 1.000 cópias/mL, o parto vaginal não é contraindicado — desde que a gestante esteja em uso de TARV e sejam adotadas medidas como AZT intravenoso no trabalho de parto (quando indicado). O conceito "Indetectável = Intransmissível" (I=I) reforça que, com CV indetectável, o risco de transmissão é praticamente zero.

A amamentação é contraindicada para gestantes vivendo com HIV, pois o vírus pode ser transmitido pelo leite materno. Por isso, a mulher deve receber medicação para supressão da lactação antes da alta hospitalar, além de orientações sobre alimentação alternativa do recém-nascido. Essa é uma medida fundamental para completar a prevenção da TV, que começa no pré-natal e termina no pós-parto.

A pegadinha desta questão está na alternativa E: ela usa o limiar de 1.000 cópias/mL de forma invertida. A banca quer que o candidato confunda o valor que indica cesariana (≥ 1.000) com um valor que contraindica o parto vaginal. Na prática, o parto vaginal é permitido quando a CV é < 1.000 cópias/mL, e a cesariana é reservada para CV ≥ 1.000 ou desconhecida. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Carga viral < 1.000 cópias/mL

Carga viral ≥ 1.000 cópias/mL (ou desconhecida)

Via de parto

Parto vaginal permitido (não contraindicado)

Cesariana eletiva indicada

Conduta intraparto

AZT intravenoso no trabalho de parto (quando indicado)

Infusão de AZT injetável iniciada 3 horas antes

Risco de transmissão vertical

Muito baixo (praticamente zero se indetectável)

Aumentado, proporcional à viremia

Alternativa A — ✅ Correta

A carga viral materna é o principal fator de risco para a transmissão vertical do HIV. Quanto maior a viremia, maior o risco de transmissão; por isso, manter a CV indetectável durante a gestação é fundamental para reduzir a TV a menos de 1%. A alternativa está correta.

Alternativa B — ✅ Correta

A amamentação é contraindicada para gestantes vivendo com HIV, pois o vírus pode ser transmitido pelo leite materno. Por isso, a mulher deve receber medicação para supressão da lactação antes da alta hospitalar, além de orientações sobre alimentação alternativa do recém-nascido. A alternativa está correta.

Alternativa C — ✅ Correta

A TARV está indicada para todas as gestantes vivendo com HIV, independentemente da carga viral ou da contagem de CD4. Essa é a Estratégia B+, que visa prevenir a transmissão materno-infantil e sexual, além de impedir a progressão da doença. A alternativa está correta.

Alternativa D — ✅ Correta

A via de parto em gestantes vivendo com HIV é definida pela carga viral materna no final da gestação. Se a CV for ≥ 1.000 cópias/mL (ou desconhecida) após 34 semanas, indica-se cesariana eletiva; se for < 1.000 cópias/mL, o parto vaginal não é contraindicado. A alternativa está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que toda gestante com carga viral detectável, mesmo abaixo de 1.000 cópias/mL, tem a via de parto vaginal formalmente contraindicada. Isso é falso: o parto vaginal é permitido quando a CV é < 1.000 cópias/mL. A cesariana eletiva é indicada apenas quando a CV é ≥ 1.000 cópias/mL (ou desconhecida) próximo ao parto. A banca inverteu o limiar: o valor de 1.000 cópias/mL é o que indica cesariana, não o que contraindica o parto vaginal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o limiar de carga viral para a via de parto. O candidato pode confundir: o valor de 1.000 cópias/mL é o que indica cesariana eletiva, não o que contraindica o parto vaginal. Abaixo de 1.000 cópias/mL, o parto vaginal é permitido. Fique atento a essa inversão clássica.

Gabarito: letra E — a alternativa incorreta é a que afirma que toda gestante com carga viral detectável, mesmo abaixo de 1.000 cópias/mL, tem a via de parto vaginal formalmente contraindicada.

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