Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg693813
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Paciente de 28 anos, previamente hígida, apresenta prurido vulvar intenso há 3 dias e corrimento branco, espesso, em placas aderentes à mucosa vaginal. Nega febre ou disúria. O exame físico confirma a presença de placas esbranquiçadas aderentes à parede vaginal e vulva. O pH vaginal é normal. Com base nesse quadro, assinale a alternativa correta.
AO quadro clínico é compatível com candidíase vulvovaginal, e o diagnóstico de candidíase recorrente é definido por quatro ou mais episódios documentados em um ano.
BTrata-se provavelmente de vaginose bacteriana, devendo ser associado tratamento com creme de corticoide para alívio do prurido intenso.
CO tratamento pode ser tópico ou sistêmico, dependendo exclusivamente da preferência da paciente.
DO tratamento do parceiro sexual nunca é necessário, independentemente da recorrência.
EApenas pacientes com tricomoníase devem ser rastreadas para outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
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GabaritoA — O quadro clínico é compatível com candidíase vulvovaginal, e o diagnóstico de candidíase recorrente é definido por quatro ou mais episódios documentados em um ano.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Candidíase vulvovaginal: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra A. O quadro clínico descrito — prurido vulvar intenso, corrimento branco espesso em placas aderentes e pH vaginal normal — é classicamente compatível com candidíase vulvovaginal, e a definição de candidíase recorrente é de quatro ou mais episódios documentados em um ano, conforme os protocolos do Ministério da Saúde. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a B confunde com vaginose bacteriana e sugere corticoide; a C ignora as indicações clínicas; a D generaliza a não necessidade de tratar o parceiro; e a E restringe o rastreio de ISTs à tricomoníase.
A candidíase vulvovaginal (CVV) é uma infecção endógena do trato genital inferior, causada principalmente pela Candida albicans, um fungo que faz parte da flora vaginal normal. A doença ocorre quando há proliferação excessiva do fungo, geralmente desencadeada por fatores como uso recente de antibióticos, diabetes descontrolado, gestação, imunossupressão ou uso de anticoncepcionais orais. O quadro clínico típico inclui prurido vaginal intenso (o sintoma mais comum e específico), corrimento branco, grumoso e abundante, além de eritema e edema vulvar. Um ponto-chave para o diagnóstico diferencial é o pH vaginal: na candidíase, o pH permanece normal (≤ 4,5), enquanto na vaginose bacteriana e na tricomoníase ele se eleva acima de 4,5. Essa característica é decisiva no caso apresentado, pois o enunciado afirma que o pH vaginal é normal, reforçando o diagnóstico de candidíase.
O tratamento da CVV não complicada pode ser feito com antifúngicos tópicos (como miconazol creme a 2% por 7 dias ou nistatina por 14 dias) ou sistêmicos (fluconazol 150 mg em dose única oral). A escolha entre via tópica e oral não é baseada exclusivamente na preferência da paciente, mas sim em fatores como gravidade do quadro, gestação (em que se prefere via vaginal) e contraindicações. Já a candidíase recorrente — definida como quatro ou mais episódios documentados em um ano — exige abordagem diferenciada: indução com fluconazol 150 mg nos dias 1, 4 e 7, seguida de manutenção com dose semanal por 6 meses. É importante destacar que, na candidíase, o tratamento das parcerias sexuais não é recomendado de rotina, exceto se o parceiro apresentar sintomas — diferente da tricomoníase, em que o parceiro deve ser tratado obrigatoriamente.
A distinção entre as vulvovaginites é essencial para a prática clínica e para a prova. A vaginose bacteriana cursa com corrimento branco-acinzentado, bolhas finas, odor de peixe (teste de Whiff positivo) e pH > 4,5, sendo a causa mais comum de corrimento vaginal anormal no menacma. A tricomoníase apresenta corrimento amarelo-esverdeado, pH elevado e sintomas irritativos intensos. A candidíase, por sua vez, tem pH normal e corrimento branco em placas aderentes. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que não domina as características de cada infecção pode facilmente trocar a candidíase pela vaginose bacteriana, como faz a alternativa B. Guarde o critério do pH e o aspecto do corrimento — são eles que separam as três principais causas de vulvovaginite.
Critério
Candidíase Vulvovaginal
Vaginose Bacteriana
Tricomoníase
Agente etiológico
Candida albicans (fungo)
Bactérias anaeróbias
Trichomonas vaginalis (protozoário)
Aspecto do corrimento
Branco, espesso, em placas aderentes
Branco-acinzentado, bolhas finas
Amarelo-esverdeado
pH vaginal
Normal (≤ 4,5)
Elevado (> 4,5)
Elevado (> 4,5)
Sintoma predominante
Prurido intenso
Odor de peixe (Whiff positivo)
Irritação intensa, disúria
Tratamento do parceiro
Não rotineiro (exceto se sintomático)
Não rotineiro
Obrigatório
Candidíase vulvovaginal
1Diagnóstico
Prurido intenso
Corrimento branco em placas
pH vaginal normal
2Tratamento
Tópico (miconazol, nistatina)
Sistêmico (fluconazol 150 mg)
3Recorrente (4+ episódios/ano)
Indução: fluconazol dias 1, 4 e 7
Manutenção: dose semanal por 6 meses
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque descreve com precisão o quadro clínico da candidíase vulvovaginal: prurido intenso, corrimento branco espesso em placas aderentes e pH vaginal normal. Além disso, define corretamente a candidíase recorrente como quatro ou mais episódios documentados em um ano, conforme os protocolos do Ministério da Saúde. Essa definição é fundamental porque muda a abordagem terapêutica: enquanto a CVV não complicada é tratada com dose única, a recorrente exige indução e manutenção prolongada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao classificar o quadro como vaginose bacteriana. Na vaginose bacteriana, o corrimento é branco-acinzentado com bolhas finas e odor característico (teste de Whiff positivo), e o pH vaginal é elevado (> 4,5) — tudo isso contrasta com o quadro descrito, que apresenta placas aderentes e pH normal. Além disso, o uso de corticoide tópico não é o tratamento da vaginose bacteriana, que é feito com metronidazol ou clindamicina. O prurido intenso é muito mais sugestivo de candidíase do que de vaginose bacteriana, que costuma ser oligossintomática.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que a escolha entre tratamento tópico e sistêmico depende exclusivamente da preferência da paciente. Na prática, a decisão é baseada em critérios clínicos: gravidade do quadro, presença de gestação (em que se prefere a via vaginal), contraindicações e histórico de recorrência. Por exemplo, na CVV complicada ou recorrente, o tratamento sistêmico com fluconazol em esquema de indução e manutenção é preferido. A preferência da paciente pode ser considerada, mas não é o único nem o principal fator.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa generaliza de forma incorreta ao afirmar que o tratamento do parceiro sexual nunca é necessário. Na candidíase vulvovaginal, de fato, o tratamento das parcerias sexuais não é recomendado de rotina, mas há exceções: parceiros sintomáticos devem ser tratados. Além disso, em outras infecções como a tricomoníase, o tratamento do parceiro é obrigatório para evitar reinfecção. Portanto, a afirmação "nunca" é excessiva e contraria as diretrizes clínicas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao restringir o rastreio de outras ISTs apenas às pacientes com tricomoníase. Na verdade, qualquer paciente com diagnóstico de IST — incluindo tricomoníase, infecção por Chlamydia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae — deve ser rastreada para outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, HIV e hepatites B e C. O rastreio não se limita à tricomoníase; ele é recomendado para todas as ISTs, especialmente quando há fatores de risco ou diagnóstico de uma delas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as vulvovaginites, especialmente entre candidíase e vaginose bacteriana. O candidato que não domina as características de cada uma pode facilmente marcar a alternativa B, que troca o diagnóstico e ainda sugere corticoide. Lembre-se: pH normal + corrimento branco em placas aderentes + prurido intenso = candidíase. pH > 4,5 + corrimento acinzentado com odor = vaginose bacteriana. Com esse critério, você elimina a pegadinha de imediato.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar o diagnóstico diferencial das vulvovaginites, monte uma tabela mental com três colunas: agente etiológico, aspecto do corrimento e pH vaginal. Candidíase (fungo, corrimento branco grumoso, pH normal), vaginose bacteriana (bactéria anaeróbia, corrimento acinzentado com odor, pH > 4,5) e tricomoníase (protozoário, corrimento amarelo-esverdeado, pH > 4,5). Essa tabela resolve a maioria das questões sobre corrimento vaginal.