Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg693821
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Paciente de 60 anos, G3P3, na menopausa há 8 anos, procura atendimento com queixa de perda involuntária de urina aos esforços, como ao tossir e durante a prática de atividade física. Nega urgência miccional e polaciúria. Ao exame físico, o teste do cotonete evidencia variação de 35º. Exame urodinâmico apresentado pela paciente demonstra pressão de perda aos esforços de 100 cmH2O. Considerando o quadro clínico e os achados complementares, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a causa mais provável da incontinência urinária e o tratamento inicial recomendado.
AHiperatividade do músculo detrusor – modificação do estilo de vida e fisioterapia do assoalho pélvico.
BInsuficiência esfincteriana intrínseca – modificação do estilo de vida e fisioterapia do assoalho pélvico.
CInsuficiência esfincteriana intrínseca – cirurgia de sling de uretra média.
DFraqueza do assoalho pélvico – modificação do estilo de vida e fisioterapia do assoalho pélvico.
EFraqueza do assoalho pélvico – cirurgia de sling de uretra média.
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GabaritoD — Fraqueza do assoalho pélvico – modificação do estilo de vida e fisioterapia do assoalho pélvico.
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Incontinência urinária de esforço: diagnóstico e tratamento inicial
Gabarito: letra D. A paciente apresenta perda involuntária de urina aos esforços, sem urgência miccional, com teste do cotonete evidenciando hipermobilidade do colo vesical (variação de 35º) e pressão de perda aos esforços de 100 cmH2O — quadro clássico de incontinência urinária de esforço (IUE) por fraqueza do assoalho pélvico, cujo tratamento inicial é conservador, com modificação do estilo de vida e fisioterapia do assoalho pélvico. A alternativa D é a única que associa corretamente a causa mais provável ao tratamento inicial recomendado.
A incontinência urinária (IU) é definida como a queixa de qualquer perda involuntária de urina. No caso da incontinência urinária de esforço (IUE), a perda ocorre em situações de aumento da pressão intra-abdominal, como tossir, espirrar, correr ou levantar peso. A causa subjacente é uma deficiência no suporte vesical e uretral, que pode ser decorrente de fraqueza dos músculos do assoalho pélvico ou de lesão/fraqueza do esfíncter uretral. No primeiro caso, há hipermobilidade do colo vesical e da uretra proximal, que se deslocam para baixo durante o esforço, permitindo a perda de urina. No segundo, o esfíncter uretral em si é insuficiente, mesmo com suporte adequado.
O diagnóstico da IUE é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. O teste do cotonete (Q-tip test) avalia a hipermobilidade do colo vesical: um ângulo de repouso e de esforço cuja variação seja maior que 30º indica hipermobilidade, como ocorre na paciente (variação de 35º). A urodinâmica, por sua vez, é um exame complementar que pode ser solicitado em casos selecionados, como falha do tratamento inicial, suspeita de causas neurogênicas ou cirurgia prévia. A pressão de perda aos esforços (VLPP) medida durante a urodinâmica ajuda a diferenciar a IUE por hipermobilidade da insuficiência esfincteriana intrínseca (IEI): valores mais altos (geralmente > 90 cmH2O) sugerem hipermobilidade, enquanto valores baixos (< 60 cmH2O) são típicos de IEI. No caso, a VLPP de 100 cmH2O reforça o diagnóstico de IUE por hipermobilidade/fraqueza do assoalho pélvico, e não de IEI.
O tratamento inicial da IUE é sempre conservador, independentemente da causa. As opções não farmacológicas incluem modificação do estilo de vida (perda de peso, redução da ingesta de cafeína, ajuste da ingesta hídrica) e fisioterapia do assoalho pélvico, com exercícios de fortalecimento muscular (Kegel), biofeedback e eletroestimulação. A cirurgia, como o sling de uretra média, é reservada para os casos em que o tratamento conservador falha ou para pacientes com IEI grave. Portanto, a alternativa que associa corretamente a causa mais provável (fraqueza do assoalho pélvico) ao tratamento inicial (conservador) é a letra D.
A banca explora a confusão entre as duas causas de IUE — hipermobilidade do assoalho pélvico e insuficiência esfincteriana intrínseca — e entre o tratamento inicial e o cirúrgico. A chave para acertar é lembrar que, na IUE, o primeiro passo é sempre o tratamento conservador, e que a VLPP alta (100 cmH2O) aponta para hipermobilidade, não para IEI.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A hiperatividade do músculo detrusor é a causa da incontinência urinária de urgência, caracterizada por perda de urina precedida de urgência miccional. A paciente nega urgência e polaciúria, e a perda ocorre apenas aos esforços, o que afasta essa hipótese. O tratamento proposto (modificação do estilo de vida e fisioterapia) seria adequado para IUE, mas a causa está errada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A insuficiência esfincteriana intrínseca (IEI) é uma causa de IUE, mas não é a mais provável neste caso. A VLPP de 100 cmH2O é alta, o que indica hipermobilidade do colo vesical, e não IEI, que cursa com VLPP baixa (< 60 cmH2O). Além disso, o tratamento inicial da IEI também é conservador, mas a causa apontada está incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A insuficiência esfincteriana intrínseca não é a causa mais provável, como explicado na alternativa B. Além disso, o tratamento inicial da IUE, mesmo na IEI, não é cirúrgico. O sling de uretra média é uma opção para casos refratários ao tratamento conservador ou para IEI grave, mas não é a primeira linha de tratamento.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A paciente apresenta IUE por fraqueza do assoalho pélvico, evidenciada pela hipermobilidade do colo vesical (teste do cotonete com variação de 35º) e pela VLPP alta (100 cmH2O). O tratamento inicial recomendado é conservador, com modificação do estilo de vida e fisioterapia do assoalho pélvico, conforme as diretrizes atuais. Esta é a alternativa que associa corretamente a causa e o tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Embora a causa (fraqueza do assoalho pélvico) esteja correta, o tratamento inicial não é cirúrgico. O sling de uretra média é reservado para casos de falha do tratamento conservador ou para IEI grave, não sendo a primeira linha de tratamento para IUE por hipermobilidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a causa da IUE (hipermobilidade do assoalho pélvico vs. insuficiência esfincteriana intrínseca) e o tratamento inicial (conservador vs. cirúrgico). A VLPP de 100 cmH2O é o dado que desfaz a confusão: valores altos indicam hipermobilidade, não IEI. E lembre-se: na IUE, o tratamento inicial é sempre conservador, independentemente da causa.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de IUE, decore os valores de VLPP: > 90 cmH2O sugere hipermobilidade; < 60 cmH2O sugere IEI. E a regra de ouro: tratamento inicial é sempre conservador (modificação do estilo de vida + fisioterapia do assoalho pélvico); cirurgia é para falha do tratamento conservador ou IEI grave.