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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg693824
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Paliativa/Paliativismo
Homem de 70 anos, com DPOC, insuficiência cardíaca avançada e doença renal crônica estágio IV, é admitido na UTI por sepse de foco pulmonar. Evolui com necessidade de ventilação mecânica invasiva e noradrenalina em dose crescente. Após 7 dias de UTI, mantém disfunções orgânicas persistentes, sem perspectiva de reversão clínica significativa. Apresenta as seguintes pontuações em avaliações da equipe: SOFA: 14, persistente por > 72 horas; APACHE II: 32; PPS: 20% pré-internação; CAM-ICU positivo para delirium; CPOT: 6 durante aspiração traqueal. A família relata que o paciente, antes da internação, expressava desejo de não permanecer “ligado a aparelhos” sem chance de recuperação funcional. Considerando o papel dos cuidados paliativos na UTI e a correta utilização das escalas de avaliação, assinale a alternativa correta.
  1. AA associação de SOFA persistentemente alto, PPS prévio baixo, CAM-ICU positivo e CPOT elevado sustenta sofrimento significativo, mau prognóstico funcional e respalda a integração precoce de cuidados paliativos com discussão de limitação terapêutica.
  2. BO APACHE II elevado confirma terminalidade e deve ser utilizado isoladamente para indicar limitação de suporte avançado.
  3. CO SOFA persistente elevado indica disfunção orgânica grave e irreversível, mas não deve ser considerado em decisões paliativas por ser uma escala exclusivamente prognóstica de curto prazo.
  4. DO CAM-ICU positivo invalida qualquer avaliação de dor pelo CPOT, devendo-se tratar prioritariamente o delirium antes de considerar conforto.
  5. EEscalas de funcionalidade como o PPS não têm aplicabilidade em ambiente de UTI e não devem ser consideradas na tomada de decisão.
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GabaritoA — A associação de SOFA persistentemente alto, PPS prévio baixo, CAM-ICU positivo e CPOT elevado sustenta sofrimento significativo, mau prognóstico funcional e respalda a integração precoce de cuidados paliativos com discussão de limitação terapêutica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados paliativos na UTI: integração de escalas e prognóstico

Gabarito: letra A. A alternativa correta integra, de forma coerente, os achados das escalas (SOFA elevado e persistente, PPS prévio baixo, CAM-ICU positivo e CPOT elevado) para sustentar a percepção de sofrimento significativo, mau prognóstico funcional e respaldo à integração precoce de cuidados paliativos com discussão de limitação terapêutica. As demais alternativas erram ao atribuir a escalas individuais um papel que elas não têm (APACHE II isolado, SOFA como exclusivamente prognóstico de curto prazo, CAM-ICU invalidando CPOT, PPS sem aplicabilidade na UTI).

O cenário clínico apresentado é clássico de uma UTI: paciente idoso, com múltiplas comorbidades graves (DPOC, insuficiência cardíaca avançada, doença renal crônica estágio IV), admitido por sepse de foco pulmonar, que evolui com necessidade de ventilação mecânica invasiva e noradrenalina em dose crescente. Após 7 dias, mantém disfunções orgânicas persistentes, sem perspectiva de reversão clínica significativa. A família relata que o paciente, antes da internação, expressava desejo de não permanecer “ligado a aparelhos” sem chance de recuperação funcional. Esse é o cenário em que os cuidados paliativos devem ser integrados precocemente, não como abandono, mas como uma abordagem que visa aliviar o sofrimento e respeitar a autonomia do paciente.

As escalas citadas na questão têm papéis distintos e complementares. O SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) é uma escala de disfunção orgânica que avalia seis sistemas (respiratório, coagulação, fígado, cardiovascular, neurológico e renal), pontuando de 0 a 4 cada um, com escore máximo de 24. Um SOFA persistente e elevado (> 72 horas) indica disfunção orgânica grave e progressiva, associada a mau prognóstico. O APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II) é um índice prognóstico que estima a mortalidade hospitalar com base em variáveis fisiológicas, idade e comorbidades, coletadas nas primeiras 24 horas de internação na UTI. O PPS (Palliative Performance Scale) é uma escala de funcionalidade que avalia o nível de desempenho do paciente em atividades de vida diária, variando de 0% (morte) a 100% (funcionalidade plena). O CAM-ICU (Confusion Assessment Method for the ICU) é uma ferramenta validada para diagnóstico de delirium em pacientes críticos. O CPOT (Critical-Care Pain Observation Tool) é uma escala observacional de dor, validada para pacientes em ventilação mecânica e incapazes de se comunicar.

A integração dessas escalas é fundamental. O SOFA elevado e persistente indica disfunção orgânica grave e irreversível, o que, somado ao PPS prévio baixo (20%), sugere mau prognóstico funcional. O CAM-ICU positivo indica delirium, que é um marcador de gravidade e está associado a pior prognóstico. O CPOT elevado durante aspiração traqueal indica dor, que deve ser tratada mesmo em pacientes com delirium. A combinação desses fatores, aliada à vontade expressa do paciente, respalda a integração precoce de cuidados paliativos e a discussão de limitação terapêutica. A limitação terapêutica não é uma decisão baseada em uma única escala, mas sim em uma avaliação multidimensional que considera o prognóstico, a qualidade de vida, o sofrimento e a autonomia do paciente.

A pegadinha da questão está em atribuir a uma escala individual um papel que ela não tem. O APACHE II, por exemplo, é um índice prognóstico de mortalidade, mas não deve ser utilizado isoladamente para indicar limitação de suporte avançado. O SOFA, embora seja uma escala de disfunção orgânica, não é exclusivamente prognóstica de curto prazo; sua persistência elevada é um forte indicador de mau prognóstico e deve ser considerada em decisões paliativas. O CAM-ICU positivo não invalida a avaliação de dor pelo CPOT; pelo contrário, pacientes com delirium frequentemente têm dor não tratada, e a avaliação da dor deve ser feita mesmo nesses pacientes. O PPS, por sua vez, é uma escala de funcionalidade que tem aplicabilidade em ambiente de UTI, pois avalia o estado funcional prévio do paciente, que é um importante preditor de prognóstico.

Guarde a fronteira entre o papel de cada escala: SOFA e APACHE II são escalas de gravidade/prognóstico, PPS é escala de funcionalidade, CAM-ICU é escala de delirium e CPOT é escala de dor. A decisão de cuidados paliativos e limitação terapêutica deve ser baseada na integração de todas essas informações, não em uma única escala isolada. É exatamente nessa integração que as alternativas se dividem.

Escala

Papel principal

Aplicação na decisão paliativa

SOFA

Disfunção orgânica (gravidade)

Persistência elevada (>72h) indica mau prognóstico e irreversibilidade

APACHE II

Prognóstico de mortalidade (24h iniciais)

Não deve ser usado isoladamente para limitar suporte

PPS

Funcionalidade prévia

PPS baixo (20%) indica mau prognóstico funcional

CAM-ICU

Diagnóstico de delirium

Positivo = marcador de gravidade, não invalida avaliação de dor

CPOT

Dor observacional (paciente crítico)

Elevado indica dor, deve ser tratada mesmo com delirium

1Escalas de avaliação
SOFA (gravidade/disfunção)
APACHE II (prognóstico)
PPS (funcionalidade)
CAM-ICU (delirium)
CPOT (dor)
2Decisão de limitação
Integração multidimensional
Vontade do paciente
Mau prognóstico funcional
Sofrimento significativo
3Erros comuns
Escala isolada não decide
Delirium não exclui dor
Cuidados paliativos na UTI
LEVELsoulevel.com.br
Cuidados paliativos na UTI: Escalas de avaliação (SOFA (gravidade/disfunção), APACHE II (prognóstico), PPS (funcionalidade), CAM-ICU (delirium), CPOT (dor)); Decisão de limitação (Integração multidimensional, Vontade do paciente, Mau prognóstico funcional, Sofrimento significativo); Erros comuns (Escala isolada não decide, Delirium não exclui dor)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque integra corretamente os achados das escalas. O SOFA persistentemente alto (> 72 horas) indica disfunção orgânica grave e irreversível, o que, somado ao PPS prévio baixo (20%), sugere mau prognóstico funcional. O CAM-ICU positivo indica delirium, que é um marcador de gravidade e está associado a pior prognóstico. O CPOT elevado durante aspiração traqueal indica dor, que deve ser tratada mesmo em pacientes com delirium. A combinação desses fatores, aliada à vontade expressa do paciente, respalda a integração precoce de cuidados paliativos e a discussão de limitação terapêutica. A alternativa A não atribui a uma escala individual um papel que ela não tem, mas sim integra todas as informações para sustentar uma decisão clínica complexa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B está incorreta porque afirma que o APACHE II elevado confirma terminalidade e deve ser utilizado isoladamente para indicar limitação de suporte avançado. O APACHE II é um índice prognóstico que estima a mortalidade hospitalar, mas não é uma ferramenta para confirmar terminalidade nem para indicar limitação de suporte. A decisão de limitação terapêutica deve ser baseada em uma avaliação multidimensional, que inclui o prognóstico, a qualidade de vida, o sofrimento e a autonomia do paciente. O APACHE II, isoladamente, não é suficiente para essa decisão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C está incorreta porque afirma que o SOFA persistente elevado não deve ser considerado em decisões paliativas por ser uma escala exclusivamente prognóstica de curto prazo. O SOFA é uma escala de disfunção orgânica que avalia a gravidade da falência de múltiplos órgãos. Um SOFA persistente e elevado (> 72 horas) é um forte indicador de mau prognóstico e deve ser considerado em decisões paliativas. O SOFA não é exclusivamente prognóstico de curto prazo; sua persistência elevada indica disfunção orgânica grave e irreversível, o que é relevante para a decisão de limitação terapêutica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D está incorreta porque afirma que o CAM-ICU positivo invalida qualquer avaliação de dor pelo CPOT, devendo-se tratar prioritariamente o delirium antes de considerar conforto. O CAM-ICU é uma ferramenta para diagnóstico de delirium, enquanto o CPOT é uma escala observacional de dor. Pacientes com delirium frequentemente têm dor não tratada, e a avaliação da dor deve ser feita mesmo nesses pacientes. O tratamento do delirium não exclui o tratamento da dor; ambos devem ser abordados de forma integrada. O CPOT é uma ferramenta validada para avaliação de dor em pacientes críticos, mesmo na presença de delirium.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E está incorreta porque afirma que escalas de funcionalidade como o PPS não têm aplicabilidade em ambiente de UTI e não devem ser consideradas na tomada de decisão. O PPS é uma escala de funcionalidade que avalia o nível de desempenho do paciente em atividades de vida diária. O estado funcional prévio do paciente é um importante preditor de prognóstico e deve ser considerado na tomada de decisão, inclusive em ambiente de UTI. O PPS prévio baixo (20%) indica mau prognóstico funcional, o que é relevante para a decisão de cuidados paliativos e limitação terapêutica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora atribuir a uma escala individual um papel que ela não tem. Nesta questão, a pegadinha está em afirmar que o APACHE II isolado confirma terminalidade (alternativa B), que o SOFA é exclusivamente prognóstico de curto prazo (alternativa C), que o CAM-ICU invalida o CPOT (alternativa D) e que o PPS não tem aplicabilidade na UTI (alternativa E). A alternativa A, por outro lado, integra corretamente todas as escalas para sustentar a decisão de cuidados paliativos. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de cuidados paliativos na UTI, lembre-se de que a decisão de limitação terapêutica é sempre multidimensional. Integre as escalas de gravidade (SOFA, APACHE II), funcionalidade (PPS), delirium (CAM-ICU) e dor (CPOT) com a vontade do paciente e a perspectiva de reversão clínica. Nenhuma escala isolada é suficiente para essa decisão.

Gabarito: letra A

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