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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg693826
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Paliativa/Paliativismo
Homem de 69 anos, com DPOC GOLD E, internações repetidas por exacerbações (três no último ano), perda ponderal significativa, limitação funcional importante (marcha restrita ao domicílio) e necessidade de oxigênio domiciliar contínuo. Nos últimos meses, apresenta fadiga intensa, dispneia refratária, apesar de tratamento otimizado, e aumento progressivo da dependência nas atividades cotidianas. O médico assistente questiona se é “o momento certo” para encaminhar o paciente para cuidados paliativos mais estruturados. Ele deseja utilizar ferramentas de triagem para embasar a decisão. Considerando os instrumentos mais utilizados para identificar pacientes que se beneficiam de cuidados paliativos, assinale a alternativa correta.
  1. AA triagem para cuidados paliativos deve ocorrer após criteriosa estimativa de sobrevida inferior a seis meses, e ferramentas como NECPAL ou SPICT não são apropriadas antes disso.
  2. BO NECPAL é baseado exclusivamente na “pergunta surpresa” e não avalia critérios clínicos, funcionais ou psicossociais adicionais.
  3. CO PPS (Palliative Performance Scale) é uma ferramenta específica para diagnóstico de terminalidade, devendo indicar elegibilidade quando o valor é ≤20%.
  4. DO índice PaP (Palliative Prognostic Score) é o instrumento mais adequado para triagem inicial, pois foi desenvolvido para doenças respiratórias crônicas como DPOC e fibrose pulmonar.
  5. EO SPICT (Supportive & Palliative Care Indicators Tool) identifica pacientes com doenças crônicas avançadas que apresentam indicadores gerais de deterioração, podendo ser aplicado mesmo sem estimativa precisa de prognóstico.
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GabaritoE — O SPICT (Supportive & Palliative Care Indicators Tool) identifica pacientes com doenças crônicas avançadas que apresentam indicadores gerais de deterioração, podendo ser aplicado mesmo sem estimativa precisa de prognóstico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados paliativos: ferramentas de triagem (SPICT, NECPAL, PPS, PaP)

Gabarito: letra E. O SPICT (Supportive & Palliative Care Indicators Tool) é uma ferramenta de triagem que identifica pacientes com doenças crônicas avançadas a partir de indicadores gerais de deterioração, podendo ser aplicado independentemente de uma estimativa precisa de prognóstico — exatamente o que a alternativa descreve. As demais alternativas erram ao condicionar a triagem a prognóstico de seis meses (A), reduzir o NECPAL à pergunta surpresa (B), tratar o PPS como diagnóstico de terminalidade (C) ou atribuir ao PaP a função de triagem inicial para DPOC (D).

A triagem para cuidados paliativos é o processo de identificar, entre todos os pacientes com doenças crônicas avançadas, aqueles que se beneficiariam de uma abordagem paliativa estruturada. O conceito central é que essa identificação não depende de um prognóstico exato — ela se baseia em indicadores de deterioração clínica, funcional e nutricional, além de necessidades psicossociais. Ferramentas como o SPICT e o NECPAL foram desenvolvidas justamente para operar nesse cenário de incerteza prognóstica, permitindo que o encaminhamento ocorra precocemente, antes que o paciente esteja em fase terminal iminente.

O SPICT é uma ferramenta de triagem que combina indicadores gerais de saúde (como internações repetidas, perda de peso, dependência funcional e multimorbidade) com indicadores específicos de cada doença crônica (no caso da DPOC, por exemplo, dispneia em repouso, oxigenoterapia domiciliar e exacerbações frequentes). Ele não exige que o profissional estime o tempo de vida do paciente — basta reconhecer os marcadores de deterioração. O NECPAL, por sua vez, é uma ferramenta mais abrangente, que inclui a pergunta surpresa ("você se surpreenderia se este paciente morresse nos próximos 12 meses?") como um dos itens, mas também avalia critérios clínicos, funcionais, nutricionais e psicossociais, além da demanda do paciente e da família.

O PPS (Palliative Performance Scale) é uma escala funcional que mede o nível de desempenho do paciente em atividades cotidianas, variando de 0% (morte) a 100% (plena capacidade). Ele é útil para monitorar a evolução funcional e auxiliar na comunicação sobre prognóstico, mas não é uma ferramenta diagnóstica de terminalidade — é um instrumento de avaliação funcional, não de triagem. O PaP (Palliative Prognostic Score) é um índice prognóstico desenvolvido originalmente para pacientes oncológicos, que combina sintomas, performance status e dados laboratoriais para estimar sobrevida em 30 dias. Ele não foi desenhado para doenças respiratórias crônicas como DPOC, nem para triagem inicial — seu papel é prognóstico, não de identificação de elegibilidade.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre triagem (identificar quem se beneficia de cuidados paliativos, independentemente de prognóstico) e prognóstico (estimar tempo de vida). A banca explora essa confusão ao condicionar a triagem a uma estimativa de sobrevida inferior a seis meses (alternativa A), o que contraria a lógica das ferramentas modernas de triagem, que buscam justamente superar a dificuldade de prognosticar em doenças crônicas não oncológicas. O paciente do enunciado — DPOC GOLD E, três exacerbações no último ano, oxigenoterapia domiciliar, perda ponderal e dependência funcional — apresenta múltiplos indicadores gerais e específicos de deterioração que o tornam elegível para triagem paliativa, independentemente de qualquer estimativa de sobrevida.

Guarde a distinção entre as quatro ferramentas: SPICT e NECPAL são de triagem (identificação precoce); PPS é de avaliação funcional; PaP é de prognóstico. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas corretas das incorretas.

Ferramenta

Função principal

Base de avaliação

Aplicabilidade

SPICT

Triagem (identificação precoce)

Indicadores gerais de deterioração + específicos da doença

Doenças crônicas avançadas, sem exigir prognóstico preciso

NECPAL

Triagem (identificação precoce)

Pergunta surpresa + critérios clínicos, funcionais, nutricionais e psicossociais

Doenças crônicas avançadas, sem exigir prognóstico preciso

PPS

Avaliação funcional

Performance em atividades cotidianas (0% a 100%)

Monitoramento evolutivo e comunicação, não diagnostica terminalidade

PaP

Prognóstico

Sintomas, performance e dados laboratoriais

Estimativa de sobrevida em 30 dias, originalmente oncológico

Ferramentas em cuidados paliativos
  • 1Triagem (identificação precoce)
    • SPICT
      • indicadores gerais e específicos
      • sem exigir prognóstico
    • NECPAL
      • pergunta surpresa + critérios clínicos
      • funcionais, nutricionais, psicossociais
  • 2Avaliação funcional
    • PPS (0% a 100%)
      • monitora desempenho em atividades
      • não diagnostica terminalidade
  • 3Prognóstico
    • PaP
      • sobrevida em 30 dias
      • originalmente oncológico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Condiciona a triagem a uma estimativa de sobrevida inferior a seis meses e afirma que NECPAL e SPICT não são apropriados antes disso. Isso inverte a lógica das ferramentas: tanto o SPICT quanto o NECPAL foram criados para identificar pacientes que se beneficiam de cuidados paliativos independentemente de prognóstico preciso, justamente porque em doenças crônicas não oncológicas (como DPOC) a estimativa de sobrevida é imprecisa. A triagem deve ocorrer precocemente, com base em indicadores de deterioração, não após a certeza de terminalidade iminente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o NECPAL é baseado exclusivamente na pergunta surpresa. Na verdade, a pergunta surpresa é apenas um dos componentes da ferramenta. O NECPAL avalia também critérios clínicos (gravidade da doença, comorbidades), funcionais (dependência, mobilidade), nutricionais (perda de peso) e psicossociais (demanda do paciente e da família, fragilidade). Reduzi-lo à pergunta surpresa é um erro de simplificação que a banca usa como distrator.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Trata o PPS como ferramenta específica para diagnóstico de terminalidade, com elegibilidade quando ≤20%. O PPS é uma escala de performance funcional, que mede o nível de independência do paciente em atividades cotidianas. Ele é útil para monitorar a evolução e auxiliar na comunicação, mas não é um instrumento diagnóstico de terminalidade, nem define elegibilidade para cuidados paliativos por si só. O valor de 20% indica dependência funcional grave, mas não é um critério isolado de elegibilidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o PaP é o instrumento mais adequado para triagem inicial e que foi desenvolvido para doenças respiratórias crônicas. O PaP (Palliative Prognostic Score) é um índice prognóstico, originalmente validado para pacientes oncológicos, que estima sobrevida em 30 dias a partir de sintomas, performance e dados laboratoriais. Ele não foi desenvolvido para DPOC ou fibrose pulmonar, nem tem função de triagem inicial — seu papel é estimar prognóstico em contexto de doença avançada, geralmente oncológica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o SPICT: ferramenta de triagem que identifica pacientes com doenças crônicas avançadas a partir de indicadores gerais de deterioração (internações repetidas, perda de peso, dependência funcional) e específicos da doença (no caso da DPOC, dispneia refratária, oxigenoterapia, exacerbações frequentes), podendo ser aplicada sem estimativa precisa de prognóstico. O paciente do enunciado preenche claramente esses critérios, tornando o SPICT uma ferramenta apropriada para embasar o encaminhamento.

NÃO CAIA NESSA!

Para questões sobre ferramentas de cuidados paliativos, monte mentalmente uma tabela: SPICT e NECPAL = triagem (identificação precoce, sem exigir prognóstico); PPS = avaliação funcional (performance); PaP = prognóstico (sobrevida em 30 dias, oncológico). A banca adora trocar essas funções entre si — identificar qual ferramenta faz o quê resolve a questão em segundos.

Gabarito: letra E

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