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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg693828
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Paliativa/Paliativismo
Mulher de 67 anos, com câncer de colo de útero metastático, apresenta dor pélvica intensa, sangramento vaginal recorrente e episódios de urgência urinária e tenesmo retal. Já utiliza opioides em doses otimizadas, mas mantém dor refratária. A tomografia mostra massa pélvica de 9 cm com invasão de paramétrios, contato com bexiga e reto e múltiplos linfonodos aumentados. A paciente questiona se há “algo além de remédio” para melhorar os sintomas. Ela não é candidata a tratamento modificador da doença, mas mantém performance ECOG 2. Considerando o papel da radioterapia paliativa no controle sintomático de tumores avançados, assinale a alternativa correta.
  1. AÉ pouco eficaz para dor por invasão tumoral pélvica, e seu uso deve ser reservado apenas para controle local de sangramento em tumores ginecológicos.
  2. BPode reduzir significativamente dor, sangramento e sintomas compressivos, com respostas rápidas, sendo apropriada mesmo em pacientes sem perspectiva curativa.
  3. CNão é indicada quando há invasão de bexiga ou reto, pois aumenta substancialmente o risco de perfuração e não oferece benefício sintomático.
  4. DA analgesia deve ser maximizada antes de qualquer consideração de radioterapia, que deve ser ofertada em casos de falha completa de todos os opioides e adjuvantes.
  5. EPor causar fadiga e náuseas, pode piorar a qualidade de vida em pacientes com tumores pélvicos avançados e deve ser evitada.
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GabaritoB — Pode reduzir significativamente dor, sangramento e sintomas compressivos, com respostas rápidas, sendo apropriada mesmo em pacientes sem perspectiva curativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Radioterapia paliativa no câncer de colo de útero avançado

Gabarito: letra B. A radioterapia paliativa é uma ferramenta eficaz e apropriada para o controle sintomático de tumores pélvicos avançados, mesmo sem perspectiva curativa, pois pode reduzir significativamente dor, sangramento e sintomas compressivos, com respostas rápidas. As demais alternativas subestimam seu papel, impõem condições inexistentes ou superestimam riscos, contrariando a prática clínica consolidada.

A radioterapia paliativa é uma modalidade de tratamento que visa aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida em pacientes com doença avançada ou metastática, sem intenção curativa. No contexto do câncer de colo de útero avançado, os sintomas mais comuns são dor pélvica intensa, sangramento vaginal e sintomas compressivos (urgência urinária, tenesmo retal), decorrentes da invasão tumoral de estruturas adjacentes, como paramétrios, bexiga e reto. A radioterapia atua reduzindo o volume tumoral e, consequentemente, aliviando esses sintomas. A resposta sintomática costuma ser rápida, muitas vezes em dias a poucas semanas, o que é particularmente valioso em pacientes com dor refratária a opioides otimizados.

A indicação da radioterapia paliativa não depende da possibilidade de cura, mas sim do potencial de alívio sintomático e do equilíbrio entre benefícios e riscos. Mesmo em pacientes com performance status comprometido (ECOG 2), a radioterapia pode ser oferecida, desde que o paciente seja capaz de tolerar o tratamento e haja expectativa de benefício. A presença de invasão de bexiga ou reto não contraindica a radioterapia paliativa; pelo contrário, é uma das principais indicações, pois o alívio dos sintomas compressivos e do sangramento é justamente o objetivo. O risco de perfuração é baixo e não justifica a recusa do tratamento, especialmente quando os benefícios sintomáticos são significativos.

A analgesia deve ser otimizada, mas não é um pré-requisito absoluto para a radioterapia. Na prática, a radioterapia paliativa é frequentemente associada à analgesia, e a falha completa de todos os opioides e adjuvantes não é um critério para indicá-la. Pelo contrário, a radioterapia pode ser considerada precocemente, em conjunto com a analgesia, para melhorar o controle sintomático. Os efeitos colaterais da radioterapia, como fadiga e náuseas, são geralmente transitórios e manejáveis, e não justificam a recusa do tratamento em pacientes com sintomas graves, pois o benefício sintomático supera os riscos.

A distinção fundamental é entre a radioterapia com intenção curativa e a radioterapia paliativa. A primeira é indicada para doença localizada ou localmente avançada, com objetivo de erradicar o tumor. A segunda é indicada para doença avançada ou metastática, com objetivo de aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida. A alternativa correta reconhece essa distinção e afirma o papel da radioterapia paliativa no controle sintomático, mesmo sem perspectiva curativa. As alternativas incorretas confundem esses conceitos, subestimam a eficácia da radioterapia paliativa, impõem condições inexistentes ou superestimam os riscos.

A pegadinha da banca está em explorar o receio de complicações (perfuração, piora da qualidade de vida) e a ideia de que a radioterapia é um último recurso, após falha de todas as outras medidas. Na verdade, a radioterapia paliativa é uma ferramenta valiosa e precoce no manejo de sintomas oncológicos, e sua indicação deve ser considerada em conjunto com a analgesia, não após sua falha completa. A alternativa B é a única que reflete corretamente o papel da radioterapia paliativa no controle sintomático de tumores pélvicos avançados.

Radioterapia paliativa
  • 1Objetivo
    • Aliviar sintomas
    • Melhorar qualidade de vida
  • 2Indicações
    • Dor por invasão tumoral
    • Sangramento
    • Sintomas compressivos
  • 3Resposta
    • Rápida (dias a semanas)
  • 4Independe de
    • Perspectiva curativa
    • Falha completa da analgesia
  • 5Contraindicações
    • Nenhuma absoluta
      • invasão de bexiga/reto não contraindica
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a radioterapia é pouco eficaz para dor por invasão tumoral pélvica e que seu uso deve ser reservado apenas para controle local de sangramento. Isso é falso: a radioterapia é altamente eficaz para dor por invasão tumoral, sendo uma das principais indicações em cuidados paliativos. Além disso, seu uso não se restringe ao sangramento, mas também a sintomas compressivos e dor. A alternativa subestima o papel da radioterapia paliativa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a radioterapia pode reduzir significativamente dor, sangramento e sintomas compressivos, com respostas rápidas, sendo apropriada mesmo em pacientes sem perspectiva curativa. Isso está correto: a radioterapia paliativa é eficaz no controle sintomático, com resposta rápida, e sua indicação não depende da possibilidade de cura. A alternativa reflete corretamente o papel da radioterapia paliativa no manejo de tumores pélvicos avançados.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a radioterapia não é indicada quando há invasão de bexiga ou reto, pois aumenta o risco de perfuração e não oferece benefício sintomático. Isso é falso: a invasão de bexiga ou reto é uma das principais indicações de radioterapia paliativa, pois o alívio dos sintomas compressivos e do sangramento é justamente o objetivo. O risco de perfuração é baixo e não contraindica o tratamento. A alternativa superestima os riscos e subestima os benefícios.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a analgesia deve ser maximizada antes de qualquer consideração de radioterapia, que deve ser ofertada em casos de falha completa de todos os opioides e adjuvantes. Isso é falso: a radioterapia paliativa pode ser considerada precocemente, em conjunto com a analgesia, e não é um último recurso após falha de todas as outras medidas. A alternativa impõe uma condição inexistente para a indicação da radioterapia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a radioterapia, por causar fadiga e náuseas, pode piorar a qualidade de vida em pacientes com tumores pélvicos avançados e deve ser evitada. Isso é falso: os efeitos colaterais da radioterapia são geralmente transitórios e manejáveis, e o benefício sintomático supera os riscos. A alternativa superestima os efeitos colaterais e subestima os benefícios, contrariando a prática clínica.

Gabarito: letra B

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