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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg693829
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Paliativa/Paliativismo
Paciente de 72 anos, portadora de metástases cerebrais múltiplas de câncer de pulmão, em cuidados paliativos exclusivos, apresenta episódio súbito de rigidez tônica, seguida de abalos clônicos generalizados por cerca de 90 segundos, com recuperação lenta e confusão pós-ictal persistente. Nas últimas 48 horas vinha mais sonolenta, com ingesta oral mínima, hiponatremia leve (Na 130 mEq/L) e insuficiência renal aguda (creatinina 2,0 mg/dL). Não utilizava anticonvulsivantes previamente. Considerando o manejo de crises convulsivas em pacientes com doença avançada e foco paliativo, qual é a conduta mais apropriada?
  1. ARealizar correção lenta da hiponatremia, administrar benzodiazepínico de ação rápida para abortar crises e iniciar levetiracetam, que possui melhor perfil em insuficiência renal e menor interação medicamentosa.
  2. BIniciar fenitoína intravenosa imediatamente, pois é o anticonvulsivante de escolha em pacientes com metástases cerebrais e garante prevenção eficaz de novas crises.
  3. CIndicar UTI para monitorização contínua de EEG, pois qualquer convulsão em oncologia avançada exige investigação pormenorizada da causa.
  4. DAdministrar dexametasona em altas doses, pois a convulsão decorre de edema vasogênico e não requer anticonvulsivantes, e corrigir a hiponatremia.
  5. ESuspender opioides imediatamente, pois são a principal causa de convulsões no fim de vida.
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GabaritoA — Realizar correção lenta da hiponatremia, administrar benzodiazepínico de ação rápida para abortar crises e iniciar levetiracetam, que possui melhor perfil em insuficiência renal e menor interação medicamentosa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo de crise convulsiva em cuidados paliativos oncológicos

Gabarito: letra A. Em paciente com doença avançada e foco paliativo, a conduta mais apropriada é: corrigir lentamente a hiponatremia (fator precipitante), usar benzodiazepínico de ação rápida para abortar a crise e iniciar levetiracetam, que tem melhor perfil em insuficiência renal e menor interação medicamentosa. A alternativa A sintetiza corretamente os princípios do manejo paliativo: tratar a causa reversível, controlar a crise aguda e prevenir recorrência com fármaco bem tolerado.

O caso apresenta uma paciente com metástases cerebrais múltiplas, em cuidados paliativos exclusivos, que desenvolve crise tônico-clônica generalizada. Há fatores precipitantes identificáveis: hiponatremia leve (Na 130 mEq/L) e insuficiência renal aguda (creatinina 2,0 mg/dL). Em cuidados paliativos, o objetivo não é investigação agressiva nem internação em UTI, mas sim controle de sintomas e conforto. A crise convulsiva em paciente oncológico pode ser provocada por distúrbios metabólicos (hiponatremia, hipoglicemia), lesões estruturais (metástases) ou efeitos de medicamentos. A hiponatremia é um gatilho clássico e deve ser corrigida lentamente para evitar mielinólise pontina. O benzodiazepínico (diazepam ou midazolam) é a primeira linha para abortar crise aguda, conforme diretrizes de emergência. Para prevenção de novas crises, o levetiracetam é preferido em pacientes com insuficiência renal por ter excreção renal, mas com ajuste de dose, e por apresentar menos interações medicamentosas que a fenitoína, além de não exigir monitorização de níveis séricos.

A fenitoína, embora eficaz, tem farmacocinética complexa, muitas interações e efeitos colaterais significativos, especialmente em idosos e hepatopatas. Em cuidados paliativos, prioriza-se qualidade de vida e simplicidade terapêutica. A dexametasona pode ser usada para edema vasogênico peritumoral, mas não trata a crise aguda nem substitui anticonvulsivante. Opioides não são causa comum de convulsões; na verdade, podem ter efeito anticonvulsivante em alguns casos. A indicação de UTI com EEG contínuo é desproporcional ao contexto paliativo, onde se evita intervenções invasivas e foca-se no conforto.

A distinção crucial é entre crise provocada (por fator agudo como hiponatremia) e crise não provocada. Em crise provocada, se o fator é corrigido, pode não ser necessário anticonvulsivante de longo prazo. Porém, em paciente com metástases cerebrais, há alto risco de recorrência, justificando profilaxia. O levetiracetam é o fármaco de escolha em oncologia por sua segurança e tolerabilidade. A correção da hiponatremia deve ser lenta (aumento de sódio < 8-10 mEq/L em 24h) para evitar desmielinização osmótica.

A pegadinha da questão está em considerar que qualquer convulsão em oncologia exige investigação agressiva ou que a fenitoína é sempre a primeira escolha. A banca testa o conhecimento de farmacologia aplicada a contexto paliativo, onde a abordagem é individualizada e centrada no conforto.

Crise convulsiva em cuidados paliativos oncológicos
  • 1Fatores precipitantes
    • Hiponatremia (correção lenta)
    • Metástases cerebrais
    • IRA (ajuste de dose)
  • 2Crise aguda
    • Benzodiazepínico de ação rápida
  • 3Prevenção de recorrência
    • Levetiracetam
      • Menor interação medicamentosa
      • Ajuste na insuficiência renal
      • Sem monitorização de níveis
    • Fenitoína (evitar)
      • Muitas interações
      • Cinética não linear
      • Risco de arritmias
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque aborda os três pilares do manejo: (1) correção lenta da hiponatremia, tratando o fator precipitante; (2) benzodiazepínico de ação rápida (diazepam ou midazolam) para abortar a crise aguda; (3) início de levetiracetam, que é o anticonvulsivante de escolha em pacientes oncológicos com insuficiência renal, por ter menor interação medicamentosa e não exigir monitorização de níveis séricos. O levetiracetam tem excreção renal, exigindo ajuste de dose na insuficiência renal, mas é bem tolerado e seguro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A fenitoína intravenosa não é a primeira escolha em pacientes com metástases cerebrais, especialmente em cuidados paliativos. Ela tem muitas interações medicamentosas, cinética não linear, exige monitorização de níveis séricos e pode causar hipotensão e arritmias, especialmente em idosos. Além disso, a fenitoína não "garante" prevenção eficaz de novas crises; nenhum anticonvulsivante garante isso. Em contexto paliativo, prefere-se levetiracetam.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Indicar UTI para monitorização contínua de EEG é desproporcional em paciente com doença avançada em cuidados paliativos exclusivos. O foco é conforto e controle de sintomas, não investigação agressiva. A monitorização contínua de EEG é reservada para casos de estado de mal epiléptico ou suspeita de crises subclínicas em pacientes críticos, o que não se aplica aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dexametasona em altas doses trata edema vasogênico peritumoral, mas não é tratamento para crise convulsiva aguda nem substitui anticonvulsivante. A crise aguda deve ser abortada com benzodiazepínico. Além disso, a hiponatremia deve ser corrigida, mas a dexametasona não corrige hiponatremia. A alternativa ignora a necessidade de anticonvulsivante para prevenção de novas crises.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Opioides não são causa comum de convulsões no fim de vida. Na verdade, podem ter efeito anticonvulsivante em alguns casos. Suspender opioides imediatamente seria prejudicial, pois causaria dor e sofrimento desnecessários. A causa mais provável da crise é a hiponatremia e as metástases cerebrais, não os opioides.

Gabarito: letra A

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