Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2026

MedicinaGeriatria
Código
qg693838
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Paliativa/Paliativismo
Paciente de 84 anos, com demência avançada (FAST 7C), histórico de câncer colorretal metastático e múltiplas internações recentes, encontra-se acamada, não verbaliza palavras compreensíveis e não segue comandos simples. Apresenta episódios de gemidos, expressão facial contraída, rigidez de membros durante mobilização e agitação intermitente, sobretudo durante cuidados de higiene. Não há sinais clínicos evidentes de infecção ou delirium agudo. Considerando os princípios avançados da avaliação da dor em pacientes não comunicativos em cuidados paliativos, assinale a alternativa correta.
  1. ANa ausência de autorrelato, não é possível avaliar dor de forma confiável, devendo-se presumir agitação como manifestação da demência avançada.
  2. BA presença de vocalizações e rigidez muscular é inespecífica e não deve ser utilizada para inferir dor, sendo a avaliação baseada em exames complementares que podem explicar quadro doloroso.
  3. CA administração empírica de opioides deve ser evitada, pois piora o delirium, e a ausência de comunicação verbal impede a distinção entre dor, ansiedade e delirium.
  4. DEm pacientes com demência avançada, a dor visceral e nociceptiva é abolida pela degeneração cortical.
  5. EEscalas observacionais validadas, como PAINAD ou DOLOPLUS-2, associadas à avaliação longitudinal do comportamento e resposta a teste terapêutico com analgésico, constituem a melhor estratégia para inferir dor nesses pacientes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Escalas observacionais validadas, como PAINAD ou DOLOPLUS-2, associadas à avaliação longitudinal do comportamento e resposta a teste terapêutico com analgésico, constituem a melhor estratégia para inferir dor nesses pacientes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação da dor em pacientes não comunicativos com demência avançada

Gabarito: letra E. Em pacientes com demência avançada e incapacidade de autorrelato, a avaliação da dor deve ser feita por meio de escalas observacionais validadas (como PAINAD e DOLOPLUS-2), associadas à avaliação longitudinal do comportamento e à resposta ao teste terapêutico com analgésico — essa é a estratégia recomendada pelas diretrizes de cuidados paliativos e geriatria. As demais alternativas contêm erros conceituais graves, como negar a possibilidade de avaliar dor sem autorrelato, desconsiderar sinais comportamentais, evitar opioides por medo de delirium ou afirmar que a degeneração cortical abole a dor.

A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, e sua avaliação padrão-ouro é o autorrelato. Porém, em pacientes com demência avançada (como no estágio FAST 7C, em que há perda da fala e da capacidade de seguir comandos), o autorrelato torna-se impossível ou não confiável. Nesses casos, a avaliação da dor deve ser baseada em indicadores comportamentais — expressão facial, vocalizações, movimentos corporais, rigidez muscular, agitação, alterações de interação — que são manifestações observáveis de desconforto. Esses comportamentos, embora possam ser inespecíficos, quando avaliados de forma sistemática e longitudinal, permitem inferir a presença de dor com razoável acurácia.

As escalas observacionais foram desenvolvidas exatamente para essa população. A PAINAD (Pain Assessment in Advanced Dementia) avalia cinco itens: respiração, vocalização negativa, expressão facial, linguagem corporal e consolabilidade, com pontuação de 0 a 10. A DOLOPLUS-2 avalia dez itens distribuídos em três dimensões (somática, psicomotora e psicossocial). Ambas são validadas para idosos com demência e são recomendadas pela American Geriatrics Society. Além da escala, a avaliação longitudinal é fundamental: observar o paciente em diferentes momentos (repouso, durante cuidados, após analgesia) permite distinguir dor de outras causas de agitação. O teste terapêutico com analgésico — administrar uma dose e observar se os comportamentos melhoram — é uma ferramenta diagnóstica valiosa e faz parte da prática clínica recomendada.

A alternativa E sintetiza exatamente essa abordagem: escalas observacionais validadas + avaliação longitudinal + resposta ao teste terapêutico. É a conduta mais adequada e baseada em evidências para inferir dor em pacientes não comunicativos.

A banca explora aqui um ponto crítico: a tendência de subestimar ou negligenciar a dor em pacientes com demência avançada, atribuindo a agitação apenas à demência ou ao delirium. A dor é uma causa frequente e tratável de agitação nesses pacientes, e a falha em reconhecê-la leva a sofrimento desnecessário e a uso inadequado de psicotrópicos. O princípio é: na dúvida, tratar a dor — a analgesia empírica com opioides em dose adequada é segura e melhora a qualidade de vida, desde que monitorada.

Avaliação da dor em demência avançada
  • 1Padrão-ouro: autorrelato
    • Impossível no FAST 7C
  • 2Estratégia recomendada
    • Escalas observacionais validadas
      • PAINAD
      • DOLOPLUS-2
    • Avaliação longitudinal do comportamento
    • Teste terapêutico com analgésico
  • 3Sinais comportamentais
    • Expressão facial
    • Vocalizações
    • Rigidez muscular
    • Agitação
  • 4Princípio
    • Na dúvida, avaliar e tratar a dor
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que, na ausência de autorrelato, não é possível avaliar dor de forma confiável e que a agitação deve ser presumida como manifestação da demência. Isso é falso: existem escalas observacionais validadas (PAINAD, DOLOPLUS-2, PACSLAC) que permitem avaliar dor de forma confiável em pacientes não comunicativos. Além disso, presumir que a agitação é apenas demência leva à subavaliação da dor, que é uma causa comum e tratável de agitação nesses pacientes. O erro está em negar a possibilidade de avaliação e em desconsiderar os sinais comportamentais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que vocalizações e rigidez muscular são inespecíficas e não devem ser usadas para inferir dor, sendo a avaliação baseada em exames complementares. Isso é incorreto: embora sejam inespecíficos, esses sinais comportamentais são exatamente os indicadores utilizados pelas escalas observacionais validadas. A avaliação da dor em pacientes não comunicativos é essencialmente clínica e comportamental, não baseada em exames complementares (que não avaliam dor diretamente). O erro está em desconsiderar os sinais comportamentais e em sugerir que exames complementares são a base da avaliação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a administração empírica de opioides deve ser evitada por piorar o delirium e que a ausência de comunicação impede a distinção entre dor, ansiedade e delirium. Isso é parcialmente verdadeiro (opioides podem piorar delirium), mas a conclusão é errada. Na prática, o teste terapêutico com analgésico é recomendado justamente para distinguir dor de outras causas: se a agitação melhora com analgesia, é provável que seja dor. A alternativa ignora essa estratégia e sugere que a impossibilidade de distinguir impede o tratamento, o que é contrário à prática recomendada. O erro está em generalizar a contraindicação de opioides e em negar a possibilidade de avaliação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que, em pacientes com demência avançada, a dor visceral e nociceptiva é abolida pela degeneração cortical. Isso é falso: a degeneração cortical da demência não abole a percepção da dor. Embora a experiência subjetiva possa ser alterada, os mecanismos nociceptivos periféricos e espinhais permanecem intactos, e a dor continua sendo uma experiência real e frequente nesses pacientes. O erro está em afirmar que a dor é abolida, o que contraria o conhecimento atual de que a dor é subdiagnosticada e subtratada em pacientes com demência.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que escalas observacionais validadas (PAINAD, DOLOPLUS-2), associadas à avaliação longitudinal do comportamento e à resposta ao teste terapêutico com analgésico, constituem a melhor estratégia para inferir dor nesses pacientes. Isso está correto e reflete a recomendação das principais diretrizes de geriatria e cuidados paliativos. A combinação de instrumentos validados, observação ao longo do tempo e resposta à analgesia é a abordagem mais robusta para avaliar dor em pacientes não comunicativos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de subestimar a dor em pacientes com demência avançada. As alternativas A, B e C negam ou dificultam a avaliação da dor, enquanto a D afirma erroneamente que a dor é abolida. A pegadinha está em fazer o candidato acreditar que, sem autorrelato, não há como avaliar dor — quando, na verdade, existem ferramentas validadas e a analgesia empírica é recomendada. Lembre-se: na dúvida, avalie e trate a dor.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de dor em pacientes não comunicativos, lembre-se do tripé: escala observacional validada + avaliação longitudinal + teste terapêutico com analgésico. Essa é a resposta padrão em provas de geriatria e cuidados paliativos. Decore as principais escalas (PAINAD, DOLOPLUS-2, PACSLAC) e seus indicadores.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/qg693838