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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg693839
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Paliativa/Paliativismo
Paciente com neoplasia de cólon avançada, em terminalidade de vida, com dispneia incapacitante e saturação 92% em ar ambiente, já em uso de opioide com dose otimizada. Familiar solicita oxigenoterapia domiciliar. Qual é o raciocínio médico correto?
  1. AOxigênio é sempre indicado para aliviar dispneia em situações de terminalidade de vida, mesmo com saturação normal.
  2. BEm pacientes não hipoxêmicos, oxigênio não é superior no alívio da dispneia comparado a um ventilador próximo ao rosto.
  3. COxigênio causa toxicidade quando usado em pacientes sem hipoxemia.
  4. DOferecer oxigênio em cateter nasal de alto fluxo é a conduta mais adequada para esse paciente.
  5. ESubstituir opioides por oxigênio.
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GabaritoB — Em pacientes não hipoxêmicos, oxigênio não é superior no alívio da dispneia comparado a um ventilador próximo ao rosto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oxigenoterapia na dispneia em cuidados paliativos

Gabarito: letra B. Em pacientes não hipoxêmicos, o oxigênio suplementar não é superior ao ar ambiente (ou a um ventilador próximo ao rosto) para alívio da dispneia; a evidência atual não demonstra benefício consistente do oxigênio nesse cenário, sendo o opioide o pilar do tratamento sintomático. A conduta correta é manter o opioide otimizado e, se necessário, oferecer medidas não farmacológicas como ventilador de cabeceira, sem indicar oxigenoterapia apenas para alívio sintomático na ausência de hipoxemia.

A dispneia é definida como uma experiência subjetiva de desconforto respiratório, sendo um dos sintomas mais prevalentes e angustiantes no fim da vida, especialmente em pacientes com neoplasia avançada. O manejo adequado exige, primeiro, identificar e tratar causas reversíveis (derrame pleural, broncoespasmo, infecção, etc.). Quando a doença de base não é mais tratável, o foco é o alívio sintomático, e os opioides são os agentes de escolha, pois suprimem a percepção da falta de ar. A dose deve ser titulada conforme a resposta, sem dose máxima pré-definida, e a depressão respiratória é rara quando o uso é adequado e o paciente não tem retenção prévia de CO2.

A oxigenoterapia, por sua vez, tem indicação bem estabelecida para pacientes hipoxêmicos (PaO2 ≤ 55 mmHg ou SpO2 ≤ 88% em repouso, ou PaO2 56–59 mmHg com cor pulmonale/policitemia). Em pacientes não hipoxêmicos, não há evidência de que o oxigênio melhore a dispneia, a qualidade de vida ou a sobrevida. Estudos comparando oxigênio versus ar ambiente em pacientes terminais não hipoxêmicos não mostraram diferença significativa no alívio da dispneia. Além disso, o fluxo de oxigênio pode causar desconfortos como xerostomia e epistaxe, e o uso desnecessário pode gerar falsa sensação de segurança, atrasando medidas realmente eficazes.

Na prática, para o paciente do caso — saturação 92% em ar ambiente, já em uso de opioide otimizado — a conduta correta é explicar à família que o oxigênio não trará benefício adicional para a dispneia, pois o paciente não está hipoxêmico (SpO2 > 90%). Medidas como ventilador de cabeceira, posicionamento ereto, redução de esforço e controle da ansiedade podem ser oferecidas. O opioide deve ser mantido e, se necessário, ajustado, pois é a principal ferramenta farmacológica. A alternativa de substituir opioides por oxigênio é um erro grave, pois o opioide é o tratamento de escolha e o oxigênio não tem papel no alívio sintomático sem hipoxemia.

A pegadinha da questão está em associar oxigênio a alívio de dispneia em qualquer contexto, quando a evidência mostra que, sem hipoxemia, o benefício é nulo ou marginal. O candidato deve lembrar que a indicação de oxigenoterapia é baseada em hipoxemia documentada, não na presença de dispneia isolada. Além disso, a alternativa que sugere toxicidade do oxigênio em não hipoxêmicos é exagerada — o oxigênio não é tóxico em fluxos usuais, mas também não é benéfico. A alternativa de cateter nasal de alto fluxo não é a conduta mais adequada, pois não há indicação de oxigênio, e o alto fluxo pode causar desconforto.

Dispneia em cuidados paliativos
  • 1Causas reversíveis
    • Derrame pleural
    • Broncoespasmo
    • Infecção
  • 2Tratamento sintomático
    • Opioides (pilar)
    • Medidas não farmacológicas
      • Ventilador de cabeceira
      • Posicionamento ereto
  • 3Oxigenoterapia
    • Indicação: hipoxemia (SpO2 ≤ 88%)
    • Sem benefício se não hipoxêmico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que oxigênio é sempre indicado para aliviar dispneia em terminalidade, mesmo com saturação normal. Isso contraria a evidência: em pacientes não hipoxêmicos, o oxigênio não é superior ao ar ambiente para alívio da dispneia. A indicação de oxigenoterapia é restrita a pacientes com hipoxemia significativa (PaO2 ≤ 55 mmHg ou SpO2 ≤ 88%). O termo "sempre" é o erro: a conduta deve ser individualizada, e o oxigênio não é rotina em não hipoxêmicos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. Em pacientes não hipoxêmicos, o oxigênio não demonstrou superioridade sobre o ar ambiente (ou um ventilador próximo ao rosto) para alívio da dispneia. Estudos comparando oxigênio versus ar ambiente em pacientes terminais não hipoxêmicos não mostraram diferença significativa. O fluxo de ar do ventilador pode proporcionar alívio por mecanismos não relacionados à oxigenação, como sensação de frescor e redução do esforço respiratório. Portanto, a conduta correta é não indicar oxigênio, mas oferecer medidas de conforto, incluindo ventilador de cabeceira.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que oxigênio causa toxicidade quando usado em pacientes sem hipoxemia. Isso é incorreto: o oxigênio em fluxos usuais (1–5 L/min) não causa toxicidade em pacientes sem hipoxemia. A toxicidade por oxigênio (como lesão pulmonar) ocorre em exposições prolongadas a altas concentrações (FiO2 > 60% por mais de 24–48 horas), o que não é o caso de oxigenoterapia domiciliar convencional. O erro está em afirmar toxicidade como regra, quando na verdade o problema é a falta de benefício, não o dano.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Oferecer oxigênio em cateter nasal de alto fluxo não é a conduta mais adequada para esse paciente. O paciente não está hipoxêmico (SpO2 92% em ar ambiente), portanto não há indicação de oxigenoterapia. O cateter nasal de alto fluxo é uma modalidade de suporte respiratório que fornece oxigênio aquecido e umidificado em altos fluxos, indicado em casos de insuficiência respiratória hipoxêmica, não para alívio sintomático de dispneia em paciente não hipoxêmico. Além disso, pode causar desconforto e não substitui o tratamento farmacológico com opioides.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Substituir opioides por oxigênio é um erro grave. Os opioides são os agentes de escolha para o tratamento sintomático da dispneia em cuidados paliativos, com eficácia comprovada. O oxigênio, em paciente não hipoxêmico, não tem benefício para alívio da dispneia. Portanto, a conduta correta é manter o opioide otimizado, e não substituí-lo. A substituição privaria o paciente do tratamento mais eficaz disponível.

Gabarito: letra B

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