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Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2026

MedicinaUrologia
Código
qg693840
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Paliativa/Paliativismo
Mulher de 65 anos, portadora de câncer de colo de útero localmente avançado, com grande massa pélvica infiltrando paramétrios e causando compressão extrínseca do ureter direito. Há 12 horas apresenta oligúria, dor em flanco direito e náuseas. História recente de isquemia mesentérica tratada com enterectomia segmentar há 30 dias, fibrilação atrial em anticoagulação oral e anemia leve. Laboratório na admissão: creatinina 4,5 mg/dL; ureia 182 mg/dL; Na 136 mEq/L; K 5,3 mEq/L; leucócitos 7.900/mm³ ; plaquetas 148.000/mm³ . Ultrassonografia de rins e vias urinárias evidencia hidronefrose direita importante, sem cálculos visíveis; bexiga com conteúdo anecoico e volume estimado de 80 mL. O quadro clínico é compatível com obstrução ureteral maligna aguda por progressão tumoral. Considerando as opções de manejo da obstrução urinária em contexto de neoplasia pélvica avançada, a melhor conduta inicial é:
  1. ARealizar cistoscopia em centro cirúrgico com tentativa de passagem retrógrada de cateter duplo J no ureter direito.
  2. BIndicar nefrostomia percutânea de urgência à direita guiada por radiologia intervencionista.
  3. CProceder com sondagem vesical de demora para alívio da bexiga e reavaliação do débito urinário nas próximas horas.
  4. DRealizar sondagem vesical de alívio e programar tomografia computadorizada sem contraste para estadiamento posterior.
  5. EIniciar hidratação vigorosa com solução cristaloide e observar por 24 horas antes de qualquer derivação urinária.
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GabaritoB — Indicar nefrostomia percutânea de urgência à direita guiada por radiologia intervencionista.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Obstrução ureteral maligna: nefrostomia percutânea como conduta inicial

Gabarito: letra B. Em obstrução ureteral maligna aguda com hidronefrose e deterioração da função renal (creatinina 4,5 mg/dL), a nefrostomia percutânea de urgência é a conduta inicial preferida, pois descomprime o rim de forma rápida e minimamente invasiva, sem depender de anestesia geral ou de atravessar a massa tumoral. A alternativa A (cateter duplo J retrógrado) é uma opção válida, mas em contexto de tumor pélvico volumoso infiltrando paramétrios, a via anterógrada percutânea costuma ser mais factível e segura como primeiro procedimento.

A obstrução ureteral maligna ocorre quando um tumor pélvico (neste caso, câncer de colo de útero localmente avançado) comprime ou invade o ureter, impedindo o fluxo de urina do rim para a bexiga. A consequência imediata é a hidronefrose — dilatação do sistema coletor renal — e, se não tratada, a deterioração progressiva da função renal, culminando em insuficiência renal aguda obstrutiva. No caso apresentado, a paciente já tem creatinina de 4,5 mg/dL (valor de referência usual: 0,6–1,2 mg/dL), oligúria e hidronefrose direita importante, configurando uma emergência urológica que exige descompressão imediata.

As duas principais estratégias de derivação urinária são: (1) a nefrostomia percutânea, que consiste na punção do rim guiada por ultrassom ou tomografia, com inserção de um cateter que drena a urina diretamente do sistema coletor para uma bolsa externa; e (2) o cateter duplo J, inserido por via retrógrada (cistoscopia) ou anterógrada, que atravessa o ureter e permite o fluxo de urina do rim para a bexiga. A escolha entre elas depende da localização e extensão da obstrução, da condição clínica da paciente e da experiência do serviço.

Na obstrução maligna por tumor pélvico avançado, a nefrostomia percutânea é frequentemente preferida como conduta inicial por várias razões: é um procedimento rápido, realizado sob anestesia local, com alta taxa de sucesso mesmo em obstruções completas; não requer atravessar o tumor com um guia, o que pode ser tecnicamente difícil ou impossível; e permite a descompressão imediata do rim, aliviando a dor e prevenindo dano renal adicional. O cateter duplo J retrógrado, embora seja uma opção menos invasiva a longo prazo (não deixa dispositivo externo), pode falhar quando o tumor distorce ou obstrui completamente o ureter, e exige cistoscopia, que pode ser mais demorada e exigir anestesia.

A distinção crucial é entre obstrução intrínseca (cálculo, tumor de ureter) e extrínseca (compressão por massa adjacente). Na obstrução extrínseca maligna, a nefrostomia percutânea tem maior taxa de sucesso inicial e é a abordagem de primeira linha na maioria dos guidelines. O cateter duplo J pode ser tentado, mas com menor probabilidade de sucesso e maior risco de falha. Além disso, a paciente tem história de isquemia mesentérica com enterectomia recente e fibrilação atrial em anticoagulação — fatores que aumentam o risco cirúrgico e favorecem um procedimento minimamente invasivo como a nefrostomia.

A pegadinha da questão está em considerar a sondagem vesical (alternativas C e D) como tratamento da obstrução ureteral. A sondagem vesical apenas drena a bexiga, mas não resolve a obstrução do ureter, que está acima da bexiga. A hidratação vigorosa (alternativa E) é contraindicada em paciente com oligúria e função renal já comprometida, pois pode levar a sobrecarga de volume e edema pulmonar, especialmente em uma paciente com fibrilação atrial e história de isquemia mesentérica.

Guarde a hierarquia: obstrução ureteral maligna aguda → descompressão imediata → nefrostomia percutânea como primeira escolha, com cateter duplo J como alternativa. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Obstrução ureteral maligna aguda
  • 1Derivação urinária imediata
    • Nefrostomia percutânea (1ª escolha)
      • Rápida, anestesia local
      • Alta taxa de sucesso em obstrução extrínseca
    • Cateter duplo J retrógrado (alternativa)
      • Menor sucesso em tumor volumoso
      • Exige cistoscopia/anestesia
  • 2Condutas que NÃO resolvem
    • Sondagem vesical (drena bexiga, não o ureter)
    • Hidratação vigorosa (risco de sobrecarga)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A cistoscopia com passagem retrógrada de cateter duplo J é uma opção válida, mas não é a melhor conduta inicial neste cenário. Em obstrução maligna extrínseca por tumor pélvico volumoso, a taxa de sucesso do duplo J retrógrado é menor, e o procedimento exige anestesia e posicionamento em litotomia, o que pode ser mais arriscado na paciente com comorbidades (isquemia mesentérica recente, fibrilação atrial). A nefrostomia percutânea é mais rápida, eficaz e segura como primeiro procedimento.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A nefrostomia percutânea de urgência é a conduta inicial preferida na obstrução ureteral maligna aguda com hidronefrose e deterioração da função renal. Ela descomprime o rim de forma rápida, sob anestesia local, com alta taxa de sucesso mesmo em obstruções completas por compressão extrínseca, e não requer atravessar o tumor. É o procedimento de escolha para aliviar a obstrução e prevenir dano renal adicional.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sondagem vesical de demora drena a bexiga, mas não resolve a obstrução do ureter, que está acima da bexiga. A hidronefrose direita e a deterioração da função renal persistirão, e a paciente continuará em risco de insuficiência renal aguda. A sondagem vesical não é o tratamento da obstrução ureteral.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sondagem vesical de alívio e a tomografia para estadiamento são medidas complementares, mas não tratam a obstrução ureteral aguda. A paciente precisa de descompressão imediata do rim, não apenas de avaliação diagnóstica. A tomografia pode ser útil para planejar o tratamento, mas não deve atrasar a derivação urinária de urgência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hidratação vigorosa é contraindicada em paciente com oligúria e função renal já comprometida (creatinina 4,5 mg/dL). Pode levar a sobrecarga de volume, edema pulmonar e piora da função renal. A conduta correta é a descompressão imediata da obstrução, não a observação com hidratação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao oferecer alternativas que parecem razoáveis, mas não tratam a causa da obstrução. A sondagem vesical (C e D) é uma armadilha clássica: o candidato pode pensar que drenar a bexiga resolve o problema, mas a obstrução está no ureter, acima da bexiga. A hidratação vigorosa (E) é outra armadilha: em paciente com oligúria e função renal comprometida, hidratar pode piorar o quadro. A chave é reconhecer que a obstrução ureteral exige derivação urinária imediata, e a nefrostomia percutânea é a forma mais rápida e segura de fazê-lo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de obstrução ureteral, pergunte-se: "Onde está a obstrução?" Se estiver no ureter, a sondagem vesical não resolve. Se for maligna e extrínseca, a nefrostomia percutânea é a primeira escolha. O cateter duplo J é uma alternativa, mas com menor taxa de sucesso em tumores volumosos. Memorize a hierarquia: obstrução ureteral aguda → descompressão imediata → nefrostomia percutânea > duplo J retrógrado.

Gabarito: letra B

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