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Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2026

MedicinaEpidemiologia
Código
qg693854
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Família
Em um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, avaliou-se a eficácia de um fármaco na redução de eventos cardiovasculares em 5 anos. A incidência do desfecho primário foi de 4% no grupo intervenção e 5% no grupo placebo, com p = 0,18. O intervalo de confiança de 95% para o risco relativo foi de 0,62–1,08. Com base nesses dados, assinale a alternativa correta.
  1. AO estudo demonstrou equivalência terapêutica entre o fármaco e o placebo.
  2. BA redução absoluta de risco foi clinicamente relevante, apesar da ausência de significância estatística.
  3. CO Número Necessário para Tratar (NNT) é 100, indicando benefício populacional importante.
  4. DO resultado é compatível tanto com redução quanto com aumento do risco, não permitindo concluir eficácia.
  5. EO erro tipo II pode ser descartado, pois houve tendência à redução do risco relativo.
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GabaritoD — O resultado é compatível tanto com redução quanto com aumento do risco, não permitindo concluir eficácia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de resultados de ensaio clínico: significância estatística e intervalo de confiança

Gabarito: letra D. O intervalo de confiança de 95% para o risco relativo (0,62–1,08) inclui o valor 1,0, que representa ausência de efeito. Isso significa que os dados são compatíveis tanto com redução quanto com aumento do risco, não permitindo concluir eficácia do fármaco. A ausência de significância estatística (p = 0,18) reforça essa interpretação.

O ensaio clínico randomizado é o padrão-ouro para avaliar eficácia de intervenções. Nesse desenho, os participantes são alocados aleatoriamente aos grupos, o que equilibra fatores de confusão conhecidos e desconhecidos. O duplo-cego (nem o paciente nem o pesquisador sabem qual tratamento está sendo administrado) controla vieses de aferição e de resposta. O controle por placebo permite isolar o efeito específico do fármaco do efeito placebo.

A interpretação dos resultados depende de dois conceitos complementares: a significância estatística (valor de p) e a precisão da estimativa (intervalo de confiança). O valor de p indica a probabilidade de observar um resultado tão extremo quanto o encontrado, assumindo que a hipótese nula (ausência de efeito) é verdadeira. Um p < 0,05 é o limiar convencional para rejeitar a hipótese nula. O intervalo de confiança de 95% fornece a faixa de valores plausíveis para o verdadeiro efeito populacional, com 95% de confiança.

A regra prática para interpretar o IC do risco relativo é verificar se o valor 1,0 (efeito nulo) está dentro do intervalo. Se estiver, não há evidência estatística de diferença entre os grupos. Se o IC estiver inteiramente abaixo de 1,0, há evidência de redução de risco; se inteiramente acima, há evidência de aumento de risco. No caso apresentado, o IC 0,62–1,08 inclui o 1,0, indicando que o estudo não conseguiu demonstrar eficácia — o resultado é inconclusivo.

A redução absoluta de risco (RAR) é calculada como a diferença entre a incidência no grupo placebo e no grupo intervenção: 5% − 4% = 1%. O Número Necessário para Tratar (NNT) é o inverso da RAR: 1/0,01 = 100. No entanto, esses cálculos são descritivos e não consideram a incerteza estatística. Como o IC do RR inclui o 1,0, não se pode afirmar que o fármaco seja eficaz — o NNT de 100 seria válido apenas se houvesse significância estatística.

A distinção crucial é entre significância estatística e relevância clínica. Um resultado pode ser estatisticamente significativo sem ser clinicamente relevante (efeito pequeno em amostra grande), ou pode ser clinicamente relevante sem atingir significância estatística (efeito aparente em amostra pequena). No entanto, quando o IC inclui o valor nulo, não há base estatística para afirmar qualquer benefício — a tendência observada pode ser devida ao acaso.

O erro tipo II (falso negativo) ocorre quando o estudo não detecta um efeito que realmente existe, geralmente por tamanho amostral insuficiente. A ausência de significância estatística não permite descartar o erro tipo II — pelo contrário, é uma possibilidade real. A tendência à redução do risco (RR = 0,8) poderia sugerir um efeito real, mas o IC amplo indica imprecisão, e o p = 0,18 não exclui a hipótese nula.

A equivalência terapêutica é um conceito distinto: para demonstrar que dois tratamentos são equivalentes, é necessário um desenho específico (ensaio de não-inferioridade ou equivalência) com margens pré-definidas. Um resultado não significativo não equivale a demonstrar equivalência — pode simplesmente refletir falta de poder estatístico. A alternativa A comete exatamente esse erro.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre "ausência de evidência de efeito" e "evidência de ausência de efeito". O IC que cruza o 1,0 indica que os dados não são suficientes para concluir eficácia, mas também não provam que o fármaco seja ineficaz — o resultado é inconclusivo. A alternativa D captura precisamente essa nuance.

Guarde o critério decisivo: o IC do RR que inclui o 1,0 torna o resultado inconclusivo, independentemente da tendência observada ou do NNT calculado. É exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.

IC inclui 1,0
IC exclui 1,0
p ≥ 0,05
Inconclusivo (contraditório)
Eficácia demonstrada
p < 0,05
Inconclusivo (sem poder)
Sem efeito demonstrado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o estudo demonstrou equivalência terapêutica. Para demonstrar equivalência, seria necessário um desenho de não-inferioridade com margem pré-definida. Um resultado não significativo (p = 0,18) não prova equivalência — pode refletir falta de poder estatístico. A ausência de evidência de diferença não é evidência de ausência de diferença.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a redução absoluta de risco foi clinicamente relevante. A RAR é de 1% (5% − 4%), mas como o IC do RR inclui o 1,0, não há evidência estatística de que essa diferença seja real. Não se pode afirmar relevância clínica sem significância estatística — a diferença observada pode ser devida ao acaso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o NNT é 100, indicando benefício populacional importante. O cálculo do NNT (1/RAR = 1/0,01 = 100) está correto, mas a interpretação está errada. O NNT só é válido quando há evidência estatística de efeito. Como o IC inclui o 1,0, não se pode afirmar benefício — o NNT de 100 seria aplicável apenas se o resultado fosse estatisticamente significativo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o resultado é compatível tanto com redução quanto com aumento do risco, não permitindo concluir eficácia. O IC de 95% para o RR (0,62–1,08) inclui o valor 1,0, que representa ausência de efeito. Isso significa que os dados são compatíveis com redução (RR < 1), ausência de efeito (RR = 1) e aumento do risco (RR > 1). O p = 0,18 confirma a ausência de significância estatística. O resultado é inconclusivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o erro tipo II pode ser descartado. O erro tipo II (falso negativo) ocorre quando o estudo não detecta um efeito real. A ausência de significância estatística não permite descartá-lo — pelo contrário, é uma possibilidade real, especialmente com IC amplo. A tendência à redução do risco (RR = 0,8) poderia sugerir um efeito real, mas o p = 0,18 não exclui a hipótese nula.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "ausência de evidência de efeito" e "evidência de ausência de efeito". O IC que cruza o 1,0 torna o resultado inconclusivo — não prova eficácia nem ineficácia. As alternativas B e C tentam fazer o aluno "salvar" o resultado com cálculos descritivos (RAR, NNT), mas esses só são válidos com significância estatística. A alternativa A confunde não-significância com equivalência. Com treino, você identifica o IC que inclui o 1,0 e elimina essas armadilhas de imediato 💪

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao interpretar um ensaio clínico, siga esta sequência: (1) verifique se o IC do RR inclui o 1,0 — se incluir, o resultado é inconclusivo; (2) confirme com o valor de p (≥ 0,05 = não significativo); (3) só então calcule RAR e NNT, mas lembre-se de que eles são descritivos e não substituem a inferência estatística. Essa ordem evita os erros mais comuns.

Gabarito: letra D

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