Questão de Medicina — Medicina Preventiva — FUNDATEC 2026
Medicina›Medicina Preventiva
Código
qg693855
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Família
No contexto da Medicina de Família e Comunidade, a prescrição de polivitamínicos para idosos deve ser analisada segundo os níveis de prevenção. À luz das evidências atuais, assinale a alternativa correta.
AA suplementação rotineira de polivitamínicos em idosos assintomáticos é recomendada como medida de prevenção primária, com o objetivo de reduzir morbimortalidade.
BA prescrição de polivitamínicos em idosos sem sinais clínicos de deficiência nutricional caracteriza prevenção secundária, por antecipar o tratamento de possíveis carências ocultas.
CA suplementação de polivitamínicos deve ser indicada de forma sistemática após os 60 anos como estratégia de prevenção terciária, independentemente do estado nutricional.
DA avaliação da necessidade de suplementação vitamínica no idoso é inviável na Atenção Primária, devendo ser definida apenas em nível especializado.
EA recusa à prescrição de polivitamínicos em idosos sem deficiência comprovada representa uma ação de prevenção quaternária, ao evitar medicalização desnecessária e potenciais danos.
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GabaritoE — A recusa à prescrição de polivitamínicos em idosos sem deficiência comprovada representa uma ação de prevenção quaternária, ao evitar medicalização desnecessária e potenciais danos.
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Prevenção quaternária e a prescrição racional de polivitamínicos no idoso
Gabarito: letra E. A recusa à prescrição de polivitamínicos em idosos sem deficiência comprovada é um exemplo clássico de prevenção quaternária, que visa evitar intervenções médicas desnecessárias e seus potenciais danos. As demais alternativas erram ao classificar a suplementação rotineira como prevenção primária, secundária ou terciária, ou ao afirmar que essa avaliação é inviável na Atenção Primária.
A prevenção quaternária é o conjunto de ações que visam identificar pacientes em risco de supermedicalização, protegendo-os de intervenções médicas inapropriadas e propondo cuidados eticamente aceitáveis. No contexto da Medicina de Família e Comunidade, essa é uma ferramenta essencial para a prática baseada em evidências, especialmente diante da crescente medicalização do envelhecimento. A decisão de não prescrever um suplemento sem indicação clara não é uma omissão, mas uma conduta ativa e fundamentada.
Para entender a questão, é preciso dominar os níveis de prevenção. A prevenção primária atua antes da doença, reduzindo fatores de risco (ex.: vacinação, dieta saudável). A prevenção secundária envolve o rastreamento e o diagnóstico precoce de doenças assintomáticas (ex.: mamografia). A prevenção terciária visa reduzir complicações e reabilitação de doenças já estabelecidas (ex.: reabilitação pós-AVC). A prevenção quaternária, por sua vez, protege o paciente de intervenções desnecessárias ou excessivas, evitando o dano iatrogênico.
No caso específico dos polivitamínicos, as evidências atuais não suportam o uso rotineiro em idosos saudáveis. Estudos como o Physicians' Health Study II não demonstraram benefício na prevenção de declínio cognitivo ou doenças cardiovasculares com multivitamínicos. A suplementação só é recomendada quando há deficiência comprovada, má absorção, ou condições específicas que aumentem a necessidade. Portanto, prescrever polivitamínicos para um idoso sem deficiência é uma intervenção sem benefício comprovado, mas com riscos potenciais (ex.: toxicidade de vitaminas lipossolúveis, interações medicamentosas).
A banca explora exatamente a confusão entre os níveis de prevenção. O candidato que não domina o conceito de prevenção quaternária tende a marcar a alternativa A, que parece plausível, mas contradiz as evidências. A pegadinha está em associar "prevenção" a "suplementação", quando na verdade a conduta correta é a não-intervenção. A prevenção quaternária é a resposta certa porque reconhece que a ausência de prescrição pode ser a melhor conduta preventiva.
Guarde a fronteira entre os níveis de prevenção: primária (antes da doença), secundária (diagnóstico precoce), terciária (reabilitação) e quaternária (evitar excessos). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Níveis de prevenção: Primária (Antes da doença, Reduz fatores de risco, Ex.: vacinação, dieta); Secundária (Rastreamento, Diagnóstico precoce, Ex.: mamografia); Terciária (Doença já estabelecida, Reduz complicações, Ex.: reabilitação pós-AVC); Quaternária (Evita supermedicalização, Protege de intervenções desnecessárias, Ex.: não prescrever sem indicação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A suplementação rotineira de polivitamínicos em idosos assintomáticos não é recomendada como prevenção primária. As evidências atuais não demonstram benefício na redução de morbimortalidade com o uso indiscriminado. A prevenção primária envolve medidas com eficácia comprovada, como vacinação e atividade física, não a suplementação vitamínica sem indicação. O erro está em afirmar que essa é uma medida recomendada, quando na verdade é uma prática sem suporte científico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A prescrição de polivitamínicos em idosos sem sinais clínicos de deficiência não caracteriza prevenção secundária. A prevenção secundária envolve rastreamento e diagnóstico precoce de doenças, como medir glicemia para detectar diabetes. A suplementação vitamínica sem deficiência comprovada não é um rastreamento, mas uma intervenção sem indicação. O erro está em classificar uma conduta não baseada em evidências como prevenção secundária, que tem definição específica e diferente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A suplementação de polivitamínicos não deve ser indicada de forma sistemática após os 60 anos como prevenção terciária. A prevenção terciária visa reduzir complicações de doenças já estabelecidas, como reabilitação cardíaca. A suplementação vitamínica sem deficiência comprovada não se enquadra nessa categoria. O erro está em defender uma prática sem evidência, independentemente do estado nutricional, o que contraria os princípios da medicina baseada em evidências.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A avaliação da necessidade de suplementação vitamínica no idoso é viável na Atenção Primária. O médico de família pode avaliar o estado nutricional, solicitar exames quando indicado e orientar sobre alimentação saudável. A afirmação de que essa avaliação deve ser definida apenas em nível especializado é incorreta e contraria o princípio da integralidade do cuidado na Atenção Primária. O erro está em subestimar a capacidade resolutiva da atenção básica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A recusa à prescrição de polivitamínicos em idosos sem deficiência comprovada representa uma ação de prevenção quaternária. A prevenção quaternária visa evitar intervenções médicas desnecessárias e seus potenciais danos, protegendo o paciente da supermedicalização. Ao não prescrever um suplemento sem indicação, o médico está agindo ativamente para evitar danos iatrogênicos, como toxicidade e interações medicamentosas. Essa é uma conduta baseada em evidências e alinhada com os princípios da Medicina de Família e Comunidade.