Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg693857
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Família
A colelitíase é uma das doenças digestivas mais frequentes na prática clínica. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.
AO ácido ursodesoxicólico oral demonstrou claramente ser benéfico na prevenção da colelitíase durante rápida perda de peso.
BOs cálculos biliares de colesterol são constituídos quase exclusivamente por sais de cálcio, sendo os cálculos ricos em colesterol uma forma rara da doença litiásica biliar.
CA tomografia computadorizada é o método de imagem inicial de escolha para o diagnóstico de colelitíase, por apresentar maior sensibilidade que a ultrassonografia abdominal.
DA passagem de um cálculo biliar volumoso da vesícula para o intestino delgado não causa obstrução mecânica, configurando apenas um distúrbio funcional transitório.
EAs terapias não cirúrgicas da litíase biliar apresentam alta eficácia e baixa taxa de recorrência, sendo atualmente preferidas à colecistectomia laparoscópica.
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GabaritoA — O ácido ursodesoxicólico oral demonstrou claramente ser benéfico na prevenção da colelitíase durante rápida perda de peso.
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Colelitíase: fisiopatologia, diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra A. O ácido ursodesoxicólico (UDCA) é um ácido biliar hidrofílico que reduz a saturação do colesterol na bile e, em contexto de rápida perda de peso, demonstrou benefício na prevenção da formação de cálculos biliares — exatamente o que a alternativa A afirma. As demais alternativas erram ao inverter a composição dos cálculos (colesterol é o mais comum, não sais de cálcio), ao trocar o método de imagem inicial (ultrassonografia, não tomografia), ao negar a obstrução mecânica por cálculo volumoso (íleo biliar) e ao superestimar as terapias não cirúrgicas (alta recorrência, colecistectomia é o padrão).
A colelitíase é a presença de cálculos na vesícula biliar, uma das doenças digestivas mais prevalentes. Para entender a questão, é essencial dominar a fisiopatologia em três eixos: saturação do colesterol biliar, nucleação e estase biliar. A bile é produzida no fígado e armazenada na vesícula; quando há desequilíbrio entre colesterol, sais biliares e lecitina, o colesterol pode precipitar e formar cristais que crescem até virar cálculos. Os fatores de risco reconhecidos incluem idade, sexo feminino, obesidade, perda de peso rápida, gravidez, uso de contraceptivos orais, diabetes, cirrose, doença de Crohn e ressecção do íleo terminal — todos listados na tabela de fatores de risco do material de apoio.
Os cálculos biliares dividem-se em dois grandes grupos: cálculos de colesterol (cerca de 80% dos casos) e cálculos de pigmento (negros, associados a hemólise e cirrose; ou marrons, associados a infecção e estase). Os cálculos de colesterol formam-se quando a bile está supersaturada de colesterol, com nucleação acelerada e hipomotilidade vesicular. Já os cálculos de pigmento negro formam-se por excesso de bilirrubina não conjugada, comum na hemólise crônica. Essa distinção é central: a alternativa B inverte completamente essa realidade ao afirmar que os cálculos são constituídos quase exclusivamente por sais de cálcio.
O diagnóstico de rotina é feito por ultrassonografia abdominal, método de alta sensibilidade (acima de 95%) para cálculos na vesícula, além de ser barato, não invasivo e sem radiação. A tomografia computadorizada tem sensibilidade menor para cálculos puros de colesterol (que podem ser radiotransparentes) e não é o exame inicial de escolha. A ressonância magnética (colangiorressonância) é útil para avaliar colédoco, mas não substitui a USG na suspeita inicial. Essa hierarquia de exames é o que derruba a alternativa C.
As complicações da colelitíase decorrem da obstrução: o cálculo pode impactar o ducto cístico (colecistite aguda), o colédoco (colangite, pancreatite) ou, em casos raros, um cálculo volumoso pode erodir a parede da vesícula e migrar para o intestino delgado, causando íleo biliar — uma obstrução mecânica verdadeira, não um distúrbio funcional transitório. A alternativa D nega exatamente essa complicação clássica.
O tratamento de escolha para colelitíase sintomática é a colecistectomia laparoscópica, com baixa morbidade e alta eficácia. As terapias não cirúrgicas — como ácido ursodesoxicólico oral e litotripsia — têm indicações restritas (cálculos pequenos, vesícula funcionante) e apresentam alta taxa de recorrência após a suspensão do tratamento, o que as torna inferiores à cirurgia na maioria dos casos. A alternativa E inverte essa lógica ao afirmar que as terapias não cirúrgicas são preferidas.
A alternativa A, correta, refere-se ao uso do ácido ursodesoxicólico na prevenção da colelitíase durante rápida perda de peso — situação em que há mobilização de colesterol e supersaturação biliar, e o UDCA demonstrou reduzir a formação de cálculos. Esse é um uso específico e bem documentado, distinto do tratamento de cálculos já formados.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora inversões clássicas: troca a composição dos cálculos (colesterol × sais de cálcio), o exame inicial (USG × TC), a natureza da obstrução (mecânica × funcional) e a preferência terapêutica (cirurgia × clínico). O candidato que decora os pontos-chave — cálculo mais comum é de colesterol, USG é o exame inicial, íleo biliar é obstrução mecânica, colecistectomia é o padrão — elimina as quatro erradas rapidamente.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o ácido ursodesoxicólico oral demonstrou benefício na prevenção da colelitíase durante rápida perda de peso. Isso está correto: a rápida perda de peso é um fator de risco reconhecido para colelitíase (presente na tabela de fatores de risco do material de apoio), pois aumenta a saturação do colesterol biliar. O UDCA, ao reduzir essa saturação, previne a formação de cálculos nesse contexto específico. É uma medida preventiva documentada, distinta do uso terapêutico para dissolver cálculos já formados (que tem indicações restritas).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que os cálculos biliares de colesterol são constituídos quase exclusivamente por sais de cálcio e que os cálculos ricos em colesterol são raros. É o oposto da realidade: os cálculos de colesterol são os mais comuns (cerca de 80%), e os cálculos de pigmento (que contêm bilirrubinato de cálcio) são a minoria. A banca inverte a composição predominante — o erro está em trocar colesterol por sais de cálcio como componente principal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a tomografia computadorizada é o método de imagem inicial de escolha por ter maior sensibilidade que a ultrassonografia. Errado: a ultrassonografia abdominal é o exame inicial de escolha para colelitíase, com sensibilidade superior a 95% para cálculos vesiculares, além de ser barata, não invasiva e sem radiação. A TC tem sensibilidade menor, especialmente para cálculos puros de colesterol, que podem ser radiotransparentes. A banca troca o exame padrão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a passagem de um cálculo volumoso da vesícula para o intestino delgado não causa obstrução mecânica, sendo apenas um distúrbio funcional transitório. Isso é falso: a migração de um cálculo grande pode causar íleo biliar, uma obstrução mecânica verdadeira do intestino delgado, geralmente na válvula ileocecal, com quadro de obstrução intestinal aguda. A banca nega uma complicação clássica e bem documentada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que as terapias não cirúrgicas da litíase biliar apresentam alta eficácia e baixa taxa de recorrência, sendo preferidas à colecistectomia laparoscópica. É o inverso: as terapias não cirúrgicas (UDCA oral, litotripsia) têm indicações restritas e alta taxa de recorrência após a suspensão, enquanto a colecistectomia laparoscópica é o tratamento de escolha para colelitíase sintomática, com baixa morbidade e alta eficácia. A banca inverte a preferência terapêutica.
Gabarito: letra A — única correta, pois o ácido ursodesoxicólico é benéfico na prevenção da colelitíase durante rápida perda de peso.