Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg693866
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Família
Mulher, 50 anos, dentista, refere dor na face radial do punho direito há 3 meses, com piora ao realizar movimentos repetitivos e ao usar o polegar. Nega trauma. Ao exame, apresenta dor localizada próxima ao processo estiloide do rádio e limitação dolorosa da pinça. O quadro apresentado é mais compatível com:
ASíndrome do túnel do carpo.
BDedo em gatilho.
CArtrite reumatoide.
DCisto sinovial.
ETenossinovite de De Quervain.
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GabaritoE — Tenossinovite de De Quervain.
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Tenossinovite de De Quervain: diagnóstico diferencial de dor radial no punho
Gabarito: letra E. O quadro — dor na face radial do punho, piora com movimentos repetitivos e uso do polegar, dor próxima ao processo estiloide do rádio e limitação dolorosa da pinça — é a apresentação clássica da tenossinovite de De Quervain, inflamação dos tendões do primeiro compartimento extensor (abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar). O diagnóstico é essencialmente clínico, confirmado pelo teste de Finkelstein, que reproduz a dor na região radial ao desvio ulnar passivo do punho com o polegar fletido.
A tenossinovite de De Quervain é uma condição inflamatória que acomete os tendões que passam pelo primeiro compartimento extensor do punho: o abdutor longo do polegar e o extensor curto do polegar. Esses tendões são responsáveis pela abdução e extensão do polegar, respectivamente. A inflamação da bainha sinovial que os envolve causa dor na face radial do punho, que se irradia para o polegar e piora com atividades que exigem movimentos repetitivos de pinça, preensão ou desvio ulnar do punho. A dor é tipicamente localizada sobre o processo estiloide do rádio, exatamente onde os tendões passam, e a palpação dessa região reproduz o sintoma. A limitação dolorosa da pinça ocorre porque a pinça exige a oposição e a extensão do polegar, movimentos que tensionam os tendões inflamados.
O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico. O teste de Finkelstein é a manobra semiológica clássica: com o polegar fletido e coberto pelos demais dedos, o examinador realiza o desvio ulnar passivo do punho, o que estira os tendões do primeiro compartimento e reproduz a dor na região radial. Esse teste é altamente sugestivo de De Quervain quando positivo. A condição é mais comum em mulheres entre 30 e 50 anos e em profissões que exigem movimentos repetitivos do polegar e do punho, como dentistas, digitadores e mães de recém-nascidos (a chamada "polegar de mãe").
O diagnóstico diferencial da dor radial no punho inclui outras condições que devem ser afastadas. A síndrome do túnel do carpo, por exemplo, é uma neuropatia compressiva do nervo mediano, que se manifesta com parestesia e dormência na região inervada por esse nervo (polegar, indicador, médio e metade radial do anular), e não com dor localizada sobre o processo estiloide. O dedo em gatilho é uma tenossinovite estenosante dos flexores dos dedos, que causa um nódulo doloroso na palma e o fenômeno de "travar" e "soltar" o dedo, sem relação com a face radial do punho. A artrite reumatoide é uma doença inflamatória sistêmica que acomete múltiplas articulações, tipicamente de forma simétrica, com rigidez matinal prolongada e deformidades características (desvio ulnar, dedo em pescoço de cisne, botoeira), além de manifestações extra-articulares. O cisto sinovial (gânglio) é uma tumoração benigna, geralmente visível e palpável, que pode ser assintomática ou causar dor por compressão, mas não cursa com limitação dolorosa da pinça nem com dor à movimentação do polegar como sintoma predominante.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que a dor radial no punho com piora ao uso do polegar e dor no processo estiloide do rádio é o padrão típico de De Quervain, e não de outras condições mais comuns como a síndrome do túnel do carpo. A banca explora a confusão entre as duas, mas a diferença é clara: na síndrome do túnel do carpo o sintoma é parestesia (formigamento/dormência) no território do nervo mediano, enquanto na De Quervain o sintoma é dor mecânica na face radial, reproduzida pelo teste de Finkelstein. A limitação dolorosa da pinça é um dado adicional que reforça o diagnóstico, pois a pinça exige a extensão e abdução do polegar, movimentos que tensionam os tendões inflamados.
Guarde a fronteira entre dor mecânica (De Quervain) e sintoma neurológico (túnel do carpo): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A síndrome do túnel do carpo é causada pela compressão do nervo mediano no punho, manifestando-se com parestesia, formigamento ou dormência na região inervada por esse nervo (polegar, indicador, médio e metade radial do anular), além de dor noturna e teste de Phalen e Tinel positivos. O quadro descrito não apresenta sintomas sensitivos, mas sim dor mecânica localizada na face radial, próxima ao processo estiloide do rádio, com limitação dolorosa da pinça — o que aponta para uma condição tendinosa, não neurológica. A piora com movimentos repetitivos e uso do polegar é típica de De Quervain, não de compressão do nervo mediano.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O dedo em gatilho (tenossinovite estenosante dos flexores) é uma condição que acomete os tendões flexores dos dedos, causando um nódulo doloroso na palma da mão e o fenômeno de "travar" e "soltar" o dedo ao flexionar e estender. Não há relação com a face radial do punho, com o processo estiloide do rádio ou com a limitação dolorosa da pinça. A dor é localizada na palma ou na base do dedo afetado, e não na região radial do punho.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A artrite reumatoide é uma doença inflamatória sistêmica autoimune que acomete tipicamente múltiplas articulações de forma simétrica, incluindo punhos, metacarpofalangianas e interfalangianas proximais. Cursa com rigidez matinal prolongada (mais de 1 hora), edema articular, deformidades características (desvio ulnar, dedo em pescoço de cisne, botoeira) e manifestações sistêmicas. O quadro descrito é unilateral, localizado na face radial do punho, sem rigidez matinal ou acometimento articular difuso, o que não sustenta o diagnóstico de artrite reumatoide.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O cisto sinovial (gânglio) é uma tumoração benigna, geralmente visível e palpável, que pode ser assintomática ou causar dor por compressão de estruturas adjacentes. Não cursa com limitação dolorosa da pinça nem com dor à movimentação do polegar como sintoma predominante. O quadro descrito não menciona a presença de tumoração, e a dor localizada no processo estiloide do rádio com piora ao uso do polegar é típica de tenossinovite, não de cisto sinovial.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tenossinovite de De Quervain é a inflamação dos tendões do primeiro compartimento extensor do punho (abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar). O quadro clássico é dor na face radial do punho, localizada sobre o processo estiloide do rádio, que piora com movimentos repetitivos e uso do polegar, além de limitação dolorosa da pinça. O teste de Finkelstein reproduz a dor ao realizar o desvio ulnar passivo do punho com o polegar fletido. A paciente, dentista, tem profissão de risco para movimentos repetitivos do polegar, o que reforça o diagnóstico.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, para diferenciar De Quervain de síndrome do túnel do carpo, pergunte-se: há parestesia/dormência (túnel do carpo) ou dor mecânica localizada na face radial (De Quervain)? Se a dor piora com o uso do polegar e o teste de Finkelstein é positivo, é De Quervain. Memorize o teste de Finkelstein como o marco semiológico dessa condição.