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Questão de Medicina — Nefrologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNefrologia
Código
qg693869
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Família
Sobre a nefrolitíase e as medidas de avaliação e prevenção dos cálculos renais, assinale a alternativa correta.
  1. APacientes com cálculos de cálcio devem limitar a ingestão diária de sódio a não mais que 2 g/dia.
  2. BA ingestão excessiva de proteína de origem animal não se associa à formação de cálculos do trato urinário.
  3. CA dosagem de cistina urinária deve ser realizada rotineiramente em todos os pacientes com cálculo renal.
  4. DApenas uma pequena parcela dos cálculos renais é radiopaca e passível de identificação à radiografia simples de abdome.
  5. ECálculos de cistina se formam apenas quando há íons amônio e urina alcalina (pH ≥7), o que ocorre somente quando há bactérias produtoras de urease.
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GabaritoA — Pacientes com cálculos de cálcio devem limitar a ingestão diária de sódio a não mais que 2 g/dia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nefrolitíase: avaliação e prevenção de cálculos renais

Gabarito: letra A. A recomendação de limitar a ingestão de sódio a não mais que 2 g/dia para pacientes com cálculos de cálcio está correta, pois a alta carga de sódio aumenta a excreção urinária de cálcio, favorecendo a supersaturação e a formação de novos cálculos. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a fisiopatologia e o manejo da nefrolitíase.

A nefrolitíase é uma condição multifatorial em que a formação de cálculos ocorre pela supersaturação de solutos na urina, como cálcio, oxalato, ácido úrico e cistina. A prevenção de recorrência envolve medidas dietéticas e, em alguns casos, tratamento farmacológico, sempre individualizadas conforme a avaliação metabólica do paciente. A restrição de sódio é uma das medidas mais importantes, pois o sódio compete com o cálcio pela reabsorção tubular renal: quanto mais sódio é filtrado e excretado, mais cálcio é excretado na urina, aumentando o risco de cristalização.

A proteína de origem animal, por sua vez, é rica em aminoácidos sulfurados, que ao serem metabolizados geram ácido sulfúrico. Esse ácido precisa ser tamponado, e o cálcio ósseo é mobilizado para isso, aumentando a excreção urinária de cálcio. Além disso, a proteína animal aumenta a excreção de ácido úrico e reduz a excreção de citrato (um inibidor natural da cristalização). Portanto, a ingestão excessiva de proteína animal está claramente associada à formação de cálculos, contrariando a alternativa B.

A dosagem de cistina urinária não é realizada rotineiramente em todos os pacientes com cálculo renal. Ela é indicada apenas em casos específicos, como pacientes com história familiar de cistinúria, cálculos radiopacos com densidade elevada, ou quando há suspeita clínica. A avaliação metabólica inicial de um paciente com nefrolitíase inclui, em geral, dosagens séricas e urinárias de cálcio, ácido úrico, citrato, oxalato e creatinina, mas a cistina é reservada para situações selecionadas.

Quanto à radiografia simples de abdome, a maioria dos cálculos renais é radiopaca, pois contém cálcio. Cerca de 80% dos cálculos são de cálcio (oxalato de cálcio e fosfato de cálcio), que são radiopacos. Os cálculos de ácido úrico e de cistina são radiolucentes (radiotransparentes) na radiografia simples, mas representam uma minoria. Portanto, a afirmação de que apenas uma pequena parcela é radiopaca está incorreta.

Os cálculos de cistina se formam em urina ácida, não alcalina. A cistina é pouco solúvel em pH ácido, e sua precipitação ocorre quando a concentração urinária de cistina é alta e o pH é baixo. A urina alcalina, por outro lado, aumenta a solubilidade da cistina. A formação de cálculos de estruvita (fosfato amoniacal-magnesiano) é que está associada à urina alcalina e à presença de bactérias produtoras de urease, como Proteus e Klebsiella. A alternativa E inverte completamente essa relação.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca o efeito da proteína animal, a indicação da dosagem de cistina, a radiopacidade dos cálculos e o pH que favorece a formação de cálculos de cistina. O candidato que domina a fisiopatologia básica da nefrolitíase identifica facilmente a alternativa correta.

Nefrolitíase
  • 1Fatores de risco
    • Sódio alto (aumenta calciúria)
    • Proteína animal
      • aumenta cálcio e ácido úrico, reduz citrato
    • Baixa ingesta hídrica
  • 2Tipos de cálculo
    • Cálcio (radiopaco, ~80%)
    • Ácido úrico (radiolucente)
    • Cistina (radiolucente, urina ácida)
    • Estruvita (urina alcalina, bactérias urease)
  • 3Avaliação metabólica
    • Cálcio, ácido úrico, citrato, oxalato
    • Cistina (só casos selecionados)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A recomendação de limitar a ingestão de sódio a não mais que 2 g/dia para pacientes com cálculos de cálcio está correta. A alta ingestão de sódio aumenta a excreção urinária de cálcio, pois o sódio compete com o cálcio pela reabsorção no túbulo proximal e no ramo ascendente da alça de Henle. Isso aumenta a supersaturação urinária de cálcio e favorece a formação de cálculos de oxalato de cálcio e fosfato de cálcio. A restrição de sódio é uma medida preventiva fundamental, juntamente com a ingestão adequada de líquidos e a manutenção de uma dieta balanceada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que a ingestão excessiva de proteína de origem animal não se associa à formação de cálculos é falsa. A proteína animal aumenta a excreção urinária de cálcio, ácido úrico e reduz a excreção de citrato, um inibidor da cristalização. O metabolismo dos aminoácidos sulfurados gera ácido sulfúrico, que é tamponado pelo cálcio ósseo, aumentando a calciúria. Além disso, a proteína animal aumenta a produção de ácido úrico, que pode precipitar ou servir de núcleo para cálculos de cálcio. Portanto, a ingestão excessiva de proteína animal é um fator de risco bem estabelecido para nefrolitíase.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dosagem de cistina urinária não deve ser realizada rotineiramente em todos os pacientes com cálculo renal. Ela é indicada apenas em casos selecionados, como pacientes com história familiar de cistinúria, cálculos radiopacos com densidade elevada, ou quando há suspeita clínica de cistinúria. A avaliação metabólica inicial de um paciente com nefrolitíase inclui, em geral, dosagens séricas e urinárias de cálcio, ácido úrico, citrato, oxalato e creatinina. A dosagem de cistina é reservada para situações específicas, não sendo parte da rotina.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação de que apenas uma pequena parcela dos cálculos renais é radiopaca está incorreta. A maioria dos cálculos renais é radiopaca, pois cerca de 80% são compostos por cálcio (oxalato de cálcio e fosfato de cálcio), que são radiopacos à radiografia simples de abdome. Os cálculos de ácido úrico e de cistina são radiolucentes (radiotransparentes), mas representam uma minoria dos casos. Portanto, a maioria dos cálculos é identificável à radiografia simples, contrariando a alternativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação de que cálculos de cistina se formam apenas em urina alcalina (pH ≥ 7) e na presença de bactérias produtoras de urease está incorreta. Os cálculos de cistina se formam em urina ácida, pois a cistina é pouco solúvel em pH baixo. A alta concentração urinária de cistina e a urina ácida são os principais determinantes para a formação desses cálculos. A urina alcalina e a presença de bactérias produtoras de urease estão associadas à formação de cálculos de estruvita (fosfato amoniacal-magnesiano), não de cistina. A alternativa inverte completamente a relação entre pH e tipo de cálculo.

Gabarito: letra A

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