Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)
Gabarito: letra D. O PSA sérico em pacientes com HPB correlaciona-se com o volume prostático, e níveis acima de aproximadamente 1,4–1,6 ng/mL estão associados a maior risco de progressão da doença — exatamente o que afirma a alternativa correta. As demais alternativas contêm erros conceituais: a HPB não é fator de risco para câncer de próstata, mas ocorre na zona de transição (não na periférica); o PSA não é necessário para o diagnóstico; a intensidade dos sintomas não é determinada exclusivamente pelo volume prostático; e o tratamento medicamentoso não se restringe a pacientes com complicações.
A HPB é um crescimento benigno da glândula prostática, decorrente da hiperplasia das células estromais e epiteliais, que ocorre sob influência da testosterona e, principalmente, da di-hidrotestosterona (DHT), convertida pela enzima 5α-redutase. Ela se desenvolve predominantemente na zona de transição (tecido periuretral), o que leva à obstrução da saída da bexiga (OSB) por dois mecanismos: obstrução mecânica (aumento do volume tecidual) e obstrução dinâmica (aumento do tônus da musculatura lisa do colo vesical e da próstata). Os sintomas do trato urinário inferior (STUIs) podem ser classificados em sintomas de armazenamento (irritativos: polaciúria, urgência, noctúria) e sintomas de esvaziamento (obstrutivos: jato fraco, hesitação, esforço miccional, sensação de esvaziamento incompleto).
O PSA (antígeno prostático específico) é uma glicoproteína produzida pela próstata, e embora seja específico para o órgão, não é específico para câncer. Na HPB, o aumento do volume prostático eleva o PSA, e há uma forte correlação entre os valores de PSA e o volume da glândula, especialmente na faixa de 2 a 9 ng/mL. Estudos demonstram que níveis de PSA acima de aproximadamente 1,4–1,6 ng/mL estão associados a maior risco de progressão da doença (crescimento prostático, piora dos sintomas, retenção urinária e necessidade de cirurgia). Por isso, o PSA é utilizado como preditor de progressão da HPB, além de ser uma ferramenta de rastreamento para câncer de próstata, embora com baixa especificidade.
É importante destacar que o diagnóstico de HPB é essencialmente clínico, baseado na história (STUIs), exame físico (toque retal) e, opcionalmente, exames complementares como urofluxometria e ultrassonografia com resíduo pós-miccional. O PSA não é necessário para o diagnóstico, mas é útil para avaliar o risco de câncer de próstata e, como visto, para predizer a progressão da HPB. A intensidade dos sintomas não guarda relação direta com o tamanho da próstata — um paciente com próstata muito aumentada pode ter poucos sintomas, e vice-versa. O tratamento medicamentoso (alfabloqueadores, inibidores da 5α-redutase) está indicado para pacientes com sintomas moderados a graves que impactam a qualidade de vida, não apenas para aqueles com complicações como retenção urinária ou insuficiência renal obstrutiva.
A pegadinha central desta questão é a inversão das zonas prostáticas: a banca troca a zona de origem da HPB (transição) pela zona periférica (onde predomina o câncer). Além disso, explora a confusão entre o papel do PSA no diagnóstico (não é necessário) e seu papel na predição de progressão (correlação com volume). Guarde esses dois pontos: zona de transição para HPB e zona periférica para câncer; e PSA como preditor de progressão, não como critério diagnóstico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação inverte as zonas de origem. A HPB se desenvolve predominantemente na zona de transição (tecido periuretral), enquanto o câncer de próstata se origina principalmente na zona periférica. O texto de apoio confirma: "A HPB desenvolve-se predominantemente no tecido prostático periuretral, que é referido como zona de transição". Portanto, a alternativa erra ao afirmar que a HPB ocorre na zona periférica e o câncer na zona central ou de transição — é exatamente o oposto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dosagem do PSA total sérico não é necessária para o diagnóstico de HPB. O diagnóstico é clínico, baseado na história de STUIs e no exame físico (toque retal). O PSA é útil para avaliar o risco de câncer de próstata e para predizer a progressão da HPB, mas não é um critério diagnóstico. O material de apoio reforça que a ultrassonografia "não é necessária para o diagnóstico" e que o PSA, apesar de específico para a próstata, não é específico para câncer — e muito menos para HPB.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A intensidade dos sintomas do trato urinário inferior não é determinada exclusivamente pelo volume da próstata. O texto de apoio é claro: "o tamanho da próstata não tem boa correlação com o grau de obstrução nem com a presença de STUIs" e "a gravidade dos sintomas miccionais, quando presentes, não guarda relação com o tamanho da próstata". Os sintomas resultam da combinação de obstrução mecânica (volume) e obstrução dinâmica (tônus muscular), além de fatores como a resposta do detrusor e condições neurológicas associadas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta. O valor do PSA em pacientes com HPB guarda correlação com o volume prostático — quanto maior a próstata, maior tende a ser o PSA. Além disso, níveis de PSA acima de aproximadamente 1,4–1,6 ng/mL estão associados a maior risco de progressão da doença, incluindo crescimento prostático, piora dos sintomas e maior probabilidade de necessidade de tratamento cirúrgico. Essa correlação é amplamente reconhecida na literatura urológica e é utilizada na prática clínica para estratificar o risco de progressão da HPB.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tratamento medicamentoso não está indicado apenas em pacientes com complicações como retenção urinária ou insuficiência renal obstrutiva. Ele é indicado para pacientes com sintomas moderados a graves que impactam a qualidade de vida, mesmo sem complicações. A intervenção (medicamentosa ou cirúrgica) é indicada quando a HPB resulta em "sintomas incômodos ou complicações relacionadas a um esvaziamento vesical prejudicado", conforme o material de apoio. Portanto, a alternativa restringe indevidamente a indicação do tratamento.
Gabarito: letra D — a única alternativa correta, pois reflete a correlação entre PSA e volume prostático e o risco de progressão associado a níveis acima de 1,4–1,6 ng/mL.