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Questão de Medicina — Saúde da Mulher na Atenção Básica — FUNDATEC 2026

MedicinaSaúde da Mulher na Atenção Básica
Código
qg693878
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Família
Gestante comparece à consulta de pré-natal no segundo trimestre, trazendo exame recente com VDRL reagente em titulação 1:2. Relata ter sido tratada para sífilis no passado, porém não possui registros do esquema utilizado, da adequação do tratamento nem de controle sorológico subsequente e não se recorda de ter realizado exames após o tratamento. Encontra-se assintomática no momento. O parceiro atual não apresenta documentação de avaliação ou tratamento prévios. Considerando as diretrizes vigentes para prevenção da transmissão vertical da sífilis, qual é a conduta mais apropriada?
  1. ATratar somente se houver elevação da titulação do VDRL em exames seriados.
  2. BAguardar o resultado do teste treponêmico para decidir sobre retratamento, considerando o antecedente referido.
  3. CPresumir cicatriz sorológica e apenas realizar seguimento mensal com VDRL durante a gestação.
  4. DRepetir o VDRL em quatro semanas para avaliar possível queda espontânea da titulação antes de intervir.
  5. ESolicitar teste treponêmico confirmatório e instituir imediatamente tratamento da gestante e do parceiro.
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GabaritoE — Solicitar teste treponêmico confirmatório e instituir imediatamente tratamento da gestante e do parceiro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sífilis na gestação: conduta frente a VDRL reagente sem tratamento documentado

Gabarito: letra E. Gestante com VDRL reagente (1:2) e histórico de tratamento prévio sem documentação adequada deve ser tratada imediatamente, sem aguardar resultados de testes complementares, pois o retardo no tratamento aumenta o risco de transmissão vertical — conduta que inclui tratar também o parceiro. A base é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para IST do Ministério da Saúde, que preconiza: "Na ausência de tratamento adequado, recente e documentado, as gestantes deverão ser tratadas no momento da consulta".

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo Treponema pallidum, cuja transmissão vertical pode ocorrer em qualquer fase da gestação, com graves consequências para o feto (aborto, natimorto, sífilis congênita). Por isso, o manejo na gestante é mais agressivo que no não gestante: qualquer teste reagente — treponêmico ou não treponêmico — com qualquer titulação, na ausência de tratamento prévio adequado e documentado, indica tratamento imediato. O conceito de "tratamento adequado" exige documentação do esquema utilizado, da queda da titulação em pelo menos duas diluições e do controle sorológico subsequente. Sem esses registros, não se pode presumir cicatriz sorológica nem segurança para o feto.

Na prática, a gestante deste caso tem VDRL reagente 1:2 (titulação baixa), mas não possui registros do tratamento prévio, da adequação do esquema nem de controle sorológico. O parceiro também não tem documentação de avaliação ou tratamento. Nesse cenário, a conduta correta é tratar imediatamente a gestante e o parceiro, com penicilina benzatina, e solicitar teste treponêmico confirmatório — mas o tratamento não pode aguardar esse resultado. O PCDT é explícito: "O retardo do tratamento no aguardo de resultados do teste complementar faz com que o profissional perca tempo e a oportunidade de evitar a transmissão vertical da sífilis".

A distinção crucial é entre cicatriz sorológica e sífilis ativa/tratamento inadequado. Cicatriz sorológica só pode ser diagnosticada quando há tratamento anterior adequado e documentado, com comprovação de queda da titulação em pelo menos duas diluições (ex.: de 1:16 para ≤1:4). Sem essa documentação, a gestante deve ser tratada como caso de sífilis, independentemente da titulação baixa. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que titulação baixa (1:2) indica cicatriz, mas a ausência de registros impede essa conclusão.

O monitoramento após o tratamento deve ser mensal com teste não treponêmico até o termo, e o parceiro deve ser avaliado e tratado para evitar reinfecção. A notificação é obrigatória em caso de sífilis em gestante, mas não em caso de cicatriz sorológica confirmada. Guarde o critério decisivo: sem documentação de tratamento adequado, qualquer titulação reagente em gestante = tratar imediatamente — é exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.

Conduta

Tratamento imediato da gestante

Tratamento do parceiro

Solicitar teste treponêmico

Aguardar resultado antes de tratar

A – Tratar só se houver elevação da titulação

❌

❌

❌

✅ (aguarda elevação)

B – Aguardar teste treponêmico para decidir

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C – Presumir cicatriz sorológica e seguimento mensal

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❌

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✅ (não trata)

D – Repetir VDRL em 4 semanas antes de intervir

❌

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E – Tratar imediatamente + teste treponêmico + tratar parceiro

✅

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❌

Sífilis na gestação
  • 1VDRL reagente
    • Com tratamento documentado
      • Cicatriz sorológica
      • Seguimento mensal
    • Sem tratamento documentado
      • Tratar imediatamente
      • Teste treponêmico (não aguardar)
      • Tratar parceiro
  • 2Tratamento adequado exige
    • Esquema documentado
    • Queda de 2 diluições
    • Controle sorológico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Tratar somente se houver elevação da titulação em exames seriados é conduta inadequada. A gestante com VDRL reagente e sem tratamento documentado deve ser tratada imediatamente, não se aguarda elevação de titulação. Aguardar seria perder tempo e oportunidade de evitar a transmissão vertical. O PCDT preconiza tratamento no momento da consulta na ausência de tratamento adequado, recente e documentado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aguardar o resultado do teste treponêmico para decidir sobre retratamento é expressamente contraindicado. O PCDT afirma que "o retardo do tratamento no aguardo de resultados do teste complementar faz com que o profissional perca tempo e a oportunidade de evitar a transmissão vertical da sífilis". O teste treponêmico deve ser solicitado, mas o tratamento é imediato, sem aguardar seu resultado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Presumir cicatriz sorológica é erro grave. Cicatriz sorológica exige documentação de tratamento anterior adequado, com queda da titulação em pelo menos duas diluições. A gestante não possui registros do esquema utilizado, da adequação do tratamento nem de controle sorológico subsequente — portanto, não se pode presumir cicatriz. A conduta seria tratar imediatamente, não apenas realizar seguimento mensal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Repetir o VDRL em quatro semanas para avaliar queda espontânea antes de intervir é conduta inadequada. Na gestante, qualquer teste reagente sem tratamento documentado indica tratamento imediato. Aguardar quatro semanas expõe o feto ao risco de transmissão vertical sem necessidade. O tratamento não pode ser adiado em nenhuma hipótese nesse cenário.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Solicitar teste treponêmico confirmatório e instituir imediatamente tratamento da gestante e do parceiro é a conduta correta. O PCDT preconiza: "Na ausência de tratamento adequado, recente e documentado, as gestantes deverão ser tratadas no momento da consulta". O teste treponêmico é solicitado para confirmação diagnóstica, mas o tratamento não aguarda seu resultado. O parceiro deve ser avaliado e tratado para evitar reinfecção, conforme recomendação de que "todas as parcerias sexuais de mulheres grávidas com IST sejam avaliadas e tratadas".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre titulação baixa (1:2) e cicatriz sorológica. Muitos candidatos pensam que titulação baixa indica cicatriz e optam por conduta expectante (alternativas C ou D). Mas cicatriz sorológica exige documentação de tratamento adequado com queda de titulação em pelo menos duas diluições — sem isso, qualquer titulação reagente em gestante é indicação de tratamento imediato. Lembre-se: na gestante, o benefício do tratamento supera o risco, e o retardo pode custar a transmissão vertical.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a questão envolver sífilis em gestante, verifique sempre se há "tratamento adequado, recente e documentado". Se não houver documentação completa (esquema, adequação, controle sorológico), a resposta será tratar imediatamente. Guarde o fluxo: teste reagente + sem tratamento documentado → tratar na hora + solicitar teste treponêmico + tratar parceiro + monitorar mensalmente com VDRL até o termo.

Gabarito: letra E

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