Questão de Medicina — Médico da Família — FUNDATEC 2026
Medicina›Médico da Família
Código
qg693879
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Família
Espirometria pós-broncodilatador realizada em paciente adulto evidencia relação VEF1/CVF abaixo do limite inferior da normalidade (LLN), VEF1 = 55% do previsto, CVF dentro da normalidade, sem resposta broncodilatadora significativa. Com base exclusivamente nesses achados e nos critérios das diretrizes vigentes, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico do caso.
ADistúrbio ventilatório restritivo moderado.
BDoença pulmonar obstrutiva crônica.
CAsma com obstrução variável das vias aéreas.
DPadrão ventilatório misto.
EAlteração funcional inespecífica.
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GabaritoB — Doença pulmonar obstrutiva crônica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Espirometria: diagnóstico de DPOC
Gabarito: letra B. A espirometria pós-broncodilatador com relação VEF1/CVF abaixo do limite inferior da normalidade (LLN) e VEF1 = 55% do previsto, sem resposta broncodilatadora significativa, caracteriza obstrução fixa ao fluxo aéreo — o critério funcional central para o diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), conforme as diretrizes GOLD e da SBPT.
A espirometria é a prova de função pulmonar que mede volumes e fluxos respiratórios durante uma manobra de expiração forçada. Os dois parâmetros-chave são o VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e a CVF (capacidade vital forçada, o volume total expirado). A relação VEF1/CVF indica a proporção do ar que é expirada no primeiro segundo em relação ao total — quando essa relação está reduzida, significa que há dificuldade de esvaziamento rápido dos pulmões, o que é a assinatura funcional da obstrução ao fluxo aéreo.
O diagnóstico de DPOC exige a demonstração de obstrução persistente, ou seja, que não se resolve completamente após o uso de broncodilatador. Por isso, a espirometria deve ser feita pós-broncodilatador: se a relação VEF1/CVF permanece abaixo do limite inferior da normalidade (ou abaixo de 0,7, conforme o critério fixo), a obstrução é confirmada. A ausência de resposta broncodilatadora significativa (aumento do VEF1 < 200 mL e < 12% do valor basal) reforça que a obstrução é fixa, não reversível — o que afasta a asma, cuja marca é justamente a reversibilidade.
No caso apresentado, além da relação VEF1/CVF reduzida, o VEF1 está em 55% do previsto, o que classifica a obstrução como moderada a grave (GOLD 2–3). A CVF normal, por sua vez, indica que não há componente restritivo associado — o pulmão não está com capacidade reduzida, apenas com dificuldade de esvaziamento. Essa combinação — obstrução fixa com CVF preservada — é o padrão clássico da DPOC.
A distinção crucial que a questão explora é entre obstrução fixa (DPOC) e obstrução reversível (asma). Na asma, a obstrução é variável e melhora significativamente após broncodilatador (aumento do VEF1 ≥ 200 mL e ≥ 12% do basal, ou ≥ 7% do previsto). Na DPOC, a obstrução persiste mesmo após broncodilatação. O enunciado deixa explícito que não houve resposta broncodilatadora significativa — esse é o dado que elimina a asma e aponta diretamente para a DPOC.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com a ausência de resposta broncodilatadora. Muitos associam "obstrução que não melhora com broncodilatador" a algo que não é asma, mas hesitam entre DPOC e padrão misto. O segredo está na CVF: se ela está normal, não há componente restritivo — logo, não pode haver padrão misto. A obstrução fixa com CVF preservada é DPOC até prova em contrário.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O distúrbio ventilatório restritivo caracteriza-se por CVF reduzida (abaixo do LLN) com relação VEF1/CVF normal ou aumentada. Aqui a CVF está dentro da normalidade e a relação VEF1/CVF está reduzida — exatamente o oposto do padrão restritivo. A restrição é um problema de "enchimento" (capacidade reduzida), não de esvaziamento.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A relação VEF1/CVF abaixo do LLN pós-broncodilatador confirma obstrução ao fluxo aéreo. A ausência de resposta broncodilatadora significativa indica que a obstrução é fixa (não reversível), e o VEF1 = 55% do previsto classifica a gravidade como moderada a grave. Esse é o critério funcional obrigatório para o diagnóstico de DPOC, conforme as diretrizes GOLD e da SBPT.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A asma caracteriza-se por obstrução variável e reversível. O diagnóstico funcional exige resposta broncodilatadora significativa (aumento do VEF1 ≥ 200 mL e ≥ 12% do basal, ou ≥ 7% do previsto) ou hiperresponsividade brônquica demonstrada por broncoprovocação. O enunciado afirma explicitamente que não houve resposta broncodilatadora significativa — portanto, o critério de reversibilidade não foi preenchido, afastando a asma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O padrão ventilatório misto combina obstrução (VEF1/CVF reduzida) e restrição (CVF reduzida). No caso, a CVF está dentro da normalidade, o que exclui o componente restritivo. Sem restrição, não há padrão misto — apenas obstrução isolada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alteração funcional inespecífica (ou PRISm — Espirometria com Relação Preservada e Alteração Funcional) ocorre quando há alteração espirométrica sem obstrução, ou seja, com relação VEF1/CVF normal. Aqui a relação está reduzida, configurando obstrução clara — não há inespecificidade. O padrão é típico de DPOC, não inespecífico.
Gabarito: letra B — obstrução fixa ao fluxo aéreo com CVF preservada e VEF1 = 55% do previsto é o padrão funcional da DPOC.