Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693887
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurologia Clínica
- ADopamina.
- BNoradrenalina.
- COrexina (hipocretina).
- DSerotonina.
- EGABA.
GabaritoC — Orexina (hipocretina).
Gabarito: letra C. A narcolepsia tipo 1 é causada pela perda seletiva dos neurônios produtores de orexina (também chamada hipocretina) no hipotálamo lateral, resultando em níveis muito baixos ou indetectáveis desse neuropeptídeo no líquido cefalorraquidiano (LCR). Essa é a base fisiopatológica da doença, confirmada por estudos e pela classificação atual (ICSD-3).
A orexina (ou hipocretina) é um neuropeptídeo produzido por um pequeno grupo de neurônios localizados no hipotálamo lateral. Ela desempenha um papel crucial na regulação do ciclo sono-vigília, no apetite e no metabolismo energético. Na narcolepsia tipo 1, há uma destruição autoimune (provavelmente) desses neurônios, levando a uma deficiência grave de orexina. Essa deficiência é responsável pelos sintomas clássicos: sonolência diurna excessiva, cataplexia (perda súbita do tônus muscular desencadeada por emoções), paralisia do sono e alucinações hipnagógicas. O diagnóstico é confirmado pela dosagem de orexina no LCR, que se encontra abaixo de 110 pg/mL (ou indetectável) na maioria dos pacientes.
É importante distinguir a narcolepsia tipo 1 da tipo 2. Na tipo 2, os níveis de orexina no LCR são normais, e a cataplexia está ausente. A tipo 2 é menos grave e não está associada à deficiência de orexina. Essa distinção é fundamental para o diagnóstico e manejo.
Os demais neurotransmissores listados nas alternativas não estão diretamente relacionados à narcolepsia tipo 1. A dopamina está envolvida em doenças como Parkinson e esquizofrenia; a noradrenalina, no sistema simpático e no transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH); a serotonina, na depressão e na ansiedade; e o GABA, no controle da excitação neuronal (sedação, ansiedade). Nenhum deles tem papel central na fisiopatologia da narcolepsia.
A pegadinha da banca aqui é simples: o candidato pode confundir a narcolepsia com outros distúrbios do sono ou com doenças psiquiátricas, mas a associação com a orexina é um conhecimento específico e bem estabelecido. Guarde: narcolepsia tipo 1 = déficit de orexina/hipocretina.
A dopamina é um neurotransmissor envolvido em várias funções, como movimento, motivação e recompensa. Sua deficiência está relacionada à doença de Parkinson, não à narcolepsia. A banca pode tentar confundir com o uso de estimulantes (que aumentam dopamina) no tratamento da sonolência, mas a causa da narcolepsia não é a dopamina.
A noradrenalina é um neurotransmissor do sistema simpático, envolvido na resposta ao estresse e na vigília. Embora alguns medicamentos usados na narcolepsia (como modafinil) atuem indiretamente na noradrenalina, a deficiência primária não é dela. A noradrenalina está mais relacionada a condições como TDAH e depressão.
A orexina (hipocretina) é o neurotransmissor cuja deficiência está diretamente ligada à narcolepsia tipo 1. A perda dos neurônios produtores de orexina no hipotálamo lateral leva à sonolência excessiva e à cataplexia. A dosagem de orexina no LCR é um critério diagnóstico importante.
A serotonina está envolvida na regulação do humor, apetite e sono, mas sua deficiência não causa narcolepsia. A serotonina está mais associada à depressão e à ansiedade. A banca pode tentar confundir com o papel da serotonina no sono REM, mas a narcolepsia é especificamente ligada à orexina.
O GABA é o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central. Sua deficiência não está relacionada à narcolepsia. O GABA está envolvido em ansiedade, epilepsia e sedação. A banca pode tentar confundir com o uso de hipnóticos (que aumentam GABA) no tratamento da insônia, mas não é o caso.
Gabarito: letra C
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