Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693888
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurologia Clínica
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas I e II.
- EI, II e III.
GabaritoE — I, II e III.
Gabarito: letra E — as três assertivas estão corretas. A paciente apresenta um quadro clássico de trombose venosa cerebral (TVC): cefaleia progressiva, déficit focal (hemiparesia), crise convulsiva e confirmação por venografia mostrando ausência de fluxo no seio sagital superior. O uso de anticoncepcional combinado associado ao tabagismo é fator de risco reconhecido para TVC, e convulsões e déficits focais são manifestações frequentes da doença.
A trombose venosa cerebral é uma condição potencialmente grave, caracterizada pela oclusão de um seio venoso ou veia cerebral por um trombo. Diferentemente do AVC arterial, que é mais comum, a TVC acomete preferencialmente mulheres jovens, e sua apresentação clínica é bastante variada, o que exige alto índice de suspeição. A cefaleia é o sintoma mais comum, presente em até 89% dos casos, podendo ser o único sintoma. A instalação costuma ser gradual e progressiva ao longo de dias, mas pode ser súbita. Outros sintomas incluem crises convulsivas (em até 40% dos pacientes), déficits neurológicos focais (como hemiparesia), sinais de hipertensão intracraniana (piora ao deitar, papiledema) e encefalopatia (confusão, desorientação).
Os fatores de risco para TVC são múltiplos e incluem estados de hipercoagulabilidade (trombofilias hereditárias ou adquiridas), uso de anticoncepcionais orais combinados, gestação e puerpério, neoplasias, infecções e doenças inflamatórias. O tabagismo, por sua vez, é um fator de risco adicional que potencializa o efeito trombogênico dos anticoncepcionais, aumentando significativamente o risco de eventos trombóticos, incluindo a TVC. A combinação de anticoncepcional combinado e tabagismo é particularmente preocupante, pois ambos atuam de forma sinérgica no aumento do risco de trombose venosa e arterial.
O diagnóstico de TVC é feito por neuroimagem. A ressonância magnética de crânio com venografia é o exame de escolha, sendo capaz de demonstrar a ausência de fluxo no seio venoso ocluído, como descrito no caso. A venografia por TC é uma alternativa quando a RM não está disponível, com sensibilidade e especificidade estimadas em 85% e 91%, respectivamente. A ausência de fluxo no seio sagital superior, um dos principais seios venosos cerebrais, é um achado compatível com o diagnóstico de TVC. O tratamento é feito com anticoagulação, e pacientes com diagnóstico confirmado devem receber o tratamento inicial em unidade de terapia intensiva.
A questão explora três aspectos fundamentais da TVC: os fatores de risco (assertiva I), o quadro clínico (assertiva II) e o diagnóstico por imagem (assertiva III). Todas as assertivas estão corretas, e a alternativa E é o gabarito. A banca não apresenta uma pegadinha específica, mas testa o conhecimento do candidato sobre uma doença que, embora menos comum que o AVC arterial, é grave e tem tratamento específico. O reconhecimento dos fatores de risco e das manifestações clínicas é essencial para o diagnóstico precoce e a instituição do tratamento adequado.
O uso de anticoncepcionais combinados é um fator de risco bem estabelecido para trombose venosa, incluindo a TVC. O estrogênio presente nos anticoncepcionais combinados aumenta a produção hepática de fatores de coagulação e diminui a de anticoagulantes naturais, criando um estado de hipercoagulabilidade. O tabagismo, por sua vez, causa lesão endotelial e ativação plaquetária, também favorecendo a trombose. A associação dos dois fatores tem efeito sinérgico, aumentando significativamente o risco de TVC, especialmente em mulheres jovens. O contexto clínico da paciente — fumante e usuária de anticoncepcional combinado — é um cenário clássico de risco para TVC.
Convulsões e déficits neurológicos focais são manifestações frequentes da TVC. As convulsões ocorrem em até 40% dos pacientes, e os déficits focais, como hemiparesia, podem resultar de infarto venoso ou hemorragia associados à congestão venosa. A TVC pode causar edema vasogênico e focos hemorrágicos, como descrito no caso, levando a sintomas neurológicos focais. A apresentação clínica da TVC é variada, e a presença de cefaleia, convulsões e déficits focais em uma paciente jovem com fatores de risco deve levantar a suspeita da doença.
A ausência de fluxo no seio sagital superior na venografia é um achado compatível com o diagnóstico de TVC. A venografia por RM ou TC é o exame de escolha para o diagnóstico, demonstrando a oclusão do seio venoso pelo trombo. A ausência de fluxo no seio sagital superior, um dos principais seios venosos cerebrais, é um achado clássico de TVC. O contexto clínico da paciente, com cefaleia progressiva, déficit focal e crise convulsiva, associado ao achado de imagem, confirma o diagnóstico.
Gabarito: letra E — corretas as assertivas I, II e III.
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