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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg693891
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia Clínica
Gestante de 28 anos com epilepsia focal controlada utiliza lamotrigina. Ela deseja saber qual é a melhor conduta durante a gestação. Qual é a orientação mais adequada?
  1. ASuspender todas as medicações imediatamente.
  2. BTrocar lamotrigina por ácido valproico.
  3. CManter lamotrigina ajustando dose conforme necessidade.
  4. DReduzir a dose pela metade para evitar teratogenicidade.
  5. EUsar duas ou mais drogas anticonvulsivantes para maior segurança.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Manter lamotrigina ajustando dose conforme necessidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epilepsia na gestação: manejo da lamotrigina

Gabarito: letra C. A conduta mais adequada é manter a lamotrigina, ajustando a dose conforme a necessidade, pois a ocorrência de crises durante a gestação é mais prejudicial ao feto do que a exposição ao fármaco — e a lamotrigina é um dos anticonvulsivantes de escolha nesse período, com menor potencial teratogênico. A orientação segue o princípio de manter o medicamento estabelecido antes da gestação, preferencialmente em monoterapia e na menor dose efetiva, com monitorização dos níveis plasmáticos.

O manejo da epilepsia na gestante é um desafio clínico que exige equilíbrio entre dois riscos: o da teratogenicidade dos fármacos antiepilépticos e o das crises convulsivas não controladas. As crises frequentes e prolongadas podem provocar sofrimento fetal por redução da perfusão uteroplacentária, hipóxia e acidose materna grave — o estado epiléptico pode levar a até 50% de morte fetal. Por isso, a regra de ouro é que a ocorrência de crises durante a gestação é mais prejudicial do que o medicamento, e as mães devem ser encorajadas a não suspender o uso dos anticonvulsivantes.

A lamotrigina é atualmente um dos anticonvulsivantes de escolha durante a gravidez, pois não foi associada a aumento de risco de malformações cardíacas fetais nem a defeitos congênitos ou danos neuropsicomotores — embora existam relatos isolados de fenda palatina. O ácido valproico, ao contrário, tem maior potencial teratogênico e deve ser evitado, especialmente no primeiro trimestre. Durante a gestação, o metabolismo da lamotrigina encontra-se aumentado, o que reduz seus níveis plasmáticos e pode exigir ajuste de dose para manter o controle das crises — daí a necessidade de monitorização e ajuste conforme a necessidade.

A suplementação de ácido fólico é parte essencial do manejo: os anticonvulsivantes reduzem sua absorção, e níveis baixos de folato associam-se a abortamento e malformações, sobretudo defeitos de fechamento do tubo neural. Para mulheres em uso de anticonvulsivantes, recomenda-se 4 mg/dia (ou 5 mg/dia, conforme disponibilidade no SUS), iniciada 3 meses antes da gestação e mantida pelo menos até o final do primeiro trimestre.

A pegadinha central desta questão é a tentação de "proteger" o feto suspendendo ou reduzindo a medicação — quando, na verdade, o risco maior está nas crises não controladas. A banca explora exatamente essa inversão de prioridades. Guarde o critério decisivo: manter o tratamento eficaz, em monoterapia, com ajuste de dose e suplementação de ácido fólico — é nele que as alternativas se dividem.

Conduta

Correta?

Justificativa

Suspender todas as medicações imediatamente

❌

Suspensão abrupta pode precipitar crises e estado epiléptico, com risco de morte fetal de até 50%.

Trocar lamotrigina por ácido valproico

❌

Ácido valproico tem maior potencial teratogênico; lamotrigina é fármaco de escolha na gestação.

Manter lamotrigina ajustando dose conforme necessidade

✅

Mantém controle das crises (mais importante que o risco do fármaco); ajuste por aumento do metabolismo na gestação.

Reduzir a dose pela metade para evitar teratogenicidade

❌

Redução arbitrária pode perder controle das crises; ajuste deve ser baseado em monitorização, não em dose fixa.

Usar duas ou mais drogas anticonvulsivantes

❌

Politerapia aumenta risco de malformações; recomenda-se monoterapia na menor dose efetiva.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Suspender todas as medicações imediatamente é conduta perigosa. A suspensão abrupta pode precipitar crises, inclusive estado epiléptico, com risco de morte fetal de até 50%. A suspensão só pode ser cogitada em situações específicas — ausência de crises por 2 a 5 anos, um único tipo de crise e exame neurológico e EEG normais — e, mesmo assim, deve ocorrer antes da gestação, com planejamento. Durante a gravidez, o tratamento deve ser mantido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Trocar lamotrigina por ácido valproico é exatamente o oposto do recomendado. O ácido valproico tem maior potencial teratogênico e deve ser evitado na gestação, especialmente no primeiro trimestre. A lamotrigina é um dos fármacos de escolha justamente por seu perfil de segurança mais favorável. A troca aumentaria o risco de malformações sem benefício.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Manter a lamotrigina ajustando a dose conforme a necessidade é a conduta correta. O tratamento estabelecido antes da gestação deve ser mantido, preferencialmente em monoterapia e na menor dose efetiva. Como o metabolismo da lamotrigina aumenta durante a gestação, os níveis plasmáticos caem e pode ser necessário aumentar a dose para manter o controle das crises. A monitorização dos níveis plasmáticos é parte do cuidado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Reduzir a dose pela metade para evitar teratogenicidade é um erro de raciocínio. A lamotrigina já é um dos fármacos com menor potencial teratogênico, e a redução arbitrária da dose pode levar à perda do controle das crises — o que é mais prejudicial ao feto do que a exposição ao fármaco. O ajuste deve ser baseado na monitorização dos níveis plasmáticos e na resposta clínica, não em uma redução fixa e empírica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Usar duas ou mais drogas anticonvulsivantes para maior segurança é contraindicado. A politerapia aumenta o risco de malformações e efeitos adversos, sem benefício comprovado. A recomendação é preferir monoterapia, sempre que possível, com o fármaco mais adequado ao tipo de crise e ao perfil da paciente. A politerapia só é considerada em casos refratários, com avaliação individualizada.

Gabarito: letra C — manter a lamotrigina com ajuste de dose conforme a necessidade, em monoterapia, com suplementação de ácido fólico e monitorização dos níveis plasmáticos.

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