Mulher de 32 anos relata sensação de “choque elétrico” descendo pela coluna até os membros inferiores quando flete o pescoço. Relata um episódio prévio de neurite óptica. Esse achado clínico é conhecido como:
ASinal de Kernig.
BSinal de Brudzinski.
CSinal de Lhermitte.
DFenômeno de Uhthoff.
ESinal de Tinel.
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GabaritoC — Sinal de Lhermitte.
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Sinal de Lhermitte: choque elétrico na flexão cervical
Gabarito: letra C. O quadro descrito — sensação de "choque elétrico" que desce pela coluna até os membros inferiores ao fletir o pescoço, em paciente com episódio prévio de neurite óptica — é a descrição clássica do sinal de Lhermitte, um fenômeno de origem desmielinizante, fortemente associado à esclerose múltipla (EM). O contexto clínico (neurite óptica prévia) reforça o diagnóstico de doença desmielinizante do sistema nervoso central, tornando o sinal de Lhermitte a resposta correta.
O sinal de Lhermitte é um sintoma neurológico caracterizado por uma sensação de choque elétrico ou parestesia que se irradia pela coluna vertebral, geralmente em direção aos membros, desencadeado pela flexão do pescoço. Esse fenômeno ocorre devido à irritação ou desmielinização das vias sensitivas da medula espinhal, especialmente no segmento cervical. Quando o paciente flete o pescoço, há um estiramento mecânico da medula, que, em uma região já sensibilizada por lesões desmielinizantes, gera essa descarga elétrica anômala. É um sinal altamente sugestivo de esclerose múltipla, mas também pode ocorrer em outras condições que afetam a mielina, como mielite transversa, deficiência de vitamina B12, compressão medular e até mesmo após radioterapia.
A associação com neurite óptica é crucial. A neurite óptica é uma inflamação do nervo óptico, frequentemente a primeira manifestação da esclerose múltipla. A presença de um episódio prévio de neurite óptica em uma paciente jovem, somada ao sinal de Lhermitte, aponta fortemente para um processo desmielinizante disseminado no sistema nervoso central, característico da EM. A síndrome clinicamente isolada (SCI) refere-se a um primeiro episódio de sintomas neurológicos sugestivos de desmielinização, como a neurite óptica ou a mielite parcial. Quando há um segundo episódio em uma localização diferente do SNC, como o sinal de Lhermitte (que sugere lesão medular), o diagnóstico de EM se torna muito mais provável, mesmo sem a confirmação por ressonância magnética.
É importante distinguir o sinal de Lhermitte de outros sinais neurológicos que podem confundir o examinador. Os sinais de Kernig e Brudzinski, por exemplo, são sinais de irritação meníngea, típicos de meningite, e não têm relação com a flexão cervical desencadeando choque elétrico. O fenômeno de Uhthoff, por sua vez, é a piora transitória dos sintomas neurológicos (como a visão) em resposta ao aumento da temperatura corporal, como durante exercício ou febre, e não é desencadeado pela flexão do pescoço. O sinal de Tinel é um teste de percussão sobre um nervo periférico que reproduz parestesia no território do nervo, utilizado no diagnóstico de síndromes compressivas, como a síndrome do túnel do carpo.
A banca explora a confusão entre os sinais que envolvem a coluna e a neurite óptica. O candidato pode ser tentado a escolher o fenômeno de Uhthoff por associá-lo à neurite óptica, mas o gatilho do choque elétrico é a flexão do pescoço, não o calor. Da mesma forma, os sinais de Kernig e Brudzinski são clássicos de meningite, mas não se manifestam como choque elétrico. A chave é identificar o gatilho (flexão cervical) e a natureza do sintoma (choque elétrico), que são a assinatura do sinal de Lhermitte.
Sinal de Lhermitte: Gatilho (Flexão do pescoço); Sintoma (Choque elétrico na coluna, Irradia para membros); Causa (Desmielinização medular, Esclerose múltipla); Associação (Neurite óptica prévia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O sinal de Kernig é um sinal de irritação meníngea, pesquisado com o paciente em decúbito dorsal, flexionando o quadril e o joelho em ângulo reto e tentando estender passivamente o joelho. A presença de dor e resistência à extensão indica positividade. Não há relação com a sensação de choque elétrico desencadeada pela flexão do pescoço. É um sinal clássico de meningite, não de doença desmielinizante.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O sinal de Brudzinski também é um sinal de irritação meníngea. É pesquisado flexionando passivamente o pescoço do paciente em decúbito dorsal; a resposta é a flexão involuntária dos membros inferiores. Embora envolva a flexão do pescoço, o sintoma desencadeado é a flexão dos membros, não uma sensação de choque elétrico. Assim como o sinal de Kernig, está associado à meningite, não à esclerose múltipla.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O sinal de Lhermitte é exatamente o descrito no enunciado: sensação de choque elétrico que se irradia pela coluna e membros ao fletir o pescoço. É um sinal de disfunção das vias sensitivas medulares, mais comumente associado à esclerose múltipla, mas também presente em outras mielopatias. A história de neurite óptica prévia reforça a suspeita de doença desmielinizante, tornando esta a alternativa correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O fenômeno de Uhthoff é a piora transitória dos sintomas neurológicos, especialmente a visão, em resposta ao aumento da temperatura corporal (exercício, febre, banho quente). Embora seja um fenômeno associado à neurite óptica e à esclerose múltipla, o gatilho é o calor, não a flexão do pescoço. A descrição do enunciado não menciona qualquer relação com temperatura, apenas com o movimento de flexão cervical.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O sinal de Tinel é um teste clínico para avaliar irritação de um nervo periférico. Consiste em percutir levemente sobre o trajeto do nervo, reproduzindo parestesia ou dor no território inervado por ele. É utilizado no diagnóstico de neuropatias compressivas, como a síndrome do túnel do carpo (nervo mediano) ou a síndrome do túnel cubital (nervo ulnar). Não há relação com a coluna vertebral, com a flexão do pescoço ou com a neurite óptica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação entre neurite óptica e esclerose múltipla para induzir o candidato a escolher o fenômeno de Uhthoff (alternativa D), que também está ligado à EM. No entanto, o gatilho é diferente: o sinal de Lhermitte é desencadeado pela flexão do pescoço, enquanto o fenômeno de Uhthoff é desencadeado pelo aumento da temperatura corporal. Identificar o gatilho é a chave para não cair nessa armadilha.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os sinais, associe cada um ao seu gatilho e à sua principal doença: Lhermitte = flexão do pescoço + choque elétrico + esclerose múltipla; Uhthoff = calor + piora visual + esclerose múltipla; Kernig e Brudzinski = meningite + rigidez de nuca; Tinel = percussão de nervo periférico + síndrome compressiva. Reforce essa tabela mental antes da prova.