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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg693893
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia Clínica
Homem de 62 anos, diabético há 15 anos e com controle glicêmico irregular, relata dor em queimação nos pés, pior à noite, associada à perda de sensibilidade vibratória e reflexos aquileus diminuídos. O exame mostra distribuição “em bota”, com predomínio distal e simétrico. Qual é o diagnóstico mais provável?
  1. ANeuropatia diabética.
  2. BNeuropatia alcoólica.Neuropatia alcoólica.
  3. CSíndrome de Guillain-Barré.
  4. DNeuropatia hereditária sensitivo-motora.
  5. EPolineuropatia por deficiência de B12.
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GabaritoA — Neuropatia diabética.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neuropatia diabética: diagnóstico diferencial

Gabarito: letra A. O quadro descrito — dor em queimação nos pés, pior à noite, perda de sensibilidade vibratória, reflexos aquileus diminuídos e distribuição "em bota" distal e simétrica — em um paciente diabético de longa data com controle glicêmico irregular, é a apresentação clássica da polineuropatia sensitivo-motora distal simétrica, a forma mais comum de neuropatia diabética. O diagnóstico é eminentemente clínico, e a associação temporal com o diabetes, somada ao padrão típico de acometimento, fecha o caso.

A neuropatia diabética é a causa mais frequente de neuropatia periférica em todo o mundo. Ela se manifesta de diversas formas, sendo a polineuropatia sensitivo-motora distal simétrica (PNSD) a mais comum. A PNSD é uma complicação crônica do diabetes, cuja prevalência aumenta com a duração da doença — no diabetes tipo 2, a prevalência ao longo da vida chega a 45%. A patogênese envolve múltiplos mecanismos, incluindo hiperglicemia crônica, estresse oxidativo, formação de produtos finais de glicação avançada e dano microvascular aos nervos periféricos. O controle glicêmico rigoroso é a principal medida para prevenir a progressão e, em alguns casos, melhorar os sintomas.

Clinicamente, a PNSD inicia-se com sintomas sensitivos distais nos pés e dedos, como dormência, formigamento e sensação de queimação, que pioram à noite. Com a progressão, há perda da sensibilidade vibratória, térmica e dolorosa, além de diminuição ou abolição dos reflexos aquileus. A distribuição é simétrica e segue o padrão "em bota e luva", acometendo primeiro os membros inferiores e, posteriormente, os superiores, quando os sintomas dos membros inferiores já alcançaram os joelhos. A dor neuropática pode ser espontânea e desencadeada por estímulos inócuos, como o contato de lençóis sobre os pés à noite (alodinia). Em casos graves, a perda de sensibilidade predispõe a úlceras de pé, osteomielite e amputação.

O diagnóstico da neuropatia diabética é, em geral, de exclusão. Diante de um paciente diabético com neuropatia, é obrigatório considerar outras causas que podem ocorrer concomitantemente, como neuropatia alcoólica, deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo, doença renal, uso de drogas neurotóxicas, infecções (HIV), polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica, neuropatias hereditárias e vasculites. A presença de características atípicas — como início agudo ou subagudo, predomínio motor, assimetria ou acometimento proximal — deve levantar suspeita de outra etiologia e motivar investigação complementar, incluindo eletroneuromiografia.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora o paciente seja diabético, o diagnóstico de neuropatia diabética não é automático — é de exclusão. No entanto, o quadro clínico apresentado é tão característico (dor em queimação distal, simétrica, pior à noite, com perda de sensibilidade vibratória e reflexos aquileus diminuídos, em padrão "em bota") que, na ausência de qualquer dado que sugira outra etiologia, a neuropatia diabética é a resposta mais provável. As demais alternativas apresentam características que as distinguem, como veremos a seguir.

Neuropatia diabética (PNSD)
  • 1Fatores de risco
    • Diabetes de longa data
    • Controle glicêmico irregular
  • 2Clínica
    • Dor em queimação (pior à noite)
    • Perda de sensibilidade vibratória
    • Reflexos aquileus diminuídos
    • Padrão "em bota" distal e simétrico
  • 3Diagnóstico
    • Clínico
    • De exclusão (descartar outras causas)
  • 4Tratamento
    • Controle glicêmico rigoroso
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve exatamente a polineuropatia sensitivo-motora distal simétrica diabética. O paciente tem diabetes há 15 anos com controle glicêmico irregular, fator de risco clássico. Os sintomas — dor em queimação nos pés, pior à noite, perda de sensibilidade vibratória e reflexos aquileus diminuídos — e a distribuição "em bota", distal e simétrica, são a assinatura clínica da neuropatia diabética. O diagnóstico é clínico, e o quadro apresentado é suficiente para firmá-lo, sendo o controle glicêmico a base do tratamento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A neuropatia alcoólica também causa polineuropatia sensitivo-motora distal simétrica, com dor em queimação e perda de reflexos. No entanto, o enunciado não menciona história de etilismo, e o paciente tem um fator de risco muito mais forte e específico: diabetes de longa data com mau controle. Embora a neuropatia alcoólica seja um diagnóstico diferencial importante, a ausência de dados de alcoolismo e a presença de diabetes descompensado tornam a neuropatia diabética muito mais provável. A banca explora a semelhança clínica entre as duas, mas o contexto aponta claramente para o diabetes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polineuropatia aguda, geralmente pós-infecciosa, que cursa com fraqueza muscular ascendente, arreflexia e, em casos graves, insuficiência respiratória. O quadro descrito é crônico, com predomínio sensitivo (dor em queimação, perda de sensibilidade vibratória) e distribuição distal simétrica, sem fraqueza ascendente aguda. A SGB tem início rápido (dias a semanas), enquanto a neuropatia diabética evolui de forma lenta e progressiva ao longo de anos. A cronologia e o padrão clínico afastam a SGB.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A neuropatia hereditária sensitivo-motora (como a doença de Charcot-Marie-Tooth) é uma condição genética que se manifesta tipicamente na infância ou adolescência, com pés cavos, dedos em martelo, fraqueza distal e deformidades. O paciente tem 62 anos e diabetes de longa data, sem história familiar sugestiva. O início tardio e a associação temporal com o diabetes apontam para uma neuropatia adquirida, não hereditária. A ausência de deformidades características e de história familiar afasta essa hipótese.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A polineuropatia por deficiência de vitamina B12 pode causar neuropatia periférica, mas cursa frequentemente com envolvimento da coluna posterior da medula (degeneração combinada subaguda), levando a perda de propriocepção e ataxia, além de anemia megaloblástica. O quadro descrito é de neuropatia periférica distal simétrica, sem sinais de mielopatia (como sinal de Lhermitte ou perda de sensibilidade posicional) e sem dados de anemia. Embora a deficiência de B12 seja um diagnóstico diferencial a ser considerado em diabéticos, o contexto clínico — diabetes descompensado, dor em queimação típica e padrão "em bota" — favorece fortemente a neuropatia diabética. A banca inclui essa alternativa como um diferencial real, mas o quadro não apresenta os sinais característicos da deficiência de B12.

Gabarito: letra A

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