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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg693897
Banca
FUNDATEC
Órgão
UNIMED - Santa Maria
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neurologia Clínica
Mulher de 47 anos procura atendimento relatando postura anormal do pescoço há cerca de 1 ano. Ela descreve contrações involuntárias que puxam a cabeça para a direita, acompanhadas de dor cervical intensa que piora com estresse. Refere melhora parcial com o “truque sensorial”, tocando o queixo com a mão. O exame neurológico mostra tortícolis com rotação sustentada e hipertrofia dos músculos esternocleidomastóideos. Não há sinais de parkinsonismo ou outras alterações neurológicas. Diante desse quadro compatível com distonia cervical, qual é o tratamento de escolha?
  1. AAnticolinérgicos.
  2. BLevodopa.
  3. CToxina botulínica.
  4. DCarbamazepina.
  5. EHaloperidol.
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GabaritoC — Toxina botulínica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distonia cervical: tratamento de escolha

Gabarito: letra C. A toxina botulínica é o tratamento de primeira linha para distonia cervical focal, com recomendação de grau A (estudos de nível I), conforme diretrizes de prática clínica. O quadro descrito — torticollis com rotação sustentada, hipertrofia do esternocleidomastóideo, dor cervical e melhora com truque sensorial — é clássico de distonia cervical, e a toxina botulínica é a terapia mais eficaz para alívio dos espasmos e da dor.

A distonia cervical, antes chamada de torcicolo espasmódico, é a forma mais comum de distonia focal. Caracteriza-se por contrações musculares involuntárias que causam posturas anormais da cabeça e do pescoço, frequentemente acompanhadas de dor. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento de escolha é a injeção local de toxina botulínica, que bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, enfraquecendo seletivamente os músculos distônicos.

A eficácia da toxina botulínica na distonia cervical é robusta: cerca de 80% dos pacientes apresentam melhora do desvio postural e 76% a 93% têm melhora da dor. O efeito começa em torno de 7 dias, atinge o pico em 4 a 6 semanas e dura cerca de 3 meses, exigindo aplicações periódicas. A seleção correta dos músculos acometidos é o fator mais importante para a resposta adequada.

As alternativas incorretas representam classes de medicamentos usadas em outros contextos: anticolinérgicos podem ser adjuvantes, mas não são primeira linha; levodopa é o tratamento da distonia responsiva à dopa (parkinsonismo); carbamazepina é usada em distonias paroxísticas e neuralgias; haloperidol é um antipsicótico que pode até piorar distonias. A banca explora a confusão entre distonia cervical e outras condições neurológicas, mas o quadro clínico é inequívoco.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece levodopa (letra B) como distrator, tentando confundir com doença de Parkinson. Mas a distonia cervical é uma distonia focal, não responsiva à levodopa — o tratamento de escolha é a toxina botulínica. Fique atento: a presença de truque sensorial e hipertrofia muscular aponta diretamente para distonia, não para parkinsonismo.

Distonia cervical (torcicolo espasmódico)
  • 1Características
    • Contrações involuntárias sustentadas
    • Postura anormal da cabeça/pescoço
    • Dor cervical frequente
    • Truque sensorial (melhora)
  • 2Diagnóstico
    • Essencialmente clínico
  • 3Tratamento de escolha
    • Toxina botulínica (grau A)
      • Bloqueia liberação de acetilcolina
      • Melhora em ~80% dos casos
      • Efeito: 7 dias a ~3 meses
  • 4Distratores
    • Anticolinérgicos (adjuvante, não 1ª linha)
    • Levodopa (distonia responsiva à dopa)
    • Carbamazepina (distonia paroxística)
    • Haloperidol (pode piorar)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Os anticolinérgicos (como triexifenidil) podem ser usados como terapia adjuvante em algumas distonias, mas não são o tratamento de primeira linha para distonia cervical focal. A toxina botulínica é superior em eficácia e é a escolha inicial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A levodopa é o tratamento de escolha para distonias responsivas à dopa, que se manifestam tipicamente na infância ou adolescência com flutuação diurna. Na distonia cervical do adulto, a levodopa não é eficaz e não é indicada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A toxina botulínica é o tratamento de primeira linha para distonia cervical, com recomendação de grau A. Ela age bloqueando a liberação de acetilcolina, reduzindo os espasmos musculares e a dor, com melhora em cerca de 80% dos pacientes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A carbamazepina é usada em distonias paroxísticas (cinesigênicas) e em neuralgias, não na distonia cervical sustentada. Não há evidência de benefício para este quadro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O haloperidol é um antipsicótico que pode causar distonia aguda como efeito adverso. Não é tratamento para distonia cervical e pode até piorar o quadro.

Gabarito: letra C

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