Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg693897
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- UNIMED - Santa Maria
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurologia Clínica
- AAnticolinérgicos.
- BLevodopa.
- CToxina botulínica.
- DCarbamazepina.
- EHaloperidol.
GabaritoC — Toxina botulínica.
Gabarito: letra C. A toxina botulínica é o tratamento de primeira linha para distonia cervical focal, com recomendação de grau A (estudos de nível I), conforme diretrizes de prática clínica. O quadro descrito — torticollis com rotação sustentada, hipertrofia do esternocleidomastóideo, dor cervical e melhora com truque sensorial — é clássico de distonia cervical, e a toxina botulínica é a terapia mais eficaz para alívio dos espasmos e da dor.
A distonia cervical, antes chamada de torcicolo espasmódico, é a forma mais comum de distonia focal. Caracteriza-se por contrações musculares involuntárias que causam posturas anormais da cabeça e do pescoço, frequentemente acompanhadas de dor. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento de escolha é a injeção local de toxina botulínica, que bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, enfraquecendo seletivamente os músculos distônicos.
A eficácia da toxina botulínica na distonia cervical é robusta: cerca de 80% dos pacientes apresentam melhora do desvio postural e 76% a 93% têm melhora da dor. O efeito começa em torno de 7 dias, atinge o pico em 4 a 6 semanas e dura cerca de 3 meses, exigindo aplicações periódicas. A seleção correta dos músculos acometidos é o fator mais importante para a resposta adequada.
As alternativas incorretas representam classes de medicamentos usadas em outros contextos: anticolinérgicos podem ser adjuvantes, mas não são primeira linha; levodopa é o tratamento da distonia responsiva à dopa (parkinsonismo); carbamazepina é usada em distonias paroxísticas e neuralgias; haloperidol é um antipsicótico que pode até piorar distonias. A banca explora a confusão entre distonia cervical e outras condições neurológicas, mas o quadro clínico é inequívoco.
A banca oferece levodopa (letra B) como distrator, tentando confundir com doença de Parkinson. Mas a distonia cervical é uma distonia focal, não responsiva à levodopa — o tratamento de escolha é a toxina botulínica. Fique atento: a presença de truque sensorial e hipertrofia muscular aponta diretamente para distonia, não para parkinsonismo.
Os anticolinérgicos (como triexifenidil) podem ser usados como terapia adjuvante em algumas distonias, mas não são o tratamento de primeira linha para distonia cervical focal. A toxina botulínica é superior em eficácia e é a escolha inicial.
A levodopa é o tratamento de escolha para distonias responsivas à dopa, que se manifestam tipicamente na infância ou adolescência com flutuação diurna. Na distonia cervical do adulto, a levodopa não é eficaz e não é indicada.
A toxina botulínica é o tratamento de primeira linha para distonia cervical, com recomendação de grau A. Ela age bloqueando a liberação de acetilcolina, reduzindo os espasmos musculares e a dor, com melhora em cerca de 80% dos pacientes.
A carbamazepina é usada em distonias paroxísticas (cinesigênicas) e em neuralgias, não na distonia cervical sustentada. Não há evidência de benefício para este quadro.
O haloperidol é um antipsicótico que pode causar distonia aguda como efeito adverso. Não é tratamento para distonia cervical e pode até piorar o quadro.
Gabarito: letra C
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