A epilepsia do lobo temporal mesial (ELTM) é a forma mais comum de epilepsia focal em adultos e uma das mais bem caracterizadas do ponto de vista clínico, eletrográfico e patológico. Geralmente tem início na infância ou adolescência, podendo evoluir de forma insidiosa até a vida adulta. Assinale a alternativa que apresenta uma manifestação clássica na epilepsia do lobo temporal mesial.
AAura visual.
BCrise tônico-clônica isolada.
CAusência típica.
DMioclonias matinais.
EAutomatismos orais.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Automatismos orais.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Epilepsia do lobo temporal mesial: semiologia clássica
Gabarito: letra E. A manifestação clássica da epilepsia do lobo temporal mesial (ELTM) são os automatismos orais (oroalimentares), como estalar de lábios e deglutição repetitiva, que ocorrem quando a crise se propaga para o sistema límbico. As demais alternativas descrevem manifestações de outros tipos de epilepsia: aura visual (lobo occipital), crise tônico-clônica isolada (generalizada), ausência típica (epilepsia de ausência) e mioclonias matinais (epilepsia mioclônica juvenil).
A epilepsia do lobo temporal é a síndrome epiléptica mais comum em adultos, representando pelo menos 40% dos casos. A forma mesial (ELTM) tem como substrato patológico mais frequente a esclerose hipocampal, que consiste em perda de células piramidais e gliose em vários subcampos hipocampais. O hipocampo e a amígdala são as estruturas envolvidas no início da crise, e a semiologia reflete essa origem límbica.
A aura mais característica da ELTM é a sensação epigástrica crescente (uma sensação que sobe do epigástrio em direção à garganta), seguida de comprometimento da consciência. Com menos frequência, podem ocorrer auras olfatórias (crises uncinadas, originadas no unco), déjà vu, jamais vu ou pensamentos alterados estereotipados. À medida que a crise se espalha para envolver o sistema límbico, o paciente apresenta olhar vazio e automatismos — comportamentos motores automáticos que incluem sinais oroalimentares (estalar de lábios, deglutição repetitiva, mastigação) e automatismos manuais (movimentos repetitivos das mãos, como esfregar ou apanhar objetos).
É importante distinguir a ELTM de outras epilepsias focais e generalizadas. As crises do lobo temporal lateral (neocorticais) podem apresentar alucinações auditivas ou visuais formadas, comprometimento da linguagem (se no hemisfério dominante) e vocalizações. Já as crises do lobo occipital cursam com aura visual (fotopsias, escotomas), e as do lobo frontal podem ter postura versiva, crises hipermotoras ou crises motoras suplementares. As crises generalizadas, por sua vez, não têm aura focal: a ausência típica é uma crise de início generalizado com comprometimento breve da consciência (2 a 20 segundos), e as crises mioclônicas são abalos breves e repentinos, frequentemente agrupados após o despertar (mioclonias matinais), típicos da epilepsia mioclônica juvenil.
A pegadinha desta questão está em associar cada manifestação ao tipo correto de epilepsia. O candidato que decora apenas que "ELTM tem aura" pode cair na alternativa A (aura visual), mas a aura visual é clássica do lobo occipital, não do temporal mesial. O que define a ELTM é a combinação de aura epigástrica/psíquica com automatismos orais e comprometimento da consciência. Guarde essa tríade: é exatamente nela que as alternativas se separam.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A aura visual (fotopsias, alucinações visuais simples ou complexas) é manifestação clássica das crises de início no lobo occipital, não no lobo temporal mesial. Na ELTM, a aura típica é a sensação epigástrica crescente ou a aura psíquica (déjà vu, medo). A banca troca a localização da aura para confundir o candidato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A crise tônico-clônica isolada, sem aura focal prévia, é uma crise de início generalizado. Na ELTM, as crises são de início focal e podem evoluir para crises tônico-clônicas focais a bilaterais, mas sempre precedidas pela aura e pelo comprometimento focal da consciência. A alternativa descreve a crise generalizada, não a ELTM.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ausência típica é uma crise de início generalizado, caracterizada por comprometimento breve da consciência (2 a 20 segundos), olhar vago e, no EEG, complexos de ponta-onda de 3 Hz. É típica da epilepsia de ausência da infância (4 a 6 anos), não da ELTM. A banca troca o tipo de crise (generalizada vs focal).
Alternativa D — ❌ Incorreta
As mioclonias matinais (abalos breves e repentinos, agrupados após o despertar) são manifestação clássica da epilepsia mioclônica juvenil, uma epilepsia generalizada genética. Na ELTM, não há mioclonias como manifestação típica; os automatismos orais e manuais é que são característicos.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os automatismos orais (oroalimentares) — estalar de lábios, deglutição repetitiva, mastigação — são a manifestação clássica da ELTM. Eles ocorrem quando a crise, iniciada no hipocampo/amígdala, se propaga para o sistema límbico, e são descritos como "comportamentos motores automáticos" comuns nas crises que envolvem o sistema límbico, em geral no lobo temporal. A alternativa espelha exatamente a semiologia descrita para a ELTM.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as epilepsias focais pela semiologia, pergunte-se: onde começa a crise? Lobo occipital → aura visual; lobo temporal mesial → aura epigástrica/psíquica + automatismos orais; lobo frontal → postura versiva, crises hipermotoras; generalizada → sem aura focal (ausência, mioclonia, tônico-clônica). Memorize a tríade da ELTM: aura epigástrica + olhar vazio + automatismos orais.